Desde a privatização, Oi já teve nove presidentes


A Oi é o resultado de um conglomerado de sócios com interesses distintos, o que não seria muito diferente de qualquer outra atividade mercantil. Mas o drama da Oi,  a concessionária que está geograficamente em quase todo o território brasileiro, é que as disputas dos sócios são tão grandes que afetam diretamente seus principais executivos, que não conseguem imprimir o ritmo que desejam para a companhia e acabam saindo antes do previsto.

Tudo parecia que ia mudar e  que iria dar certo com a Portugal Telecom assumindo a maioria das ações da operação brasileira. A PT e seu principal executivo – Zeinal Bava – vinham credenciados com o desempenho da boa operação e do bem-sucedido investimento em Portugal e com a desenvoltura com que Bava circulava pelos principais centros financeiros e decisórios europeus, indicado diversas vezes como um dos executivos mais brilhantes de lá.

Pois o desfalque da família Espírito Santo sobre a operação portuguesa de quase um bilhão de euros fez desmoronar o castelo de cartas. De um dia para o outro, a imprensa portuguesa e brasileira passaram a informar também  sobre sérios problemas com as  operações africanas da PT , e sobre as relações pouco republicanas dos controladores da PT e os governantes portugueses.

Bava mantinha-se na Oi durante o  furacão com o apoio dos dois controladores privados – Andrade Gutierrez e La Fonte, e também com os bons olhos do BNDES – credenciando-se  como aquele que iria concluir o processo de gestão para o novo mercado.

Mas 10 entre 10 analistas não viam vida longa para o executivo, e as apostas eram de que ele só iria ficar no máximo até março de 2015, quando seria concluído o processo do novo mercado.

Está prestes para ser divulgada a auditoria interna – e independente- feita pela Portugal Telecom a pedido da Oi, que irá apontar quais foram os executivos responsáveis por deixar que sacassem tamanha quantia da operadora portuguesa – sacassem e não pagassem.

É praxe de um dos controladores da Oi demitir seus presidentes por notinha na Veja, como ocorreu neste final de semana com Zeinal Bava. Mesmo que o executivo não saia esta semana, como afirma a revista, internamente, o clima na Oi  não é bom. Os demais dirigentes não se entendem com Bava, que está cada vez mais arredio.

Com a saída dele, serão nove os presidentes que passaram pela Oi em 16 anos, desde a privatização, em julho de 1998. Isto dá uma média de um presidente novo  a cada dois anos. Não há empresa que aguente.

Só para citar um caso simples: nos últimos quatro presidentes, – Eduardo Falco, Francisco Valim, José Mauro (ficou alguns meses, aguardado vinda de Bava) e Zeinal Bava, a Oi mudou três vezes de estratégia para o celular. Com Falco, a prioridade máxima era o pré-pago (quando conseguiu o desbloqueio dos aparelhos) e aposta no crescimento de mercado sem conta. Com Valim, a visão da empresa mudava completamente, e a melhor proposta  era o pós-pago e a conta dos clientes ricos. Bava assume e muda novamente a direção, resgatando o pré-pago como a melhor saída para um país populoso e com baixa renda. E o resultado de tanta mudança de posicionamento, ao sabor do CEO do momento, é que a Oi continua patinando em quarto lugar no celular. A principal fonte de renda da empresa é a única coisa que não tem futuro: a telefonia fixa.

Também já presidiram a  Oi Geraldo Araújo, Manoel Horácio, José Pauletti e Ronaldo Iabrudi, que deixaram a companhia por razões distintas. Além de seus problemas internos, a Telemar teve que enfrentar ainda a fusão com a Brasil Telecom. Neste caso, embora os sócios se detestassem com todas as suas forças, o acordo de acionistas permitia que só um mandasse – e naquele caso era o banco Opportunity (que falava em nome do Citybank). A BrT teve três presidentes até ser vendida: Henrique Neves, Carla Cico e Ricardo K.

Enquanto isto, os concorrentes diretos da OI – os grupos Telefônica e América Móvil – já estão em franco processo de consolidação de suas empresas – ampliando os ganhos de escala e de escopo.  A super tele brasileira precisa ainda se encontrar.

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