Depreciação do Real tem impacto sobre resultados do Grupo Telefónica


Receita da unidade brasileira caiu 15,5% em 2018, comparado a 2017, em função da conversão cambial para registro no balanço da holding espanhola. Sem influência cambial, receitas brasileiras teriam crescido 0,3%, enquanto as vendas do grupo como um todo, 2,4%.

O grupo espanhol Telefónica, dono da Telefonica Vivo no Brasil, divulgou hoje, 21, seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2018. A empresa teve retração de 1,9% na receita reportada em relação ao mesmo período de 2017, e somou € 12,9 bilhões. O OIBDA (lucro operacional antes de impostos, amortizações e depreciações) ficou 9,6% mais baixo, atingindo € 3,5 bilhões. O lucro líquido reportado foi de € 610 milhões (-12%).

Para todo o ano de 2018, houve queda de 6,4%, para € 48,7 bilhões, na receita reportada, comparada ao ano de 2017. O OIBDA ficou em € 15,5 bilhões (-3,8%). O lucro líquido reportado, em compensação, aumentou 6,4%, para € 3,33 bilhões. O grupo também informa que reduziu o endividamento líquido em 5,5%, para € 41,78 bilhões.

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Os resultados tiveram forte impacto da desvalorização de moedas em países onde a Telefónica está presente. A empresa diz que as maiores exposições aconteceram no Brasil e na Argentina, com a conversão para Euros jogando o resultado da holding para baixo, em relação ao ano anterior. Não fosse o impacto cambial, o grupo Telefónica teria crescido 3% no trimestre e 2,4% no ano em receitas. O OIBDA teria aumentado 2,4% no trimestre e 3,5% no ano.

Os resultados do Brasil tiveram uma retração de 8,2 p.p. com a conversão para Euros, enquanto os da Argentina, de 9,3 p.p. O impacto negativo sobre o OIBDA do câmbio foi de € 1,55 bilhão. Convertida, a receita brasileira ficou em € 10,12 bilhões, 15,8% menor que em 2017. Sem a influência cambial, teria crescido 0,3%. A depreciação do Real frente o Euro, entre 2017 e 2018, ficou pouco acima de 19%.

A unidade brasileira representou 21% das receitas do grupo em 2018. É a segunda maior operação, atrás apenas da Espanha, que representou 26% das vendas do grupo. A holding tem unidades ainda na América Latina (Norte e Sul), Reino Unido e Alemanha.

O Capex da holding no ano somou € 8,11 bilhões. A maior parcela foi gasta no Brasil (€ 1,9 bilhão). Depois veio Espanha (€ 1,7 bilhão), Reino Unido (€ 1,4 bilhão), Sul da América Latina (€ 1,1 bilhão), Alemanha (€ 966 milhões), América Latina Norte (€ 668 milhões). A Telxius consumiu € 181 milhões e outros aportes somaram € 274 milhões.

Previsão para 2019

Para este ano que se inicia, a Telefónica prevê aumento orgânico (sem considerar as variações cambiais) de 2% nas receitas. O OIBDA vai crescer também 2%. E o Capex será equivalente a 15% das receitas – um pouco menor, portanto, que o índice de 2018, que ficou em cerca de 16,6%.

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