Dilma prevê um longo período de tensão econômica no mundo


Ao lançar o Plano Brasil Maior, que institui a nova política industrial brasileira, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que este 2 de agosto poderá, para todo o mundo, ter um significado especial aqui no Brasil, e também terá um significado especial para o mundo. “Tudo indica que o Congresso americano aprovará hoje um pacote de medidas que amplia a capacidade de endividamento dos Estados Unidos. Isso evitará o pior, mas o mundo viverá um longo período de tensão econômica, resultado dramático da insensatez, da incapacidade política e da supremacia de ambições regionais ou corporativas de alguns países sobre as necessidades globais”, ressaltou.

Dilma destacou que  vivemos um período de turbulência, em que o excesso de liquidez imposto pelos países ricos em direção aos países emergentes resulta em opressivo desequilíbrio cambial. “A insensatez pode ter sido evitada, mas a instabilidade produzida lá fora vai continuar”, assinalou.

“O Brasil tem condições de enfrentar esta crise prolongada, mas não pode se declarar imune a seus efeitos. Temos hoje 60% mais reservas do que tínhamos em 2008, quando a primeira fase da crise atingiu o mundo. Fomos, naquela época, o primeiro país a superar aquele período difícil, e temos condições de fazê-lo de novo, resistindo de forma sistemática. Mas, assim como em 2008, o momento hoje exige coragem e ousadia. Como naquela ocasião, é preciso proteger a nossa economia, as nossas forças produtivas, o nosso mercado consumidor, o nosso emprego”, destacou a presidente.

Segundo Dilma, hoje, mais do que nunca, é imperativo defender a indústria brasileira e os empregos gerados no país da concorrência desleal, da guerra cambial, “que reduz nossas exportações e, mais grave ainda, tenta reduzir o nosso mercado interno, que construímos com grande esforço e com muita dedicação. É urgente garantirmos condições tributárias e de financiamento adequadas ao estímulo dos investimentos produtivos e à geração de emprego”, sustentou.

A presidente garantiu o seu apoio aos industriais brasileiros e os trabalhadores. “A indústria nacional tem em mim uma aliada, uma parceira consciente das dificuldades, mas também das potencialidades do nosso setor produtivo. Se nós não concebemos o nosso desenvolvimento sem inclusão social, também não concebemos o nosso desenvolvimento sem a indústria, sem uma indústria forte, inovadora e competitiva. Nós não acreditamos que o desenvolvimento possa abrir mão da indústria e se dedicar prioritariamente a construir uma economia de serviços. Não! Nós queremos a nossa indústria sólida, geradora de renda e de emprego”, enfatizou.

Conselho

Antes do lançamento do plano, a presidente Dilma Rousseff assinou decreto nomeando 14 novos representantes das sociedade civil para compor o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que será o nível de superior de aconselhamento institucional do Plano Brasil Maior.

O conselho é formado ainda por 13 ministros, incluindo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinha, nomeados em 2004, ano de criação do CNDI.

Entre os novos conselheiros, estão empresários de diversos setores da indústria, sindicalistas e presidentes de entidades de classe. Ao lado dos representantes do poder público, eles terão, entre suas atribuições, traçar as orientações estratégicas gerais e subsidiar as atividades do sistema de gestão da política industrial. O mandato será de dois anos.

O sistema de operação da política industrial para os anos de 2011 a 2014 terá. como base. os Conselhos de Competitividade Setorial, que são instâncias de diálogo público-privado, e os Comitês Executivos Setoriais correspondentes. Estas instâncias têm como atribuição a formulação e a implementação de uma agenda de trabalho setorial, que será levada às instâncias superiores da estrutura de gestão.

Veja os novos representantes da sociedade civil no CNDI:
• Robson Braga de Andrade
• Jorge Gerdau Johannpeter
• Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues
• Frederico Fleury Curado
• Décio da Silva
• Josué Christiano Gomes da Silva
• Luiz Roberto Ortiz Nascimento
• Paulo Fernandes Tigre
• Marcelo Bahia Odebrecht
• José Luis Cutrale
• Daniel Feffer
• Hélio Bruck Rotenberg
• Artur Henrique da Silva Santos
• Otávio Marques de Azevedo

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