Em quatro anos, dobra o número de domicílios com celular no Brasil.


Mais emprego, alta do rendimento real médio mensal das pessoas ocupadas com trabalho, melhoria do nível de renda (ainda muitíssimo concentrada). Esses fatores não explicam tudo, mas melhores condições de vida das famílias (cujo consumo aumentou, apesar da pífia evolução do PIB) geralmente se refletem em maior demanda por bens e serviços. É o que …

Mais emprego, alta do rendimento real médio mensal das pessoas ocupadas com trabalho, melhoria do nível de renda (ainda muitíssimo concentrada). Esses fatores não explicam tudo, mas melhores condições de vida das famílias (cujo consumo aumentou, apesar da pífia evolução do PIB) geralmente se refletem em maior demanda por bens e serviços. É o que retrata a versão 2005 da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios – PNAD 2005, divulgada hoje, 15, pelo IBGE, e cuja apresentação começa informando que o rendimento do brasileiro teve a primeira alta em uma década e que, no ano passado, 21% da população com dez anos ou mais navegou pela internet. E, também, pela primeira vez, o Brasil passou a ter mais domicílios com telefone celular do que com linha fixa.

Ainda não há muito a comemorar no tocante ao acesso à web, já que a pesquisa leva em conta o fato, ainda que tenha sido uma única vez, nos três meses que antecederam a entrevista, via computador, em qualquer local. Por faixa etária, os que mais navegaram foram os brasileiros da  população de 15 a 17 anos – 34%. E, quanto mais velho é o cidadão, menor o acesso. Visto por região, reproduz-se o cenário de concentração de renda no país: 12% nas regiões Norte e Nordeste; 26% na Sudeste e Sul; 23% na Centro-Oeste.

Quanto mais elevado o nível de instrução e de rendimento mensal domiciliar per capita, maior o número de pessoas que acessaram a internet, informa o IBGE. No grupo com 15 anos ou mais de estudo, mais de 76% eram internautas; entre as pessoas sem instrução ou com menos de quatro anos de estudo, 2,5%. Na faixa com rendimento de até ¼ do salário mínimo per capita, não mais do que 3% acessaram a internet; na acima de cinco mínimos, 70%.

Menos telefones fixos…

No ano passado, no total de pessoas de 10 anos ou mais de idade, 37% tinham telefone celular para uso pessoal. No grupo dos sem instrução ou com menos de 4 anos de estudo, 12% tinham celular; no dos com 15 anos ou mais de estudo, 83%. Entre os sem rendimento ou com renda mensal de até ¼ do mínimo, 10% dispunham de celular; entre os que ganhavam mais de 5 mínimos, 82%.

O percentual de moradias com celular subiu de 48%, em 2004, para mais de 59%, em 2005, e o dos domicílios com linha fixa caiu de 49% para 48%. Desde 2001, quando a PNAD passou a investigar em separado as linhas móvel e fixa, o percentual de domicílios com celular vem crescendo muito – passou de 31%, para 60%. Nesses quatro anos, a proporção de residências que tinham somente celular subiu de 8% para 24% o que, segundo a pesquisa, pode indicar o uso desse tipo de linha par suprir a falta do telefone fixo, ou como alternativa mais flexível de comunicação. Por outro lado, a proporção de moradias com linha fixa – 53% em 2002 – a começou a se retrair em 2003 e caiu para 49% no ano passado.

… e mais micros

Em termos de bens de consumo durável, naturalmente o televisor continuou imbatível: havia TV em mais de 91% das residências, no ano passado; rádio em 88%, microcomputadores em 19%; e 14% com micros conectados à internet. De 2001 para 2005, as taxas de crescimento das moradias com micros superaram as dos demais bens duráveis, e sua proporção subiu de quase 9%, em 2001, para perto de 19%, em 2005.

Desaquecimento à vista?

Certamente não no segmento de máquinas para escritório e equipamentos de informática (com destaque para computadores e monitores, segundo o IBGE), que cresceu 57% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2005. Talvez sim, na área de material eletrônico e equipamentos de comunicação. Em julho, enquanto a produção industrial paulista avançou 5% em relação ao mês anterior, a de material eletrônico e equipamentos de comunicação recuou 4%. Também em julho, a produção industrial cresceu pouco mais de 3% no país, em comparação com o mesmo mês do ano passado, e a de material eletrônico e de equipamentos de comunicação caiu 10%, muito em função da menor produção de celulares, de acordo com o IBGE.

O esfriamento do setor de material eletrônico e de equipamentos de comunicação afetou negativamente o desempenho industrial do Amazonas, que vem experimentando recuos sucessivos, apesar de, em julho, ter havido expansão mensal. Mas, na comparação anual julho a julho, o declínio persistiu, influenciado pela queda de 18% de material eletrônico e equipamentos de comunicação, onde o destaque foi o decréscimo na fabricação de celulares, em conseqüência da combinação entre redução das exportações neste ano, e uma base de comparação (2005) elevada.

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