Analistas estimam que mercado brasileiro de celular vai manter ritmo de crescimento


O setor de telefonia móvel deve continuar crescendo em 2012, cada vez mais impulsionado pela expansão dos serviços 3G, que encerraram 2011 com alta de 99%, embora ainda representem menos de um quinto do total de celulares habilitados no país. No ano passado, as operadoras registraram um número recorde de novas habilitações, de 39,3 milhões, fechando o ano com um total de 242,2 milhões linhas de celular, alta de 19% com relação a 2011.

 

“A base de usuários 3G vem dobrando ano a ano. O mercado de celular vai continuar crescendo, e será basicamente pelo crescimento de uso de dados”, afirmou o analista da Goldman Sachs, Lucio Aldworth. O banco de investimentos espera que o setor de telefonia móvel mantenha seu bom nível de crescimento em 2012, com alta de 18%, destacando os planos do governo de conceder incentivos fiscais para a produção local de smartphones e a revitalização da Telebras como fatores de estimulo.

 

Já a consultoria Teleco espera ver um crescimento menos intenso no mercado de telefonia móvel em 2012, com alta de apenas 14%. “Deve haver menos adições líquidas este ano, mesmo com o aumento na concorrência, devido à densidade muito alta de penetração dos serviços de telefonia móvel no país e também à crise externa”, afirmou o presidente da consultoria, Eduardo Tude. Em 2011, o número de celulares por 100 habitantes no país avançou de 104,68 para 123,87, sendo que no ano, 16 estados passaram a ter uma densidade maior que 100 (o Maranhão, com 80,39, é hoje o único estado do país onde ainda há uma penetração de celulares abaixo de 100).

 

Tude, no entanto, também aposta nos serviços de dados como principal fator de crescimento para o setor em 2012, lembrando que o uso da internet através de celulares 3G está bem disseminado no país. “Fizemos um estudo em 5 capitais que mostrou que 79% dos donos de aparelhos 3G acessam a internet pelo celular. Isso está próximo dos números internacionais”, disse.

 

O número de terminais 3G no mercado (que inclui modems) saltou de 20,6 milhões em 2010 para 41,1 milhões ao final do ano passado. Para o analista do Goldman Sachs, o 3G desponta como uma alternativa aos serviços de internet fixa, lembrando que a banda larga móvel já superou a fixa em números de acesso no país. Este número, no entanto, ainda representa apenas 17% da base total de celulares do mercado, razão pela qual Aldworth considera “prematura” a realização do leilão das frequências de 4G pelo governo em março deste ano. “As operadoras estão começando a tirar retorno do 3G só agora. Seria mais economicamente viável deixar o 4G para mais tarde”, disse.

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