“Custo Brasil” atrapalha sonhos da Foxconn no país, diz agência


A agência de notícias Reuters publicou na segunda-feira (31) uma análise em que afirma que a burocracia e a alta carga tributária brasileiras ainda são um grande obstáculo nas negociações para trazer a gigante de eletrônicos chinesa Foxconn para o país, apesar dos diversos incentivos oferecidos pelo governo e pelo interesse da empresa em instalar no país sua produção de iPhones e iPads, além de uma fábrica de telas.

 

De acordo com o texto, além de servir como entrada para o crescente mercado consumidor latino-americano, o Brasil oferece ainda a oportunidade da Foxconn dispersar a produção de produtos da Apple, atualmente muito centralizada na China. Um dos investimentos da companhia no país seria em uma fábrica de iPads e iPhones, que já estariam sendo produzidos em Jundiaí (SP).

 

Para a Apple, a produção local também abre as portas para a massa consumidora brasileira já que reduz o preço dos aparelhos significantemente sem o peso de tarifas de importação, além do país servir de base para a comercialização no resto da América Latina, facilitando especialmente as vendas em países do Mercosul. A matéria cita a Motorola e a Samsung, que também instalaram sua produção de tablets no país com os incentivos do Processo Produtivo Básico (PPB) para tablets.

 

A agência, no entanto, questiona se essa redução no preço será de fato significativa, dado o alto custo da mão-de-obra brasileira em comparação com a chinesa – em Jundiaí, onde a Foxconn já teria contratado mil funcionários através de sua subsidiária Hon Hai Precision Industry, a renda média de um trabalhador na fábrica seria de R$ 1.058, o dobro do salário mínimo pago pela companhia na China.

 

Outra dúvida é sobre a capacidade de atrair a indústria de componentes eletrônicos para o país com essas iniciativas do governo, uma vez que a falta de mão-de-obra qualificada e de infraestrutura tornam o Brasil pouco preparado para ir além da montagem de produtos com componentes desenvolvidos no exterior. “Estamos praticamente dando nosso mercado [consumidor] de graça, dando incentivos fiscais para uma empresa vir e produzir algo que já é desenvolvido no mercado mundial. Não é algo que adiciona muito valor e pouco [desse valor] ficará no país”, disse o pesquisador do IPEA, João Maria de Oliveira, à Reuters. (Da redação, com agências)

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