Depois da mobilidade, Embrapa Informática investe em IoT


Além de uma série de aplicativos para a agropecuária, tanto para o pequeno quanto para o grande produtor, a Embrapa oferece uma plataforma de APIs para desenvolvedores. Agora, começa a trabalhar com novas tecnologias disruptivas.

Arthur Passos Fotografia
Arthur Passos Fotografia

A mudança de hábitos do homem do campo fez mudar também a Embrapa, o principal centro de pesquisa agropecuária no país. Afinal, não poderia continuar com a oferta de informações em sistemas centralizados já que, segundo levantamento da Associação Brasileira de Marketing Rural realizado no ano passado, sete em cada dez produtores rurais acessam a internet por celular e, destes, 79% navegam pela rede diariamente.

Mais ainda: a pesquisa aponta que 70% dos que usam a internet buscam informações na rede antes de realizar suas compras de equipamentos e defensivos agrícolas. E boa parte deles visita sites de fornecedores para se informar. Outro dado relevante. O produtor rural é adepto do WhatsApp. 97% usam o aplicativo de troca de mensagem e, deste contingente, 95% participam de grupos de família e amigos e 41% de grupos para trabalho.

Ao perceber a tendência, há quatro anos, a Embrapa Informática Agropecuária, uma das 42 unidades da Embrapa, responsável por prover as soluções para a agropecuária aplicando as técnicas e ferramentas computacionais, focou-se no desenvolvimento de aplicativos para celulares, a partir das demandas identificadas pelas demais unidades. O resultado, disse Silvia Maria Massruhá, chefe geral da Embrapa Informática em palestra de abertura do Agrotic Gado de Corte, realizado no dia 24 de maio pela Momento Editorial, em Cuiabá, são apps agrupadas em quatro segmentos: mudanças de clima, políticas para agricultura, acesso à informação e meio ambiente.

Embora os apps estejam disponíveis para smartphones, alguns deles, na área de clima, por exemplo, podem ser baixados em formato texto por celulares com poucos recursos, explica Silvia, já que em algumas áreas do país esses modelos ainda são usados. “Temos aplicativos para a agricultura familiar e para as grandes propriedades”, esclareceu.

Além do desenvolvimento de apps, a Embrapa Informática, que já tem mais de 30 anos de investimento em agroinformática e bioinformática, desenvolveu também, em conjunto com uma série de parceiros de informação, uma plataforma de APIs, a AgroAPI, para ser usada por desenvolvedores de apps, que pagam pela utilização dos recursos de máquina. Por trás da plataforma estão as poderosas bases de dados da Embrapa – de clima, de solo, de cultivares etc. -, enriquecidas com as informações colocadas à disposição pelos parceiros.

Tecnologias disruptivas

De acordo com Silvia, o desafio agora é a terceira onda da conectividade, onde tem lugar a Internet das Coisas (IoT), e as novas tecnologias disruptivas, como Inteligência Artificial, Machine Learning, enfim, a computação cognitiva. “Isso vai demandar sistemas mais complexos, pesquisa complexa, transdisciplinariedade e multifuncionalidade”, comentou.

E essas tecnologias, em sua opinião, são ferramentas importantes para se atingir alguns dos 17 objetivos traçados pela ONU para o Desenvolvimento Sustentável em 2030, dos quais destaca produção de alimentos e preservação do meio ambiente.

Para acelerar o conhecimento e a adoção da IoT no ambiente do campo, a Embrapa Informática criou, em 2017, o sitIot (junção das palavras sítio e IoT) para estabelecer um ambiente colaborativo onde pudesse ser um agente facilitador e um fomentador do ecossistema da agricultura digital, relatou Silvia.

O sitIoT é um ambiente baseado em um modelo de inovação aberta, para que empresas e startups que tiverem interesse possam testar suas tecnologias, sejam sensores, equipamentos, softwares, dados e modelos. Por outro lado, os dados e informações gerados neste ambiente podem ser compartilhados entre os parceiros e utilizados na pesquisa agropecuária.

Já com jovens empresas e start ups como parceiras, a Embrapa Informática tem outras iniciativas para alavancar o empreendedorismo. Segundo a Associação Brasileira de Start Ups, existiam, no início de 2018, 70 start ups no mercado de agro, metade no estado de São Paulo com foco em grãos e cana de açúcar. Para ampliar esse número e trazer novos empreendedores para a agroindústria, a Embrapa Informática tem participado de várias chamadas a start ups em conjunto com empresas ou entidades e é co-promotora do evento Agro Conecta que fará parte do Inova Campinas 2018, em outubro.

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