Emergentes têm enorme potencial para serviços financeiros móveis


Barcelona – Há um enorme potencial de crescimento dos serviços financeiros móveis nos países emergentes e mesmo entre os menos desenvolvidos, graças à massificação do celular. Dados apresentados por Kristin Lund, executiva da Telenor Digital, indicam que existem 2,57 bilhões de pessoas sem acesso a banco, dos quais 2,5 bilhão têm celular. Com operações em países como Paquistão e Índia, Kristin disse que o modelo de negócios nesses países é sustentável pois, além de cobrar pela transação, a operadora ganha com a fidelização do cliente. “Há uma redução do churn entre os clientes que fazem transações financeiras”, observou, apoiando-se na experiência de sua empresa que já realizou 30 milhões de transações no Paquistão.

O desenvolvimento dos serviços financeiros móveis demanda parcerias que envolvem dos bancos às operadoras celulares, passando pelas bandeiras de cartão de crédito, desenvolvedores de aplicativos e uma extensa cadeia do varejo. Com pilotos em diferentes países com diferentes parceiros, Don Callahan, diretor de operações tecnologia do Citibank, disse que é central, no modelo de negócios, o estabelecimento de um ambiente regulatório bem pactuado com os bancos centrais dos países. Nos últimos seis meses, o serviço do Citi via celular realizou transações no valor de US$ 1 bilhão, envolvendo 80 parceiros, 50 mil estabelecimentos e nove diferentes línguas.

Mais importante do que o tamanho dos números e de que se trata de um  modelo de negócios que se remunera é o fato de que os serviços financeiros móveis são o canal de bancarização e de inclusão social para os que não têm conta bancária, na opinião de John Partridge, CEO da Visa, que também conta com várias parcerias com bancos e operadoras. A mais recente delas foi assinada com a Orange, para oferta de serviços financeiros na Europa.

Na série de experiências em países em desenvolvimento apresentadas pela Telenor – a operadora também oferece serviços financeiros em países desenvolvidos, como Suécia e Noruega –, os clientes usam o celular paga pagar contas, sacar dinheiro em estabelecimentos credenciados, enviar recursos para um parente que está longe, inclusive no exterior, ou receber dinheiaro de quem trabalha no exterior. Já nos países desenvolvidos, o celular funciona mais como uma carteira eletrônica para pagar o ticket do metrô, a compra no supermercado ou liberar o acesso na entrada de um edifício. Neste caso, a limitação está no fato de poucos modelos de celulares incorporarem o chip com NFC (o sensor que permite identificar o usuário e fazer a operação).

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