Demanda por fibra aumenta mais de 50% e mercado tem novos competidores


Depois de um 2009 de retração, com queda de 20%, o mercado de cabos ópticos voltou a crescer em 2010, superando o patamar de 2008. No ano passado, o mercado brasileiro foi da ordem de 2 milhões de quilômetros de fibra óptica e, para este ano, de acordo com os principais fornecedores, deverá atingir a marca entre 3 milhões/km e 3,5 milhões/km de fibra, um pico que não deve se manter nos próximos anos.

“A partir de 2012, ele sofrerá uma pequena inflexão para 2,8 milhões a 3 milhões/km de fibra e, a partir daí, seguindo a tendência do mercado norte-americano, deverá crescer a taxas de 10% ao ano”, diz Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa.

Sergio Ragusa, diretor presidente da Telcon, também fornecedora de cabos ópticos e metálicos, vê um ano de boom, registrando que, em 2010, a empresa já cresceu acima do planejamento. “Vamos chegar certamente a 3,3 milhões de quilômetros de fibra, senão a 3,5 milhões”, diz ele, que torce para que este volume represente um novo patamar de demanda do mercado e não um pico. “Temos elementos como o avanço da renda e o hábito de consumo de serviços, incluindo os de vídeo, que podem manter esse patamar. A partir daí vamos crescer no ritmo do mercado internacional”, avalia.

O que está puxando a forte demanda deste ano são os investimentos em banda larga e infraestrutura de transmissão para suportar o crescimento do tráfego de dados das celulares, no caso das operadoras de telecom, e a expansão das redes elétricas, no caso das concessionárias de energia. Sem falar em prestadores de serviços de menor porte, como os provedores de internet e os prestadores de serviços especializados. Também o mercado representado pelo segmento empresarial está aquecido, com forte expansão das redes locais e dos investimentos em data center. Só o mercado residencial não acompanha esse boom.

Ao contrário do que ocorreu em 2001, com a bolha de investimentos na internet, quando as operadoras foram obrigadas a importar fibras para manter o ritmo de instalação das redes, a indústria de cabos ópticos instalada no Brasil diz que tem capacidade para atender à demanda. “Houve alguma dificuldade no final do ano, mas com a volta do planejamento de médio prazo, não teremos dificuldade em cumprir prazos”, diz Foad. Também Ragusa acredita que não haverá problemas, pois as indústrias do setor estão investindo para ampliar a produção. “Mas é preciso escalonar as entregas”, diz ele.

Novos competidores

A indústria de cabos ópticos, que enfrentou muitas mudanças na última década – com fusão de empresas, troca de controle e fechamento de unidades –, mantém capacidade de produção no país da ordem de 4 milhões/km de fibra. Os tradicionais fornecedores – Furukawa, Prymian (ex-Pirelli), Telcon (associada à Draka) e Metrocable, esta, bem menor – ganharam a companhia da Cablena, do grupo Slim, controlador da Embratel e Claro. E já enfrentam a concorrência de fornecedor indiano, representado pela Staerlite, que fornece para GVT, Cemig e Copel.

Anterior Portugal Telecom negocia saída de 600 funcionários
Próximos Alcatel-Lucent faz convênio com UFPE para especialização de engenheiros