Cultura de inovação tecnológica em jogo


No Brasil, ainda há poucas empresas com tradição de  investir em pesquisa e desenvolvimento. Mesmo com iniciativas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que trouxe facilidades e uma série de ações para estimular projetos de inovação, muitos empresários ainda não conseguem enxergar as vantagens de investir e criar uma solução de ponta no país, capaz de fazer frente aos melhores do mundo.  

Ao longo dos anos em que o país viveu mergulhado em sucessivas crises econômicas e sem política de incentivo adequada, as indústrias nacionais, de um modo geral, acostumaram a importar tecnologia e desenvolver produtos de prateleira, de baixo custo. Ainda que caiam na mesmice, essas soluções possibilitam à empresa uma atualização tecnológica e o retorno financeiro imediatos.

Embora as leis de incentivo tecnológico sejam levadas muito à sério e tenham promovido uma série de projetos de longo prazo, muitos de seus recursos vêm sendo usados para pesquisa e desenvolvimento de soluções simples, voltadas para atender necessidades imediatas do mercado. Em alguns casos, tais iniciativas são louváveis, pois de fato existem problemas de concorrência, que exigem uma adequação rápida das empresas, porém deixam buracos para futuros avanços.

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Algumas exceções

Em alguns casos, como o do setor de segurança nacional, o desenvolvimento de tecnologia interna é fundamental, uma vez que segredos militares não se vendem. Até há cerca de 30 anos, o Brasil era uma potência em equipamentos bélicos. Aqui se desenvolvia e fabricava desde blindados, aeronaves, até foguetes, entre outros. Em algum momento esse setor foi abandonado porque não compensava desenvolver tecnologia para atender ao único cliente, o Estado. O governo deixou de se equipar, voltando seus esforços para a solução do problema do déficit público e da inflação.

Por outro lado, apesar de poucas, existem companhias nacionais que têm uma visão voltada para longo prazo. Entre os exemplos que podemos destacar é a da Petrobras. Por atuar num mercado bastante específico, cujas características dificultam a importação da tecnologia necessária, a companhia petrolífera brasileira precisa criar soluções próprias. Pode-se incluir nesse caso, também, a Embraer, e  a indústria de papel e celulose. E, ainda, umas poucas indústrias de bens de consumo criaram, ao longo de sua história, o hábito de buscar tecnologia de ponta.

Somente a estabilidade econômica e uma legislação com regras claras e definidas poderão levar as empresas a verem o país como potencial pólo tecnológico. E a Lei de Inovação Tecnológica representa um passo importante para promover uma mudança de paradigma, uma vez que traz vantagens significativas às corporações, na medida que garante benefícios (como verba da ordem de 5% do faturamento da companhia), e obrigação de investir em pesquisa e desenvolvimento.

Com o tempo, o empresariado brasileiro poderá perceber a necessidade de se ter uma tecnologia própria e as mudanças que isso implica, como pensar hoje no produto que será lançado nos próximos dois a cinco anos. Vale ressaltar que um investimento tecnológico visa sempre trazer um diferencial competitivo a longo prazo e permite às empresas desenvolver produtos de valor agregado com melhor custo.


Carlos Eduardo Pitta é mestre em Administração de Empresas e gerente administrativo e financeiro do Instituto Genius de Tecnologia

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