Desempenho 2012: Indústria de telecom se descola do PIB e tem crescimento em 2012.


O fraco desempenho da economia brasileira em 2012 decepcionou a indústria, que esperava um ano com crescimento maior do PIB, que deve ficar em 1%, conforme projeção divulgada ontem (20). No entanto, o ano não foi ruim para a indústria fornecedora do setor de telecomunicações. “O nosso setor continua descolado do PIB e estamos trabalhando com um crescimento de 6% a 8%; nesse sentido, o ano foi melhor do que poderia ser”, avalia Rodrigo Abreu, presidente da Cisco, ao analisar o setor como um todo (tecnologia, serviços e comunicações).

Na área de infraestrutura de redes (fixas e móveis) – o segmento que mais recebe recursos das operadoras (de 55% a 60% do Capex) –, a previsão do diretor da Abinee, Aluizio Byrro, é de que o crescimento atinja dois dígitos. “O segundo semestre deste ano está sendo bem melhor na comparação com igual período de 2011”, comenta Byrro, informando que o investimento das operadoras acumulado até o terceiro trimestre chegou a quase R$ 17 bilhões – em 2011, foi em torno de R$ 22 bilhões. “O quarto trimestre deste ano também está mais forte, com investimentos para a cobertura nas redes de 2,5G e nas redes 3G. “Certamente este ano será melhor que 2011, em relação ao Capex das operadoras”, acrescenta Byrro.

Com foco em toda a infraestrutura IP, tanto no core, como no acesso e na mobilidade em dados, a Cisco é um bom exemplo do que o diretor da Abinee considerou um semestre bom. A empresa registrou em seu primeiro trimestre fiscal, encerrado em outubro, um crescimento recorde globalmente e, no Brasil, um aumento de 24%. “Dado que é uma operação grande, é um crescimento significativo, e certamente nisso está o investimento em infraestrutura”, comenta Abreu.

De acordo com Byrro, os investimentos das teles estão na banda larga fixa e nas redes móveis (nas plataformas 2,5G e 3G) e há casos pontuais, como o da Telefônica, investindo bastante em FTTH. “No decorrer deste ano, observamos que uma série de projetos, que tinha ficado represada no ano passado, começou a sair do papel”, aponta o presidente da Cisco, citando projetos ligados à LTE, à infraestrutura, à mobilidade e ao WiFi. “As operadoras voltaram a fazer um investimento razoável, tinham necessidade de se preparar para 4G, têm algumas obrigações de cobertura (estabelecidas no leilão da 3G), e isso acabou se refletindo num cenário de infraestrutura bastante interessante para o mercado de maneira geral”, analisa Abreu.

Para 2013, o mercado acredita que esse panorama continua e os negócios tendem a crescer com os investimentos em LTE, cujos contratos foram fechados este ano. “As operadoras vão continuar investindo em redes fixas e especialmente em redes ópticas, porque será necessário fazer investimento em toda a rede, não adianta fazer só acesso da rede móvel. Tem que fazer os backbones, senão não conseguem desafogar o tráfego que já está congestionado”, acredita Byrro. Já Rodrigo Abreu destaca que, em acesso, uma das áreas que pode ter crescimento ainda maior em 2013 é a de WiFi, para os clientes fazerem upload e também para a prestação de serviços pelas operadoras.

A indústria aposta também em mais investimentos nos serviços de vídeo, em áreas relacionadas à TV por assinatura, set top boxes, sistemas de softwares e vídeo sob demanda. “A tendência é de novas ofertas de vídeo ligadas a múltiplas telas, seja computador, celular, tablet ou o próprio set top box para TV. Este ano, a gente viu uma grande movimentação na criação de uma infraestrutura mista de cabo com fibra, que permite prover não só vídeo mas também vídeo banda larga”, conta Abreu.

Para 2013, as projeções são de crescimento de 5% para o segmento de telecomunicações, enquanto a expansão do PIB deve ficar em 3,5%. Além dos investimentos em LTE, os fornecedores esperam alavancar seus negócios com os investimentos na infraestrutura para os grande eventos esportivos.

Uma das empresas que já começou a colher frutos com os preparativos para os eventos é a Motorola Solutions. De acordo com o presidente da unidade brasileira, Paulo Cunha, globalmente a companhia cresceu 10% e, no Brasil, os resultados foram positivamente impactados pelos contratos com arenas, já em fase de implementação. “Como nosso negócio está relacionado a infraestrutura, estamos bastante otimistas com 2013, porque os projetos vão se consolidando e entraremos na fase de entrega”, diz Cunha.

Outra que contabiliza bons resultados com os grandes eventos é a Juniper. “A Copa das Confederações já está gerando negócios dentro da área de LTE”, informa Carlos Brito, vice-presidente da Juniper para América Latina para Provedores de Serviços. A empresa oferece soluções de segurança na rede e, como o LTE é sobre IP, os investimentos em segurança são reforçados. “Como a plataforma é aberta, fica mais fácil para um hacker entrar em qualquer sistema pela interface aérea do celular. O que a gente está colocando é parte do Security Gateway”, explica Brito.

Este ano, o desempenho da Ericsson na região foi dentro do esperado, de acordo com o vice-presidente Lourenço Coelho: “O LTE demorou um pouco mais, porém, será substancial no resultado em 2013”, diz o executivo. “Fechamos muitos contratos este ano, mas, a partir do momento em que os contratos são negociados, leva tempo para fazer projeto, a engenharia, o planejamento e esse tempo natural acabou postergando parte do LTE para o ano que vem”, explica.

Produção local

Estimuladas pelas políticas públicas voltadas a incentivar a tecnologia nacional e a produção local, muitas multinacionais fizeram investimentos no país no decorrer de 2012. Para cumprir as obrigações e fornecer na LTE, Alcatel-Lucent e Nokia Siemens Network retomaram a produção local, e a Huawei anunciou um centro de distribuição em Sorocaba.

A Ericsson, que manteve sua planta no país, já havia ampliado a capacidade de produção no ano anterior. Mais recentemente, a Motorola Solutions iniciou a produção local de rádios bidirecionais. Os equipamentos, com 13 diferentes modelos, estão sendo fabricados pela Sanmina, parceiro fabril da empresa no Brasil.

“Começamos a fazer investimentos em 2011, este ano iniciamos a produção local e vamos continuar aportando recursos em P&D, em 2013, em consequência até das obrigações que temos com o incentivo da produção local”, diz o chairman da Nokia Siemens, Aluizio Byrro. Segundo ele, a empresa teve na América Latina um crescimento um pouco maior que o faturamento do ano passado, que ficou  próximo de 1,8 bilhão de euros na região.

Byrro lembra que a Nokia Siemens mudou seu foco estratégico e está mais concentrada em banda larga móvel, em serviço de valor agregado. “O ano de 2012 foi bastante desafiador em função da mudança de foco estratégico e da forte redução de custos que tivemos que fazer. Mas vejo 2013 como o grande ano de virada da Nokia Siemens”, afirma.

Também a Alcatel-Lucent, que conseguiu retornar ao mercado de infraestrutura de telefonia móvel, ao vencer contrato na Oi para fornecer acesso para as redes de 4G, teve de investir em produção local.O investimento, neste ano de 2012, foi pequeno, na casa dos R$ 10 milhões – a maior parte concentrada em treinamento. Seus equipamentos serão produzidos por um parceiro, no modelo O&M, em fase final de definição.

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