DVB: royalties transparentes e investimento em P&D


Uma das principais vantagens do padrão de modulação europeu (DVB) para TV digital é o fato de as empresas detentoras das patentes trabalharem com o sistema de royalties aberto e transparente. Os fabricantes de televisores ou dos chips que compõem o conversor de sinais sabem para quais empresas irão pagar pelo uso das patentes, o …

Uma das principais vantagens do padrão de modulação europeu (DVB) para TV digital é o fato de as empresas detentoras das patentes trabalharem com o sistema de royalties aberto e transparente. Os fabricantes de televisores ou dos chips que compõem o conversor de sinais sabem para quais empresas irão pagar pelo uso das patentes, o que facilita e pode até baratear o valor dos produtos. O que não ocorre com os sistemas fechados, nos quais os fabricantes desconhecem os detentores das patentes ou têm que negociar com um número restrito de fornecedores.

Foi o que garantiram hoje, 1º, de manhã, os representantes das empresas européias que integram o consórcio DVB, em reunião com deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. Eles estavam na comitiva de Viviane Reding, Comissária Européia para a Sociedade da Informação e Comunicações, que também falou aos deputados.

“No padrão europeu, o royalty não é duplicado. É pago um royalty por aplicativo. Quando o padrão não é aberto, os fabricantes desconhecem os detentores das patentes", argumentou César Vohringer, vice-presidente executivo da Philips e integrante da comitiva européia.

Viviane Reding e Vohringer ressaltaram que as empresas integrantes do consórcio DVB estariam dispostas a reinvestir os royalties pagos pelos fabricantes nacionais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. “Garantimos o reinvestimento de 100% dos royalties pagos em P&D no Brasil”, afirmou Vohringer. Ele frisou que o sistema DVB conta com a participação de 276 instituições de mais de 30 países. “Todos tem participação nos projetos de evolução do sistema”, garantiu Vohringer.

  

O executivo da Philips informou que as evoluções tecnológicas do DVB são gerenciadas por um comitê de direção, cujos integrantes são eleitos pelas 276 instituições. A União Européia estaria disposta a abrir espaço para o Brasil nesse comitê, mesmo não sendo o país um membro eleito; mas detalhes dessa participação ainda seriam apresentados ao governo brasileiro.

Empregos

Vohringer defendeu, ainda, que o DVB é o que apresenta melhor escala comercial, porque foi adotado em mais de 50 países e tem 150 milhões terminais (TVs e conversores) em atividade. Segundo ele, o tamanho do mercado faz com que o sistema tenha competitividade, o que ajuda a reduzir o valor dos equipamentos. Hoje, já é possível, de acordo com o executivo, encontrar setop boxes na Europa com preço abaixo de 50 euros. O vice-presidente da Philips aposta que, caso o Brasil venha a adotar o DVB, as empresas européias instaladas aqui irão expandir suas plantas industriais, e o número de emprego diretos criados poderá chegar a 20 mil postos.

Viviane Reding, por sua vez, reiterou que o Banco de Investimentos Europeu teria entre 300 milhões e 400 milhões de euros a oferecer em financiamentos aos radiodifusores e empresas brasileiras, para que elas pudessem investir na infra-estrutura de implantação da TV digital no Brasil. “Esses recursos não são para empresas européias investirem aqui ou para joint-ventures, são recursos para investimentos em infra-estrutura no Brasil”, disse.

Reding frisou que não está aqui para dizer ao governo que o DVB é o melhor padrão e que, por isso, o país deve adotá-lo, mas para propor uma parceria. “Nosso modelo é global e pode ser compartilhado por todas as nações”, ressaltou.

Mas tanto ela, quanto Vohringer, se esquivaram de responder, objetivamente, com números e propostas às perguntas dos deputados, especialmente às relacionadas ao pagamento de royalties e a como as inovações brasileiras poderão ser agregadas ao sistema europeu. Além da Philips, também estava presentes, na comitiva européia, o presidente da Nokia do Brasil, Fernando Terni, e executivos das empresas STMicroeletronics (fornecedora de chips para setop boxes), Siemens e Rohde Schwarz.

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