Sem Bayard, e se a Oi não conseguir renegociar a dívida?


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A saída de Bayard Gontijo da presidência da Oi, comunicada na noite de sexta, dia 10 de outubro, pegou o mercado, acionistas, reguladores, governo e mesmo os concorrentes de surpresa.

Bayard estava em pleno processo de renegociação de fatia da gigantesca dívida de R$ 50 bilhões, com os bondholders, ou uma parte dos credores estrangeiros cujos prazos estavam vencendo. Entre essas negociações, está a dívida herdada da Portugal Telecom de € 400 milhões. Com os credores estrangeiros, a dívida soma cerca de R$ 34 bilhões.

Enquanto buscava saída para a dívida,  o executivo havia promovido uma reorganização da companhia, buscando reposicionar a empresa, tirando-a da imagem da concessionária amarrada aos seus fios telefônicos.

A sua abrupta retirada do cenário vai poder ser melhor avaliada na segunda feira, com a reação do mercado de capitais.  Mas, a princípio, a sua renúncia é um sinal grave, ainda mais porque as informações que circulam são de que o executivo deixou a empresa porque teria havido um “desgaste” com alguns membros do conselho de administração. “Para não atrapalhar a companhia, nesse momento, ele preferiu se retirar”, informa uma fonte.

Ora, na história da Oi, desgaste com conselho de administração quer dizer disputa de executivos ou acionistas com os controladores. Hoje, o grupo liderado pela Pharol (ex-Portugal Telecom) ainda tem poder relevante no conselho (que iria perder, a depender de como essa dívida vai ou seria negociada) e seus interesses poderiam estar em conflitar com a solução que estaria por vir.

Mas a Oi afirma que as negociações continuam a seu termo, com o novo presidente, Marco Schroeder, diretor financeiro, e ex-Contax.

Recuperação Judicial

Em boca pequena, no entanto, o mercado e Brasília falam com mais frequência que o destino da Oi será entrar com pedido de recuperação judicial, pois não teria outra saída. Já se comenta, inclusive, em um prazo para isso ocorrer: dentro de 90 a 120 dias. Com a saída de Bayard, teme-se que essa iniciativa tenha que ser antecipada. Em um momento muito delicado para o país.

Se a recuperação judicial é por um lado uma solução boa porque protege a operadora dos credores, de outro ela é dramática, porque a empresa fica sem linha de crédito. A Oi passaria a viver exclusivamente de seu caixa,  deixaria de pagar todos os seus credores e começaria a se estruturar (com venda de ativos) para pagar as dívidas.

“No final de um processo de recuperação, os acionistas acabam com muito pouco ou com nada”, lembra uma fonte do mercado. Mas há ainda maiores agravantes. A Oi é uma concessionária pública. O governo teria que intervir? Pode intervir? Quem vai ser o “herói” a assumir a intervenção nessa empresa? E como ficariam as relações com os outros serviços? Celular? banda larga?

A complexidade das relações societárias são de igual tamanho à diversidade de seus credores. Há credor com título, com bond, com garantia, sem garantia. E nesta imensidão de interesses há uma concessão de telecomunicações  que está presente em todo o território brasileiro (à exceção de São Paulo).

“A Oi não pode afundar”. Esta é a única certeza, no momento.

 

 

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