Dilma está irritada com lerdeza da banda larga. Quer mais velocidade e qualidade.


Tele.Síntese Análise 342 Há cerca de 15 dias, Dilma Rousseff tratou do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em seu programa semanal de rádio. Disse para seus ouvintes que, em “quase um ano, quase dobrou o número de conexões banda larga fixa e móvel no país”. Mas o que os ouvintes não ouviram, o ministro …

Tele.Síntese Análise 342

Há cerca de 15 dias, Dilma Rousseff tratou do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em seu programa semanal de rádio. Disse para seus ouvintes que, em “quase um ano, quase dobrou o número de conexões banda larga fixa e móvel no país”. Mas o que os ouvintes não ouviram, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, teve de engolir. Na audiência com o ministro, Dilma reclamou muito do PNBL, da pouca qualidade e da baixa velocidade da banda larga brasileira.

Não é sem razão que, no final do programa de rádio, a presidenta ainda disse: “E vamos cobrar das empresas privadas que aumentem os investimentos no país”. A presidenta quer chegar ao final de seu governo com oferta de banda larga acima de 5 Mbps. E não se conforma que o acordo firmado no PNBL pelo MiniCom com as operadoras privadas tenha estabelecido oferta de velocidade mínima de 1 Mbps, com limites de franquia para downloads.

Segundo interlocutores do governo, Dilma teria também ficado contrariada com o baixo desempenho das operadoras (Oi e Telefônica/Vivo) na venda dos planos do PNBL a R$ 35 (com imposto). A Oi, presente praticamente em todo o país, foi a mais questionada. Até a fusão da Telemar com a Brasil Telecom voltou à mesa de discussões da presidenta. O MiniCom ainda não divulgou balanço com o número de usuários de banda larga popular (até R$ 35) das operadoras privadas, mas fontes confirmam que a quantidade de clientes é mesmo muito pequena. O baixo interesse da população pelo serviço não se explica, no entender do governo, uma vez que as operadoras começam a oferecer o banda larga popular em cidades com um importante número de clientes potenciais (classe C).

A Oi tem argumentado ao MiniCom que, na verdade, o cliente não está comprando os pacotes do PNBL porque a empresa oferece planos alternativos mais atrativos – por R$ 5 a mais, por exemplo, a operadora oferece 1Mbps, sem franquia de download. Mas, para se ter uma ideia da distância entre os desejos da presidenta e a oferta das empresas, basta dar uma revisada nos termos de compromissos assinados em junho do ano passado entre as operadoras e o MiniCom.

Eles preveem que os serviços vendidos dentro do PNBL tenham franquias mensais de tráfego de dados, que variam de acordo com cada operadora. Preveem ainda um escalonamento no limite mensal de tráfego, alcançando 1 GB mensal de download até o ano de 2013. A Telefônica, por exemplo, se comprometeu a vender acesso fixo com limite inicial de 300 MB de tráfego de dados por mês. Depois, esse teto aumentaria para 600 MB e para 1 GB. No caso da Oi, a franquia inicial é de 500 MB, ampliada para 1 GB após seis meses.

Para diminuir a distância entre o desejo da chefe do governo e a oferta da iniciativa privada, o Ministério das Comunicações pretende que a desoneração tributária (de equipamentos e redes) amplie significativamente os investimentos das operadoras. E também conta com a entrada em vigor do regulamento de qualidade da Anatel, para melhorar os indicadores da banda larga fixa e móvel. Além disso, vai fazer um estudo mais detalhado sobre as ofertas da Oi pelo Brasil afora.

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