Em 2010, dez milhões de acessos banda larga no Brasil ?


A penetração da banda larga ainda é baixíssima no Brasil – não chegava aos 2% da população em setembro último, e deve ter alcançado algo como 4 milhões de acessos em 2005. Mas a disseminação da banda larga é considerada uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento econômico por fornecedores, governo e institutos de pesquisa. “A …

A penetração da banda larga ainda é baixíssima no Brasil – não chegava aos 2% da população em setembro último, e deve ter alcançado algo como 4 milhões de acessos em 2005. Mas a disseminação da banda larga é considerada uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento econômico por fornecedores, governo e institutos de pesquisa.

“A competitividade global de um país é função da disponibilidade e maturidade de sua infra-estrutura de comunicações (network readiness). E a banda larga é fundamental para o crescimento da economia e para a inclusão digital e social”, argumenta Rafael Steinhauser, presidente da subsidiária brasileira da Cisco.

Em função de elementos aceleradores do mercado como queda de preços da conexão e o surgimento de novos serviços como vídeo sob demanda (VOD) e VoIP, a IDC Brasil propõe que, em 2010, o Brasil chegue aos 10 milhões de acessos de banda larga. Se isso acontecer, diz Fabio Costa, presidente da empresa de consultoria e pesquisa, a penetração aumentará para 5,1% da população e haverá crescimento de 33% na quantidade de PCs instalados (a cada três PCs, um estará conectado).

Crescimento

“Por que 10 milhões? Para manter a competitividade atual do Brasil em relação a países concorrentes como China e Índia”, argumenta Costa. Segundo o IDC, ainda em 2006, 67% dos provedores entrevistados informaram que vão oferecer VoIP; 46%, VOD (33% e 17%, respectivamente, em 2005); em 2007, 75% vão oferecer VoIP, 58%, VOD.

Hoje, 16, Cisco e IDC Brasil divulgaram o primeiro “Barômetro Cisco da Banda Larga”, uma análise do mercado setorial, onde se comparam os dados do país com os de outras nações. No evento, também estavam presentes o secretário de tecnologia e logística da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e membro do Comitê Gestor da Internet, Rogério Santanna; e Heliomar Lima, diretor de inclusão digital do Ministério das Comunicações.

DSL x cabo

Comparando o perfil do cliente de serviços de banda larga no Brasil, Estados Unidos e Ásia (exceto Japão), o IDC conclui que, dentre as três regiões, no Brasil, a fatia de usuários residenciais é menor: 84%, em comparação aos 89% nos EUA e 91% nos países asiáticos.

Por tipo de tecnologia de acesso, no Brasil e Japão predomina o DSL (82% e 77%, respectivamente), enquanto nos EUA, a infra-estrutura de telefonia existente conecta 40% dos usuários – lá, o cabo coaxial das operadoras de TV responde por 58% dos acessos em banda larga. No Brasil e Japão, a conexão via cabo atende, respectivamente, 14 e 11% dos usuários residenciais.

Velocidades

O usuário brasileiro é o que navega com a velocidade média de conexão mais baixa (375 kbps) entre as regiões analisadas. Nos EUA, a conexão média está na faixa de 4,5 Mbps, no Japão, 850 kbps. Quanto à penetração da banda larga, é de 2,1% na região Ásia-Pacífico (exceto Japão) e de 14,5% nos EUA.

Na avaliação do IDC, de forma geral, é nos países desenvolvidos e com alta densidade demográfica onde são maiores os índices de penetração. Assim, na Coréia, é de mais de 26%, na Holanda e Hong Kong 24%.

Mesmo entre os países da América Latina, embora a base instalada de computadores no Brasil seja maior do que nos vizinhos, aqui (1,9%), até o primeiro semestre de 2005, a penetração era inferior à da Argentina (2%) e à do Chile (4%).

Até setembro do ano passado, o total de acessos de banda larga instalados no país era de 3,5 milhões, dos quais 61 mil eram conexões de IP dedicado. O total do mercado, segundo o IDC, foi 47% maior do que em dezembro de 2004, o que significou um crescimento trimestral de quase 14%.

Perfil do usuário

Por tipos de usuários, no Brasil, mais de 84% são residenciais; 5,8% segmento SoHo; 5,5% pequenas empresas; 2,8% médias empresas; 0,9% grandes empresas; 0,6% governo+educação. Excluídos os usuários residenciais, o segmento SoHo passa a representar 36,9%; as empresas pequenas, 35,4%; a médias, 18%; as grandes, 5,7%; governo+educação, 4%.

Quanto aos que utilizam IP dedicado, a maioria (35,1%) são grandes empresas, seguidas pelas médias (27,6%), pequenas (24,6%), governo+educação (11,1%), SoHo (1,6%).

Embora o acesso via DSL seja o principal no Brasil, pouco a pouco vem perdendo espaço para outros meios, especialmente cabo e FWA (fixed wireless access – acesso fixo sem fio, como MMDS, por exemplo). No terceiro trimestre de 2005, 82% dos acessos eam via DSL, 14% via cabo, demais (FWA e satélite), 3,8%.

Paralelamente, e em função da queda dos preços médios da conexão, os brasileiros, aos poucos, vão recorrendo a maiores velocidades. Até setembro passado, 23% navegam nas faixas entre 128 e 256 kbps (26% em 2004); 54% nas de 256 a 514 kbps (55%), 21% de 512 kbps a 1 Mbps (18%); 1,9% acima de 1 Mbps (1,2%).

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