Em todas as faixas de renda, cresce o número dos que têm só celular


03/02/2006 — A análise dos dados da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, relativa ao ano de 2004, traz um resultado surpreendente: em todas as faixas de renda, aumentou o número de domicílios que só têm telefone celular. O maior salto ocorreu nas faixas entre um e dois salários mínimos e entre dois …

03/02/2006 — A análise dos dados da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, relativa ao ano de 2004, traz um resultado surpreendente: em todas as faixas de renda, aumentou o número de domicílios que só têm telefone celular. O maior salto ocorreu nas faixas entre um e dois salários mínimos e entre dois e cinco salários mínimos: +7% em cada uma delas. Mas a presença só do celular também se expandiu na menor faixa de renda (menos de um salário mínimo), com +4%, e na maior faixa de renda (mais de 20 salários mínimos), com +0,32%.

Como decorrência do fenômeno da expansão dos que só têm celular – a taxa de penetração passou de 11,20%, em 2003, para 16,47%, em 2004 –, houve um encolhimento da penetração dos telefones fixos. Embora o percentual de domicílios com telefone (fixo e celular) tenha avançado de 62,03% para 65,36%, a presença do telefone fixo na casa dos brasileiros caiu de 50,83% para 48,89%. A queda também se dá em todas as faixas de renda. A redução é menor nos dois extremos da pirâmide: -0,33% nos domicílios com renda inferior a um salário mínimo, -0,25% naqueles entre 10 e 20 salários mínimos, e de -0,59%, acima de 20 salários mínimos. Nas faixas intermediárias cresce o número de domílios que optaram por só ter telefone celular: a maior redução se dá na faixa entre dois e cinco salários mínimos, com -4,09%.

A única notícia menos desfavorável à telefonia fixa, que está perdendo clientes até na classe A, é que, em números absolutos, entre 2003 e 2004, a planta instalada teve uma leve oscilação positiva: passou de 25,264 milhões de telefones para 25,301 milhões, com incremento de 36.410 linhas. O crescimento é marginal, mas inverte a tendência registrada na PNAD 2003, quando o número total de telefones fixos instalados registrou encolhimento, com -125.726 linhas. Embora a taxa de penetração do telefone fixo tenha se reduzido, a base registrou pequena expansão porque, entre um ano e outro, o número de domicílios aumentou em 1,2444 milhão. De acordo com a PNAD, em 2004 o país contava com 51,7 milhões de domicílios.

Disparidades regionais
Se a penetração da telefonia, fixa ou celular, tem uma forte variação em decorrência do poder aquisitivo das famílias, ela também é distinta nas diferentes regiões do país. No ranking brasileiro, a liderança está com o Distrito Federal, com 91% dos domicílios com telefone; no Piauí, a taxa é de 32,2%. Mas a maior presença dos telefones nos domicílios, por estado, não tem relação com o ranking dos que só têm celular. O Rio Grande do Sul, que ocupa o 2º lugar no ranking de penetração da telefonia como um todo, com 82,5%, tem 30,5% dos domicílios só com celular e fica em 1º lugar nessa categoria. Santa Catarina, em 5º lugar no ranking de petração da telefonia (79%), é o 3º na lista de domicílios só com celular (19,85%).

A análise do número de domicílios só com celular e do encolhimento da telefonia fixa, por estado, traz algumas descobertas importantes. Uma delas é trágica: nos estados do Acre, Amazonas, Rondonia e Roraima, onde houve a maior redução do número de telefones fixos em relação a 2003, caiu a taxa de penetração da telefonia (fixa e celular) no conjunto dos domicílios. No Acre, a taxa de penetração reduziu-se em 12,9%; no Amazonas, em 10,3%; em Rondonia, em 9,9%; e em Roraima, -!2,8%. Ou seja, nesses estados, a expansão do celular não conseguiu compensar as linhas fixas desativadas.

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