Desenvolvimento de software e aplicações móveis, no foco da Brisa.


{mosimage}Depois de um crescimento de quase 50% em 2008, que elevou seu faturamento para R$ 25 milhões, a Brisa se prepara para um ano “muito difícil” na economia, em 2009, em razão da crise econômica mundial. Com 20 anos no mercado, a associação tem focado seus negócios em projetos de P&D, particularmente no desenvolvimento de software para celulares, nos testes de software, e em projetos relacionados a governo eletrônico. “Estamos percebendo aumento da demanda de software também para outros tipos de equipamentos eletrônicos”, diz seu presidente, Paulo Toledo. No segmento de governo, ele aposta em investimentos em aplicações de mobilidade, que transformem o celular numa ferramenta de interface com o cidadão.

Depois de um crescimento de quase 50% em 2008, que elevou seu faturamento para R$ 25 milhões, a Brisa se prepara para um ano “muito difícil” na economia, em 2009, em razão da crise econômica mundial. “O problema é que ninguém sabe exatamente o tamanho dessa crise”, avalia o presidente da organização, Paulo Toledo. Com 20 anos no mercado, a associação tem focado seus negócios em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, particularmente no desenvolvimento de software para celulares e nos testes de software, e em projetos relacionados a governo eletrônico. Essa atuação poderá  garantir à organização um crescimento de 10% neste ano, na previsão de seu presidente. “Estamos percebendo aumento da demanda de software também para outros tipos de equipamentos eletrônicos”, diz Toledo, nesta entrevista ao Tele.Síntese. No segmento de governo, ele aposta em investimentos em  aplicações de mobilidade, que transformem o celular numa ferramenta de interface com o cidadão.

Tele.Síntese – Quando foi criada, há 20 anos, a BRISA era uma associação que funcionava como uma consultoria na divulgação de padrões internacionais no Brasil. O que mudou nessas duas décadas na trajetória da organização e como o senhor define a Brisa hoje?
Paulo Toledo –
A Brisa nasceu como uma associação e continua sendo uma associação. O que mudou foi o mercado. No começo da história da Brisa, no final da década de 80, o Brasil era um país de mercado fechado, lei de informática, muitas soluções caseiras e o papel que os associados designaram naquele momento era de fomentar o uso de padrões internacionais dentro do país. Então, esse foi o foco inicial. Em 1990, o governo Collor abriu o mercado de informática e isso fez uma revolução aqui dentro. A necessidade das empresas associadas da Brisa se modificou completamente e a encomenda que tivemos naquela época foi de parar de focar no longo prazo – o efeito do padrão internacional é aquele de tendência, de convergência lá na frente – e passar a atuar em ações de prazo mais curto. No início, treinamento foi primeira atividade que sobressaiu e, em seguida, a área de consultoria e projetos ganhou essa dimensão bem grande. De 90 para cá, outra mudança que houve foi nossa entrada em Pesquisa e Desenvolvimento, uma área com um potencial muito grande, e os associados direcionaram a Brisa para dar ênfase também em P&D. Então, a Brisa continua sendo uma associação mas como foco, agora, no desenvolvimento de projetos, de software, de consultoria.

Tele.Síntese – Como a empresa está estruturada para prestar serviços de consultoria e os desenvolvimentos em software. Trabalha por verticais?
Toledo –
Do ponto de vista de relacionamento com os clientes temos verticais. Temos a vertical de teste de software, uma de desenvolvimento de software, uma de consultoria de governo eletrônico, uma de consultoria para utilities e bancos, e uma vertical de projetos especiais, que é a colocação no mercado de tecnologias desenvolvidas aqui dentro. Do ponto de vista de execução de projeto, não. A estrutura neste caso é por especialização. Temos equipes especializadas em determinados tipos de tecnologia – de celular, de desenvolvimento específico – mas os grupos de desenvolvimento são comuns a todas as verticais.

Tele.Síntese – Qual é o tamanho da Brisa, hoje, tanto em número de funcionários quanto em faturamento?
Toledo –
A Brisa tem 190 funcionários e fechou 2008 com um faturamento de R$ 25 milhões, um acréscimo de 49,7% em relação a 2007.

Tele.Síntese – Qual a vertical que mais contribuiu para o crescimento da receita?
Toledo –
A maior parte dos projetos da BRISA vem de P&D. Estamos desenvolvendo software básico para celulares, metodologias de testes de software tanto para celulares, quanto para computadores e outros tipos de equipamentos; desenvolvemos sistemas de rastreamento e de automação de fluxo de documentos para impressoras. Mesmo quando a gente faz consultoria para governo eletrônico, uma área grande na BRISA, a maior parte é criando coisas novas.

Tele.Síntese – Esses desenvolvimentos são feitos sob demanda ou vocês também trabalham com tendências e desenvolvem novos produtos para depois ofertar no mercado?
Toledo –
O posicionamento Brisa é de focar em pesquisa e desenvolvimento aplicado. Não temos uma linha de pesquisa básica. A organização atua sob demanda, conversamos com as empresas, identificamos as necessidades e focalizamos na resolução de necessidades. Na maioria dos casos, com bastante sucesso.

Tele.Síntese – Qual será a demanda do mercado para este ano. É possível ter uma previsão com o cenário de crise?
Toledo –
Temos um planejamento, embora ninguém saiba ainda o tamanho da crise. A área que está crescendo mais rápido dentro da BRISA é a parte de teste de software – o grosso é para celular, no sentido de se evitar recall. Cada celular tem um software novo, é incrível, diferente do computador, que tem o mesmo software. Estamos percebendo aumento da demanda de software também para outros tipos de equipamentos eletrônicos, sempre com o objetivo de evitar o recall, que gera insatisfação do usuário, prejuízo para a marca e um custo muito alto para consertar. Essa é uma área de crescimento mesmo durante a crise. Na área de desenvolvimento de software para celulares a gente vai continuar  estável. O mercado de celular deve sofrer com a crise, os números indicam redução de até 20% nas vendas, mas isso não quer dizer que a competição será menor, pelo contrário, será maior. Então, esperamos que o número de lançamentos, que é onde atuamos, seja no mínimo mantido e possivelmente expandido. Estamos vendo com bons olhos o crescimento desse mercado apesar da crise.

Tele.Síntese – Seus clientes na área de desenvolvimento são basicamente os fabricantes de celulares?
Toledo –
Sim. Atendemos a LG, que é nosso maior cliente e para quem fazemos desenvolvimento não só para a unidade brasileira mas para todas as Américas. Atendemos também HTC e outros fabricantes de aparelhos móveis. Fora de celular, estamos fazendo para a Lexmark o embedded software das impressoras para Brasil e alguns outros países da América Latina; o desenvolvimento dos softwares que vão dentro dos rastreadores da Quanta Tecnologia; e em testes de software, fazemos também os testes que vão dentro dos computadores da Positivo.

Tele.Síntese – No planejamento da empresa, qual a expansão prevista para a área de consultoria a governo eletrônico?
Toledo –
A gente acredita que a linha de consultoria para governo eletrônico vai se expandir neste ano, por várias razões. Primeiro, porque os governos estão muito atrasados em relação a implementação de governo eletrônico – e refiro-me as três instâncias, o federal, os estaduais e os municipais. Mais do que isso, a gente acredita que nas ações de estímulo ao mercado os governos, provavelmente, vão expandir investimentos, apesar da crise, por isso, estamos vendo com otimismo essa área para 2009.

Tele.Síntese – Qual a sua avaliação do e-gov no país? A minha impressão é que começou bem, teve avanços, mas as ações, particularmente voltadas para a web, ficaram estagnadas. Como o senhor vê essa questão, acredita numa retomada e em mais investimentos, particularmente, na área de aplicações e  usando como meio a telefonia móvel?
Toledo –
Eu compartilho com essa visão. A gente teve uma época que era prioridade, até moda, um avanço rápido e, de 2003 para cá, não apenas o governo federal mas no geral, o e-gov perdeu prioridade e houve uma estagnação. E estagnou num estágio em que muitas funções de recebimento, de recolhimento de impostos, estavam automatizadas. A prestação de serviços já não avançou, muitas vezes tem apenas a informação estática no site e não se consegue obter serviço nenhum, como agendar uma consulta médica, fazer matrícula numa escola. Agora, eu acho que os investimentos tendem a ir mais para aplicações de mobilidade do que aplicações de internet em 2009. A nossa aposta é nisso, usar o telefone como ferramenta de interface com o cidadão, por uma razão simples: são 150 milhões de  telefones móveis no Brasil contra com pouco mais de 20 milhões de computadores… e muitos serviços podem ser dados por via oral.

Tele.Síntese – Em relação ao desenvolvimento de aplicações sociais, como estão os avanços nas diversas instâncias de governo?
Toledo –
No governo federal, a impressão que eu tenho é que isso não é prioridade – estas estão em outras políticas como telecentros. Já estados e municípios estão meio perdidos nessa questão. Uma das oportunidades de negócios que identificamos é como ajudá-los a organizar uma ação para isso. Na nossa visão, as áreas que serão priorizadas pelos estados são saúde, educação e segurança. Na prática, temos vários projetos já implementados. Em comunicação por voz, por exemplo, criamos na prefeitura de São Paulo o projeto Comunique-se. Como isso funciona? Toda decisão da prefeitura vai parar no Diário Oficial, que o cidadão não lê… Com o projeto Comunique-se, o sistema chama o cidadão e avisa se o pedido foi deferido, indeferido ou se há pendências e isso pode ser feito pelo celular, ou pelo fixo. Ainda na prefeitura de São Paulo temos um piloto na área da saúde para a remarcação de consultas e exames (…). Outra atividade que tem sido demandada por prefeituras e estados é para se criar um portal interativo. A maior parte dos portais não tem um serviço automatizado. A implementação mais recente foi para a prefeitura de São José do Rio Preto, mas já fizemos para Sorocaba, para a cidade de São Paulo e para o estado de Minas Gerais.

Tele.Síntese – Como funcionam esses portais interativos, quais as melhorias para os cidadãos?
Toledo –
A abordagem que a Brisa deu compreende dois aspectos principais: o primeiro é de linguagem, o cidadão não conhece como a administração está estruturada, portanto, não sabe nem como procurar pelo serviço. Então, a primeira facilidade desse portal é de comunicação – esta tem que ser muito fácil para o cidadão – então adotamos uma metodologia chamada linha e eventos da vida. O mapeamento da informação não é feito por estrutura, mas por categorias de cidadão (pessoas, empresas, funcionários públicos) e nessas categorias você estrutura e organiza o serviço de maneira mais ou menos intuitiva de se encontrar a necessidade e não o órgão, além, evidentemente, de usar ferramentas de busca automatizada para agilizar esse processo. O segundo conceito é de roteamento. Se concentrarmos tudo o que um governo faz num único site, ele terá uma complexidade desnecessária. Ao mesmo tempo, cada secretaria cuida do seu serviço e o portal principal é um roteador, que encontra aonde está aquela informação na prefeitura, ou no estado. É um conceito de fila única, ponto único de contato. Pelo roteamento também há conexão com os call centers da administração e outras formas de comunicação adotadas.
Agora, estamos discutindo com alguns municípios – há um volume grande de prefeitos que assumiram e estamos falando de grandes prefeituras, que assumiram e estão de plantão, sem dormir, com a matrícula escolar. Se imaginarmos uma cidade grande, com 450 mil estudantes, você tem, na verdade, 40 mil movimentações de matrículas, já que 350 mil já estavam matriculados e só mudam de ano, uma minoria muda de escola, então, é cadastrar os alunos novos e gerenciar os poucos casos de mudança de região, mas, isto com automação. Como a automação não foi feita no sistema de ensino desses municípios as mães vão para a porta da escola. E automatizar um serviço desses é muito simples.

Tele.Síntese – Como avalia os efeitos da crise no mercado brasileiro, particularmente em TI e telecomunicações?
Toledo –
Penso que teremos um ano duríssimo e todos os setores serão muito afetados, a começar por quem depende muito de crédito, porque o crédito acabou e o governo não terá muitas condições de suprir isso, apesar de toda a boa iniciativa de estar tentando irrigar o mercado com crédito, não conseguirá suprir o crédito que vinha de fora. Na minha avaliação, alguns segmentos como o de computadores sofrerão queda maior do que o segmento de celulares. A razão é simples: o celular dura quatro anos e tem uma base de 150 milhões de aparelhos que a cada quatro anos tem que renovar, então, a reposição dessa base sustenta o mercado de celulares melhor do que o de computadores. Neste, as empresas conseguem empurrar para o ano que vem a renovação de seu parque, inclusive porque o computador resiste mais que o celular. Investimentos em expansão de infraestrutura vão dar uma estancada forte e isso tanto nas operadoras quanto no mercado corporativo, as empresas serão mais seletivas, fazendo o emergencial e deixando o planejamento de melhorias para mais tarde. Todo mundo está muito assustado porque não sabe ainda o tamanho da crise.

Tele.Síntese – Mesmo com esse cenário, você acredita no crescimento da Brisa?
Toledo –
Nosso planejamento é crescer 10%, porque estamos focando muito essa parte de celulares, de testes de software, e e-gov, porque a gente imagina que é por onde o governo vai tentar injetar alguma compensação à retração da economia . Acreditamos por isso num crescimento de 10%, mas será um grande desafio.

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