De olho no Banda Larga para Todos, Prysmian amplia fábrica em SP


shutterstock_asharkyu_telefonia_fixa_fibra_optica1O Grupo Prysmian ampliou a fábrica de fibras ópticas que mantém em Sorocaba, no interior de São Paulo. A expansão dobrou a capacidade de produção da planta, que passa a fazer até 3 milhões de km de fibra ao ano ou 4,5 milhões de km ao ano de equivalentes de fibra. Para a expansão, o grupo investiu R$ 32 milhões.

Outros R$ 10 milhões serão investidos até julho de 2016, quando a segunda fase da expansão será concluída. Na segunda fase, a fábrica ganhará a capacidade de produzir cabos – inclusive modelos com fibra “bend insensitive” – e outros produtos que usam a fibra óptica como insumo. O volume é suficiente para atender a 77% da demanda estimada para o mercado nacional este ano. De acordo com a Prysmian, o Brasil deve consumir 4,5 milhões de km de fibra em 2015, ficando estagnado.

A expectativa dos executivos do grupo é que a demanda cresça nos próximos dois a três anos, impulsionada pelo Banda Larga para Todos, projeto do governo federal que prevê aumento do uso da fibra óptica para entrega de banda larga, principalmente em centros urbanos. “A nova capacidade produtiva irá permitir que a Prysmian atenda sua própria produção de cabos, e destine outro tanto para exportação no cone Sul. Mesmo com redução da demanda por cabos de telecomunicações. A gente não parou de investir por acreditar que haverá crescimento com o Banda Larga para Todos e aumento da demanda por redes capazes de transmitir mais dados, como vídeo, e do FTTH”, ressaltou Marcello Del Brenna, CEO do grupo para a América do Sul.

O Grupo Prysmian faturou R$ 400 milhões com cabos para o setor de telecomunicações no Brasil em 2014, equivalente a 30% das vendas da empresa no país (R$ 1,5 bilhão). A empresa tem oito fábricas no país, sendo quatro em Sorocaba, e dois centros de pesquisa e desenvolvimento. No mundo, o faturamento é de cerca de 7 bilhões de euros. Nos últimos dez anos, afirma Del Brenna, a Prysmian (antiga Pirelli Cabos) realizou investimentos de R$ 500 milhões, em aumento de capacidade produtiva, gama de produtos e competitividade.

Cenário
Presente à inauguração, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini saudou a iniciativa, realizada em um momento de crise econômica, e falou que da parte do setor público, a demanda se manterá crescente nos próximos anos.  “A parceria público-privada, entre Telebras, demandante de fibra, Serpro, Dataprev, Petrobras, e bancos públicos, com grandes empresas do setor privado, nos permite enfrentar a crise com mais esperança e otimismo”, falou.

Os executivos da Prysmian ressaltaram que o investimento mostra empenho de longo prazo com o Brasil. Segundo Reinaldo Jeronymo, diretor comercial de telecom da empresa para a América do Sul, o mercado de cabos ópticos vai ter baixo crescimento até o final do próximo ano, mas depois deve deslanchar. Segundo ele, a produção dos cabos bend insensitive ficou para a segunda fase justamente para se aproveitar da demanda que será gerada pela mudança no comportamento do consumidor nos próximos dois anos. Este tipo de cabo é o mais utilizado para a instalação de última milha do FTTH, que deve ser impulsionada com o programa do governo federal, mas também com aumento das ofertas por parte das operadoras.

Atualmente, o mercado de FTTH compra de 40 mil a 50 mil km de fibra. “A gente estima que ele vai saltar em dois a três anos. Até lá, as classes D e E vão usar internet banda larga por cabos metálicos. Mas a classe C, que já começa a pedir fibra, vai aumentar a demanda, assim como as classes A e B”, diz.

Às operadoras, ele recomenda pressa para migrar para a fibra. “Quem melhorar o cobre hoje, vai ter que reinvestir para migrar para a fibra depois”, resume. Segundo ele, todas as grandes teles que operam no Brasil já testam o uso dos cabos ópticos na última milha, embora nem todas tenham adotado a tecnologia como principal oferta para ultra banda larga ainda. Ele aponta também a evolução das redes móveis como outro catalisador para crescimento das vendas daqui a dois anos. “Uma rede boa tem que ter um bom backhaul”, lembra.

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