Empresa britânica inaugura rede no Brasil em outubro


A Kaia Global Networks, carrier britânica detentora de uma rede tier 2, vai iniciar operações no país em 1º de outubro. A empresa vai conectar o Brasil ao resto do mundo, por cabos que passam pelos Estados Unidos. Vai, também, interligar provedores e data centers localmente. Para isso, usará a rede da Eletronet, cujo data center já recebe seus equipamentos. O primeiro cliente é a Minas Mais, ISP com presença principalmente no Sudeste e Sul do país. Outros já compõem a carteira, mas a empresa não revela quais.

Segundo Clive Stone, responsável por vendas e marketing, a empresa vai revender capacidade, locada junto a outras companhias. O executivo prefere não dar detalhes da operação, nem o investimento para entrar no Brasil. Diz que a iniciativa é uma tentativa de se antecipar à demanda que será gerada pelas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. “É o maior evento do mundo. Queremos estar no Brasil quando a demanda global surgir”, diz.

Segundo ele, a Copa do Mundo gerou grande volume em tráfego de dados, mas os jogos olímpicos exigirão muito mais das redes. “Durante a Copa iniciamos as negociações para, de fato, entrar no mercado brasileiro, mas não conseguimos começar à tempo”, conta. Apesar disso, a ideia é não abrir, ao menos até lá, um escritório aqui. O trabalho será todo remoto. O foco, ao menos neste ano, é conectar ISPs de todos os portes e data centers.

“Nossa rede integra EUA, Europa, Ásia e outros países da América do Sul. Percebemos que no Brasil, algumas carriers não atendem os provedores regionais, e as redes que os atendem não tem saída para outros países. Nós conseguimos entregar isso. Pessoas nos EUA ou Europa poderão acessar conteúdos localizados no Brasil, e isso fará do país um mercado mais global”, diz.

A chegada ao Brasil faz parte da estratégia de tornar a Kaia uma empresa com rede tier 1, ou seja, capaz de conversar com toda a internet sem precisar recorrer a redes de terceiros. De acordo com Stone, a meta é atingir o objetivo em até dois anos. As oportunidades não faltam, garante. Para ele, a internet brasileira ainda está na infância, com data centers e redes 10 ou 15 anos atrasados se comparados a outros países.

“O Brasil tem poucas companhias, muito grandes, que controlam a internet. Quem quiser se conectar, de alguma forma vai acessar serviços delad. Aqui se paga seis vezes mais pelo acesso que nos EUA, onde a competição é muito maior, há muito mais redes, assim como na Europa”, diz. Os Jogos Olímpicos devem ajudar para aumentar a competição, pensa o executivo. “Acredito que em dois anos o cenário pode mudar drasticamente. Todo mundo vai ter que expandir a capacidade e as redes”, diz.

 

 

 

 

Anterior Metade dos investimentos em redes móveis no mundo foi para LTE
Próximos Em audiência pública, teles reclamam dos custos da telefonia fixa e do controle excessivo dos bens reversíveis