Em Manaus, competição leva provedores à fibra.


No interior do Amazonas, a cobertura ainda é precária e a maioria das conexões é por rádio. Mais que na capital, há carência de links. E a fibra só vai chegar com o lançamento dos cabos ópticos subfluviais. O primeiro trecho do projeto Amazônia Conectada entra em operação até o final deste ano.

portal-telesintese-entrevista-olisnei-nascimentoCom 40 associados, cerca de um terço dos provedores de internet que atuam no estado do Amazonas, a Associação dos Provedores de Internet do Amazonas (Apriam) foi criada no ano passado para defender o mercado desses empreendedores. Se até então estavam livres da concorrência das grandes operadoras, o cenário mudou com a ampliação da área de atuação da Net em direção aos bairros populares de Manaus.

Para enfrentar a competição, a Apriam articula uma estratégia de defesa do mercado, que passa pela migração da rede de rádio para a de fibra em determinados bairros de Manaus. No interior, os provedores regionais são dominantes no atendimento aos domicílios, e conexão é via rádio. Em determinados locais, só satélite.

A partir do lançamento do primeiro cabo óptico subfluvial ligando Coari a Tefé – ele deve estar operacional até dezembro –, os provedores de internet da região vão poder operar por fibra como parceiros do projeto Amazônia Conectada. A falta de competição na oferta de links, uma das principais reclamações da Apriam, segundo seu presidente Oslinei Nascimento Conceição, começará a ser superada.

Tele.Síntese – Este ano, vocês decidiram criar a Associação dos Provedores de Internet da Amazônia. Por que, agora?
Oslinei Nascimento Conceição – Nosso objetivo, com a associação, é fortalecer o mercado de pequenos provedores, conseguir linhas de crédito adequadas às nossas necessidades.

Tele.Síntese – A necessidade de organização não foi também determinada pelo aumento da competição,  especialmente Manaus. Até então, as grandes operadoras atuavam em mercados complementares aos dos provedores regionais. Mas agora parece que a Net decidiu invadir os redutos de vocês…
Oslinei – É verdade que cresceu muito a ação das grandes corporações, principalmente a da Net, que tem marketing e comercialização muito agressivos. Para nós que somos pequenos é muito difícil poder competir com eles. Mas a nossa união nos ajudou muito nesse sentido. Conseguimos atender com maior qualidade que os grandes e, assim, manter os clientes.Hoje, se você olha o índice de inadimplência de um pequeno provedor, comparado à inadimplência e insatisfação do serviço prestado por uma Net ou pela Oi Velox, você vai verificar que é muito maior.

Tele.Síntese – Quais são as maiores demandas dos provedores regionais do Amazonas?
Oslinei – Oferta de links e linhas de financiamento a juros mais acessíveis. Ainda falta competição na oferta de links. O preço de R$ 120 por 1 Mbps ainda não é o ideal, pois precisamos comprar de 2 Gbps a 3 Gbps por provedor. Neste momento, só quem está vendendo no atacado para nós é a TIM, pois os preços da Embratel e da Oi são bem mais altos.

Tele.Síntese – Há outras alternativas?
Oslinei – A Telebras poderia ser uma alternativa. Mas ela vem fazendo corpo mole. Solicitei uma proposta, mas o valor ficou alto, o bem acima do da TIM. Ela está cobrando R$ 157 o mega full, contra R$ 120 da TIM. A Telebras foi reativada para atender a esse mercado e não para dar lucro. Eu não entendo.

Tele.Síntese – Quais iniciativas estão adotando para aumentar a competitividade dos provedores regionais frenteàs grandes operadoras, como a Net?
Oslinei – Nós já fizemos um plano estratégico para não perder mercado, plano que não posso revelar aqui. A nossa principal iniciativa é a nossa união . E vamos criar uma marca comum. Já fazemos compras coletivas, para reduzir custos – um grande parceiro foi a MPT Fios e Cabos; outro foi a Algecom.

Tele.Síntese – E quanto às linhas de crédito? Têm acesso a alguma linha específica para a região?
Oslinei – Temos participado do movimento da Abrint, a entidade nacional,junto ao Ministério das Comunicações para a criação de uma linha de crédito no BNDES que nos atenda. O maior problema que enfrentamos é o da garantia. O Minicom também está fazendo uma experiência com o Banco do Brasil, que é agente das linhas do BNDES, para verificar quais os problemas práticos enfrentados pelo pequeno provedor para ter acesso ao Finame para a fibra, por exemplo. Minha empresa vai participar dessa experiência pela região Norte, mais ainda estou construindo meu projeto.

Tele.Síntese – Esta será sua primeira experiência com fibra? Quantos provedores do Amazonas já têm rede de fibra?
Oslinei – Hoje eu uso a rede de fibra de um parceiro na cidade de Manaus, a Axxess, que tem rede de cerca de 500 quilômetros. A Axxess, que é dona da maior rede, tem parceria com vários outros provedores da Apriam. Cerca de cinco provedores já estão operando na capital com fibra. Para enfrentar a concorrência é um grande diferencial, pois o cliente se encanta com a fibra que dá maior qualidade e muito menos interrupção que o rádio.

Tele.Síntese – Há alguma operação em fibra no interior?
Oslinei – Não. Fibra, só em Manaus. No interior o atendimento é por rádio e também por satélite. Meu provedor, a Nova Soluções de Tecnologia opera com fibra em Manaus e por rádio em cinco municípios do interior.
Em 18 de janeiro a Nova Soluções abriu o sinal da internet na comunidade de Caramuri, no km 35 da M010. É uma comunidade ribeirinha, com menos de 500 casas, a maioria flutuantes O ponto da internet foi instalado no centro social. Para tornar o projeto viável estou negociando com a prefeitura conectar as 14 escolas do entorno. Eles dizem que elas estão conectadas por satélite, mas a conexão não funciona. Não sei quem opera, se é a Embratel ou a Oi. Se fechar com a Prefeitura, vou poder comercializar a internet para os ribeirinhos a R$ 100.

Tele.Síntese – Os provedores do Amazonas estão participando do projeto Amazônia Conectada, que envolve Exército, RNP e outros parceiros?
Oslinei – Já conversamos com o gestor local do projeto e houve interesse em firmar uma parceria com a Apriam, para os provedores regionais fazerem a última milha e atenderem às cidades e comunidades. O projeto vai levar a conexão à internet por cabo subfluvial. A ideia é que a Apriam receba um par de fibra para fazer o atendimento local. E isso será possível, pois existem provedores atuando no trecho Coari-Tefé que será o primeiro trecho de cabo subfluvial a ser lançado este ano.

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