Saúde vai abrir sistemas do DataSUS para os municípios a partir de junho


Assim como tudo na saúde, os números do DataSUS também são aos milhões. Hoje, existem nos sistemas da saúde pública mais de 250 milhões de registros. Só que podem ser registros duplicados, registros que não identificam o paciente, ou que indentifica errado. E este é um dos maiores esforços do sistema de saúde do Ministério: limpar a base, conseguir identificar cada um dos cidadãos brasileiros como um usuário do sistema de saúde. Para isto, informa o diretor do DataSUS, Augusto Gadelha, prepara-se para abrir seus sistemas para todos os municípios brasileiros, para que eles alimentem e se alimentem das informações que existem na base nacional. “Isto é o cartão da saúde”, assinala ele, lembrando que a mídia é o que menos importa, mas sim a interligação das informações corretas é que vai dar segurança ao brasileiro.

Assim como tudo na saúde, os números do DataSUS também são aos milhões. Hoje, existem nos sistemas da saúde pública mais de 250 milhões de registros. Só que podem ser registros duplicados, registros que não identificam o paciente, ou que o indentifica de forma errada. Combater este cenário é um dos maiores esforços do sistema de saúde do Ministério: limpar a base, conseguir identificar cada um dos cidadãos brasileiros como um usuário do sistema de saúde. E, ao mesmo tempo em que higieniza as informações, o DataSUS, informa o diretor Augusto Gadelha, prepara-se para abrir seus sistemas para todos os municípios brasileiros, para que eles alimentem a base nacional e se alimentem das informações que existem ali. “Isto é o cartão da saúde”, assinala ele, lembrando que a interligação das informações corretas é que vai dar segurança ao brasileiro.

Tele.Síntese –  Em que situação está o cartão único da Saúde do DataSUS? 

Augusto Gadelha – Não morreu. Ao contrário, está bem vivo. Apesar de as pessoas não perceberem. Há uma noção  na sociedade de que o cartão é uma mídia física distribuída para a população. Mas temos trabalho muito nos três anos a frente do DataSUS para fortalecer a infraestrutura.  Na realidade, foram distribuídos poucos cartões. Primeiramente, precisamos  construir o barramento de saúde, que hoje integra vários sistemas. Vários sistemas leem os dados do paciente diretamente do banco de dados e isso  faz com que haja um controle muito maior de fraudes e permite ainda o registro eletrônico da saúde. No momento em que a gente tem o barramento da saúde, o sistemas de saúde nacionais, dominados pelo DataSUS alimentam o registro eletrônico de saúde nos procedimentos que requerem os pagamentos pelo  SUS, junto com  o clínico e aquele que diz qual é a doença que a pessoa
tem.

Tele.Síntese – O que consiste as informações contidas neste sistema?

Gadelha – Alimentamos o registro eletrônico de saúde do cidadão. Que se pode ter acesso através do portal de saúde do cidadão. É um portal do Ministério da Saúde, que poucas pessoas ainda perceberam que  existe, mas a pessoa pode ter acesso aos seus próprios registros do SUS.

Tele.Síntese – Qualquer pessoa, então, consegue acessar o portal e saber quantas e quais vacinas tomou ao longo da vida, por exemplo?

Gadelha – Agora, vamos lá às etapas. Fizemos o barramento integrando os mais de 20 sistemas que pretencem ao DataSUS. E o sistema  pergunta: este cartão aqui pertence  a quem? E o sistema aponta que esta pessoa é homem, nasceu na cidade de tal e se esta é a pessoa que está sendo cuidada. Na medida em que  os sistemas  são alimentados com este barramentos, eles falam entre si.

Tele.Síntese – O DataSUS já tem os registros dos 200 milhões de brasileiros?

Gadelha – Tem mais de 250 milhões de registros. Mas não significa que tem os registros de todos os brasileiro, pois muitos desses registros são duplicados e mal qualificados. São
identificações “sujas”. A primeira coisa que fizemos, foi “higienizar” esta base. Pegamos palavras mal escritas e corrigimos; uniformizamos os endereços, de tal forma que os sistemas entendam de uma forma única os registros. O que acontecia no passado? Cada município poderia gerar um número. E isto hoje ainda é possível, porque não temos o sistema conectado. Nos estados, todos os números começam com 8. Essas informações vão para a nossa base e  identificamos se aquela informação se caracteriza com alguma pessoa. Se for fácil, a gente liga aquele número com a nossa base, que começa com o número  sete.

A lógica de geração desse número 7 somente o DataSUS conhece, enquanto a geração do número 8, qualquer um podia fazer. Havia uma geração muito grande de números falsos, para atendimento no SUS, para efeito de cobrança, como um dos grandes factores de fraude. No momento em que se começa a obrigar os hospitais a entrarem on line, já com portaria do ministério, eles tem que ler a nossa base, não pode mais inventar números falsos. Tivemos que montar toda a infraestrutrua do DataSUS e limpar a base.  São Paulo, que é o primeiro grande município que começa a usar a nossa base, tinha 20 milhões de registros, depois da “higienização” devolvemos com 15 milhões.

Tele.Síntese – Quais são os próximos passos?

Gadelha – O próximo passo é  abrirmos a nossa base para os municípios.  E vamos abri-la em junho,  usando metologias de padrões internacionais com informações cruzadas. E isto é o núcleo do cartão da saúde. Vai ser como o CPF, que todo o mundo sabe o número, que poderá ser anotado em qualquer lugar.  A mídia é um só” token. A barra de código pode facilitar o atendimento. E até no celular vai se poder ler o cartão.

Tele.Síntese– Os municípios precisam se capacitar  para se conectarem  a base do DataSUS?

Gadelha– Eles podem se conectar de duas formas diferentes: uma é on line, e poucas são as unidades básica de saúde que fazem isto. A outra forma, mais  comum, é  a unidade básica se conecta com uma central do estado e esta central se conecta com o nosso web service e nosso barramento. No momento que isto ocorrer, qualquer unidade de saúde de uma cidade vai estar conectada conosco.  Cabe a cada município se organizar para começar realmente a fazer esta conexão com a base nacional e, a partir daí, unificar todas as bases

Tele.Síntese – Por que as cidades não conseguem se ligar ao sistema?  É um problema de tecnologia ou de comunicações entre as esferas?

Gadelha –  Antes havia um problema de infraestrutura adequada, de conectividade. Os municípios vão gerar a base 8, que é válida para remuneração.  O número na base 7, só o DataSUS pode gerar.

Tele.Síntese – Tem algum município ou estado que já usa o número 7?

Gadelha– Tem vários que já estão começando a usar. Por exemplo, todos os regulados pela Agência Nacional de Saúde Complementar. Um universo de 50 milhões de pessoas dos planos de saúde privados já estão com o número 7. A base da ANS toda já está em nosso cadastro. Abrimos o número 7 para todos os estados e o próximo passo será tornar disponível para todos os municípios. E eles precisam querer alimentar-se com a base nacional. Isto pode ser feito em um entendimento tripartite, por portaria,  decreto ou por lei. Isto vai evoluir com o tempo.

Tele.Síntese – Ainda não há uma definição de como será este engajamento?

Gadelha– A tripartite aceita que todos os municípios usem o número nacional de saúde. O problema é eles estarem ligados on line, ou no final do dia alimentarem e se alimentarem da base nacional. O cartão nacional da saúde não acabou ou desapareceu. Agora, stá maduro para começar a ser emitido.

Tele.Síntese– Qual a vantagem deste sistema?

Gadelha – Primeiro,  a saúde passa a ser centrada no cidadão e não nas instituições. As informações de atendimento do cidadão tem que estar identificadas com o cidadão. Vacinas, por exemplo,  poucas são registradas na base nacional. Por outro lado, hoje,  todo o recém-nascido já nasce com o cartão nacional de saúde.

Tele.Síntese – Há uma meta do número das instituições que vão adotar o número nacional?

Gadelha – O maior desafio, agora, é político, no sentido de os municípios adotarem o sistema nacional. Há a reação de não ficar depende da base nacional pois os municípios dizem que se sentem mais seguros. Isto é uma falácia. Pois sem a base nacional interligada o administrador não sabe qual pessoa atendida é de outra cidade.  Quando ele tiver na base nacional, vai registrar os moradores de outros estados, facilitando o recebimento do atendimento, que será pago pelo estado de origem do paciente.

Tele.Síntese – Os municípios já estão prontos tecnologicamente para esta conexão?

Gadelha – Também não. Mas  80% 90% da população brasileira teria possibilidade de sere atendidas pelo cartão da saúde. Todas as grandes cidades teriam possibilidade de se conectar.  Mas há falta de equipamentos, de recursos humanos qualificados.

Tele.Síntese – Quais são os números que estamos lidando?

Gadelha – 280 milhões de procedimentos ambulatoriais por mês,o que dá 3,3 bilhões de atendimentos por ano. São 14 milhões de pacientes por mês atendidos no SUS. São 150 milhões de brasileiros que só usam o SUS. Os outros 50 milhões usam o SUS de vez em quando, para vacinação, tratamento de AIDS ou câncer mais prolongando. São 168 milhões por ano. Temos um milhão de internações mensais.

Tele.Síntese – Hoje, qual é  o ponto mais fraco?

Gadelha – A infraestrutura no país todo. A rede, a falta de computador. Quando me refiro a rede, falo desde o WiFi até local para atendimento do paciente. Falta recursos humanos. As unidades de saúde não tem um técnico de informática sequer. Mesmo nos hospitais onde a qualidade é melhor, não tem gente que saiba operar um sistema mais simples. Esta é a realidade brasileira.

Tele.Síntese – O acesso on line já começou  é obrigatório para todos?

Gadelha – Não, o prazo foi adiado devido a  uma ação do Ministério Público de São Paulo, que argumenta que há muitos números da saúde e não só um. O que não é limitante pois hoje o cidadão tem mais de um número, como a carteira de identidade ou CPF. Na saúde, enquanto não houver a conexão nacional, haverá mais de um número. O importante é que os diferentes números sejam atribuídos a mesma pessoa.  Como não somos centralizados, não podemos ter um único número.

Tele.Síntese – Há o projeto de levar banda larga para as unidades de saúde.

Gadelha – Qualquer que seja o próximo governo, há a percepção  da necessidade de integrar as unidades de saúde na internet. A experiência do mundo inteiro demonstra que dá certo. Neste governo, deverá estar presente no Plano Nacional de Banda Larga. Nós já estamos integrando nas cidades digitais e outros 13 mil pontos a serem contratos no Gesac.

Tele.Síntese – Qual é o orçamento do DataSUS?

Gadelha – Hoje, o nosso orçamento está em   R$ 400 milhões. Só com a fábrica de software, para fazer a manutenção de nossos sistemas, gastamos um terço disto, perto de R$ 110 milhões nestes sistemas e sua evolução. Temos  mais de 140 sistemas, mas  os que mais ocupam quantidade de tempo e recursos são cerca de 40 a 50 sistemas, que inclui uma quantidade muito grande de procedimentos. Cobrimos todas as áreas da saúde pública. A saúde deveria ter construído uma infra tecnológica e de RH próprios. Criou-se o DataSUS, mas ele nunca conseguiu se expandir fortemente.  Se a gente pensar no Ministério da Saúde consome R$ 70 bilhões ano, o orçamento do DataSUS, de R$ 400 milhões é muito menor do que qualquer instituição ou empresa investe nos seu sistema de informática. Se  querem uma solução de informatização,  o Ministério da Saúde tem que investir massivamente ao longo dos anos. Nos EUA, Obama colocou US$20 bilhões em sua infraestrutura tecnológica da saúde. A Inglaterra já investiu 8 bilhões de libras. Nós gastamos R$ 200 milhões em 10 anos, no chamado cartão de saúde. O investimento no barramento, custa  R$ 110 milhões. Não sei se houve ou não desvio no passado, mas a Polícia Federal e TCU tem obrigação de apontar.

Mas  não é barato informatizar a saúde. Nós estamos dando as licenças gratuitas, o que custaria de R$  4 a  5 milhões.  Informatizamos o Hospital na Lagoa, é outro mundo.  O retorno é imenso e mais segurança para o paciente. Informatizar não  é só tecnologia.  O serviço público precisa passar por reformas estruturais difíceis. É a construção de uma sociedade.

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