Crise pode afetar crescimento da banda larga na AL


Se a restrição de crédito tende a afetar pouco o consumo de telecomunicações em países emergentes, menos afetados pela crise mundial mas não imunes a ela, o cenário dos investimentos na América Latina ainda é uma incógnita. “Pode haver uma desaceleração dos investimentos, o que provocará uma redução na expansão da banda larga”, disse o …

Se a restrição de crédito tende a afetar pouco o consumo de telecomunicações em países emergentes, menos afetados pela crise mundial mas não imunes a ela, o cenário dos investimentos na América Latina ainda é uma incógnita. “Pode haver uma desaceleração dos investimentos, o que provocará uma redução na expansão da banda larga”, disse o economista Raul Kátz, professor adjunto da Universidade de Columbia, em painel realizado hoje, em São Paulo, pela Momento Editorial para debater “Os investimentos em telecomunicações na nova conjuntura econômica”.

A grande preocupação de Kátz com uma possível redução dos investimentos em banda larga se deve ao fato de que a região já tem um enorme gap nessa área, por falta de oferta de infra-estrutura. Conta com cerca de 20 milhões de acessos, quando precisaria de 40 milhões, que só poderão ser atingidos em quatro ou cinco anos se houver definição de políticas públicas nessa direção. O alcance da banda larga é de 8,8% dos domicílios no Chile, de 6,6% na Argentina, 4,1% no Brasil, 4% no Uruguai e 2,8% na Colômbia, para ficar em alguns exemplos. “Olho com apreensão um freio na expansão, porque existe uma relação muito estreita entre banda larga e crescimento econômico”, observou, alertando que os investimentos em banda larga são fundamentais na medida em que permitem a regionalização dos investimentos e o conseqüente desenvolvimento regional, a geração descentralizada de empregos e a melhoria da qualidade de vida com a ofertas de mais serviços de governo.

Outro efeito da banda larga, observou o professor, é sua relação com o aumento da produtividade das empresas. Daí a importância de um programa de cobertura que contemple as pequenas e médias empresas, que são mais de um milhão na América Latina e têm grande peso na geração de empregos (75% na Argentina e 67% no Brasil), na contribuição para PIB (60 e 28%, respectivamente) e participação menor nas exportações (25% e 23%).

Menos impostos

Para o sócio-diretor  da consultoria LCA, Fernando Sampaio, uma alternativa para evitar a queda de investimentos em banda larga seria a desoneração do serviço pelos estados. Como o principal imposto que recai sobre os serviços de telecomunicações é o ICMS, taxado pelos estados, e o serviço de banda larga ainda não gera caixa para os governos por ser ainda pequeno, Sampaio sugere que as operadoras proponham uma discussão, mostrando que é um serviço estratégico para o crescimento da economia e, portanto, que haja uma desoneração.

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