Elétricas podem universalizar a internet


As empresas de energia elétrica precisam repensar o seu negócio e fazer uso mais eficiente dos seus ativos. O alerta partiu do presidente da Associação das Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Luiz de Oliveira Jatobá. Jatobá foi palestrante  no workshop sobre Power Line Communications (PLC), promovido pela Aneel e, …

As empresas de energia elétrica precisam repensar o seu negócio e fazer uso mais eficiente dos seus ativos. O alerta partiu do presidente da Associação das Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Luiz de Oliveira Jatobá.

Jatobá foi palestrante  no workshop sobre Power Line Communications (PLC), promovido pela Aneel e, durante sua apresentação, abordou o potencial de utilização dessa tecnologia dentro do contexto  brasileiro. Para ele, existem três motivações interessantes para a aplicação do PLC no mercado brasileiro.

A primeira motivação seria a necessidade das empresas de energia elétrica evoluírem tecnologicamente suas redes, agregando novas facilidades. Na visão dele, os custos seriam reduzidos e haveria maior eficiência no processo de geração e de distribuição de energia elétrica. Pela lógica de Jatobá, o Brasil vai seguir uma tendência, que já é mundial, inclusive já está ocorrendo na Europa, de adotar  o conceito da rede elétrica inteligente, e o uso do PLC.

O segundo motivo seria  a universalização do acesso a serviços digitais. Nesse sentindo, ele argumenta que o PLC seria uma caminho para potencializar o uso da rede elétrica para este fim, uma vez que o programa “Luz para Todos” deve atingir a meta de universalização da rede elétrica até o final de 2008, passando assim, a ser o único serviço com infra-estrutura pública disponível a todos os cidadãos. “Quando se fala em atingir a toda população com acesso universal de serviços digitais essa tecnologia torna isso possível”, reforçou.

Na opinião de Jatobá, o terceiro quesito diz respeito ao próprio negócio, não só das empresas de distribuição de energia, como as de telecomunicações. Ele salienta que, na hora em que se tem uma base de clientes que é igual à população e, ao mesmo tempo, conta com uma rede física que chega em todos os domicílios do país, esse ativo precisa ser bem explorado. 

Custo e política industrial

Quanto ao custo, Jatobá entende que devem ser consideradas duas variáveis. A primeira, deve estar baseada  em qual mercado se pretende aplicar a tecnologia  e a outra, em qual foi o custo nos mercados onde essa tecnologia já foi aplicada. Ele citou como exemplo a Itália, que trocou todos os medidores dos usuários, por medidores eletrônicos com facilidade de comunicação.

Jatobá explicou que a tecnologia italiana foi utilizada para fazer medição automática e para oferecer serviços de automação aos usuários. Neste caso, o país casou uma rede de backbone com fibra ótica a uma rede GSM com PLC na ponta. O caso italiano começou em 2002 e terminou agora, inclusive com retorno financeiro para os investidores.

Ele acredita que está na hora de se capitanear um novo ciclo de desenvolvimento tecnológico no país voltado para o PLC e a questão do preço não pode ficar atrelada aos valores de equipamento importado.

De acordo com Jatobá, o Brasil vem fazendo experiência com PLC desde 2000, em vários estágios, sendo que a última foi realizada em Porto Alegre, mas com uma tecnologia de 45 Mbps. A partir do segundo semestre deste ano, realizará dois novos testes, usando a tecnologia de 200 Mbps no Maranhão e em Goiás.                                  

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