É cedo para as teles entrarem em TV paga, afirmam a Frost&Sullivan e a ABTA.


A conclusão é de pesquisa feita pela F&S em oito países (Itália, Brasil, Hong Kong, México, EUA, Bélgica, Reino Unido e Chile), apresentada hoje, 18 de janeiro, à imprensa, e com ela concorda a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA). O momento ideal? Segundo a empresa de pesquisa e a associação, depende do balanceamento …

A conclusão é de pesquisa feita pela F&S em oito países (Itália, Brasil, Hong Kong, México, EUA, Bélgica, Reino Unido e Chile), apresentada hoje, 18 de janeiro, à imprensa, e com ela concorda a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA). O momento ideal? Segundo a empresa de pesquisa e a associação, depende do balanceamento de uma multiplicidade de fatores que poderiam assegurar a concorrência no mercado de TV paga, ao invés da repetir a situação de monopólio existente na telefonia local, o que estrangularia as operadoras de cabo.

Para assegurar essa concorrência, os dois segmentos deveriam ter um faturamento mais eqüânime. Meta ainda muito distante, assinala a consultoria, já que em 2005 o faturamento das concessionárias de telefonia foi 12,5 maior do que o das operadoras de TV por assinatura, – só menor do que na Itália – 14,5, mas acima dos demais países pesquisados. Vários cenários são possíveis para que isso aconteça, a depender das estratégias adotadas pelas teles.

Estratégias

Por exemplo, se entrarem fazendo dumping (como a PCCW, de Hong Kong), em 2008, as teles teriam 19% do mercado de TV paga; 37% em 2010. Se a opção for pela oferta de triple play (a exemplo da Telecom Italia), a participação de mercado passará a 10% e 19%, em 2008 e 2010, respectivamente. E se a estratégia das teles for a oferta de serviços internet de valor agregado (caminho da British Telecom), as participações seriam de 6% e 13%. A Frost desenhou esses cenários partindo da hipótese de um mercado sem barreiras de entrada.

Se a estratégia for o triple play, em 2010, a razão entre o desempenho dos dois setores poderia cair para 7 vezes. Em caso de dumping, sem dúvida o número de assinantes teria um forte crescimento no curto prazo, mas, em 2010, as concessionárias seriam onze vezes maiores do que as operadoras de cabo (o tamanho é medido em faturamento total).

Pré-condições

“O ponto é a regulamentação”, argumenta Fernando Mousinho, diretor de relações institucionais da ABTA. Para ele, assim como aconteceu em outros países, no Brasil, “a competição precisa ser preservada” com medidas como undbundling, tarifas assimétricas, portabilidade numérica. Annenberg acrescenta que o vácuo regulatório existente (uma regra para cada tecnologia de TV paga) é o que permite “criar fatos consumados” (casos da aquisição da Way Brasil pela Telemar e das iniciativas da Telefônica no DTH e no cabo, com a TVA).

Roberto Baptista, suplente do diretor jurídico da associação, classifica de situação “ideal” para a entrada das teles na área de TV o aumento de penetração do serviço de voz local das operadoras de cabo, além da redução da distância entre o faturamento dos agentes.

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