Crise não abala confiança de fornecedores GPON


Expectativa dos fornecedores é de ampliação das vendas em 2015, em função do mercado de provedores regionais de internet estar muito aquecido. A demanda por banda larga de melhor qualidade no interior do país continua forte.

Apesar da instabilidade da cotação do real em relação ao dólar ser uma preocupação neste começo de ano, e das perspectivas de crescimento pífio para o PIB brasileiro, os fornecedores de equipamentos GPON, e de cabos para essa tecnologia, com atuação no país estão confiantes no volume de negócios que devem fechar este ano. Empresas como Padtec, Parks, Asga e Furukawa esperam que a proporção do faturamento com GPON, em relação ao total, avance em 2015.

Apesar do projeto de implantação de GPON da Oi, ao que tudo indica, estar parado, Telefônica Vivo e provedores regionais devem garantir a ampliação da receita com a tecnologia no país, avaliam os fornecedores. “Até pouco tempo, os provedores não faziam rede cabeada. E agora estão tentando se aprimorar na tecnologia de fibra óptica. Isso é uma coisa muito positiva. Entramos neste mercado há três anos, mas vemos que só agora ele está mais maduro. Os provedores estão confiantes para usar a tecnologia”, afirma o gerente de produto da Padtec, Glauco Pereira.

Na Padtec, empresa de soluções para a parte ativa das redes cujo faturamento em GPON cresceu dez vezes no último ano, as vendas desses equipamentos ainda representam algo entre 5% e 10% do total. No entanto, a participação deve crescer em 2015, na avaliação de Pereira. A perspectiva da Padtec, a maior em receita entre os fabricantes nacionais de GPON, é de um crescimento de cinco vezes no faturamento.

A ampliação dos negócios com GPON também está no cenário traçado pela Asga, empresa nacional que comercializa concentradores e OLTs. “O negócio GPON representou em torno de 10% do faturamento global da empresa em 2014. Esse percentual deve crescer para 35% do faturamento em 2015”, conta Carlos Yoshino, gerente comercial da Asga.

Ele explica que a empresa está com expectativa de fechar alguns projetos grandes este ano. E já tem contrato para fornecer equipamentos para os projetos de Cidades Digitais, do governo federal, e para uma operadora, que está trabalhando com GPON para atender o segmento corporativo.

“Já fechamos grandes contratos, então vamos faturar. E essa tecnologia ainda está em estágio inicial no Brasil. A cada ano tem demonstrado forte crescimento e a Asga está posicionada como player que domina a tecnologia”, frisa Yoshino.

Tanto Asga e PadTec quanto a Parks são beneficiadas pelas recentes políticas de estímulo à indústria nacional de equipamentos de telecomunicações e de pesquisa e desenvolvimento local. Além das exigências de cota de equipamentos produzidos e desenvolvidos no Brasil para desoneração fiscal de novas redes (Re-PNBL Redes), tais empresas têm vantagem competitiva ao vender para os provedores que buscam linhas de crédito como o Finame do BNDES.

A Parks, por exemplo, foi uma das primeiras empresas a trazer a tecnologia GPON ao país, em 2011, após quatro anos de investimentos de P&D. Mas, para além dos benefícios obtidos por conta da política econômica, a Parks se beneficia do conhecimento em GPON para fazer adaptações técnicas a pedido dos clientes, o que tem lhe garantido uma vantagem competitiva adicional.

A empresa, pioneira em GPON, apostou desde cedo na divulgação e treinamento de provedores de Internet de todos os portes para que a adoção ocorresse. “Já treinamos mais de 2 mil pessoas”, diz Regina Souza, presidente da Parks. O resultado veio: no ano passado, as vendas de GPON significaram 45% do faturamento da Parks, um porcentual que será de 65% este ano, avalia a presidente. Do total faturado no ano passado, os pequenos provedores correspondem a um quarto. “Temos grandes operadoras e importantes clientes no mercado corporativo e institucional [faculdades, hospitais, escritórios de advocacia]”.

Estratégias das estrangeiras

Já a Furukawa, companhia japonesa, fará todos os esforços para ainda este ano adquirir o registro de tecnologia nacional para suas soluções de GPON – a empresa trabalha também com EPON. “Estamos trabalhando na nacionalização de equipamentos. Durante 2015, passaremos por esse processo, importante principalmente pelo Finame”, explica Celso Motizuqui, gerente geral de vendas da Furukawa.  A principal preocupação é com a possibilidade de aquisição de seus equipamentos pela linha Finame, do BNDES.

No ano passado, a Furukama experimentou um crescimento de 30% no faturamento com as tecnologias PON. “Já passa a ser expressivo”, diz Motizuqui. Para 2015, a expectativa é de um crescimento de 15% na receita com as tecnologias PON, apesar da projeção de receita global estável no país este ano.

Mas não só as empresas com desenvolvimento e fabricação local que têm aproveitado o boom do GPON no Brasil. A WDC, por exemplo, responsável pela distribuição dos produtos FiberHome no Brasil, fechou uma venda para associados da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

“Acabei optando por trazer esses produtos de fora; foi uma oportunidade com a criação do clube de compra. A referência dos equipamentos nos agradou e ele é utilizado por grandes operadoras no mundo, o que nos deu segurança. Também contamos com o suporte da WDC e podemos trocar experiências”, explica Marcelo Couto, dono da provedora NowTech.

Podia ser melhor

Todos os fornecedores poderiam fazer um coro sobre como o mercado de GPON poderia estar ainda mais aquecido no Brasil, o que significaria mais redes de ponta sendo instaladas ao longo do extenso território nacional, não fosse a dificuldade dos pequenos e médios provedores de internet em obter financiamento.

A Padtec está convicta de que o processo de migração das redes, em geral de rádio, para o cabeamento de alta capacidade poderia ser muito mais rápido, porque fez um trabalho focado justamente nesta questão: “Temos casos emblemáticos que mostram como existe uma demanda reprimida entre os provedores, por falta de acesso ao financiamento”.

Diante dos recursos parcos, alguns provedores optam por comprar equipamentos no mercado cinza, como são chamados os equipamentos provenientes de importação irregular. “A competição tem aumentando, de fato, quando falamos em GPON no Brasil. Mas a competição saudável não nos preocupa”, salienta Regina, da Parks.

Outro ponto de atenção é a variação do dólar. Nenhum dos fornecedores acredita que, até este momento, ela tenha impacto significativo no segmento, que está muito aquecido, mas atrapalha o planejamento das companhias. E, no longo prazo, pode trazer problemas.

As incertezas relacionadas à política econômica também foram apontadas como possíveis entraves apesar da tendência positiva para o GPON. A possibilidade de fim da desoneração da folha de pagamento – bloqueada pela oposição ao governo no Congresso – é um dos pontos de preocupação, mas existem outros.

“A gente se preocupa com o fim dos benefícios para a indústria nacional. Recentemente, teve a mudança no IPI, teve essa questão da desoneração da folha de pagamento. A taxa do Finame saltou de 3,5%, no começo do ano, para 6,5% agora. Existem dúvidas em relação ao volume de recursos a ser destinado pelo BNDES. São regras que mudam de um dia para o outro e isso, sim, atrapalha muito”, frisa Pereira, da Padtec.

Mas se há indefinições no cenário, há boas notícias no horizonte que podem, ou não, se concretizar. Dirigentes do Ministério das Comunicações prometem que o governo lança em abril, ou maio, a nova etapa do Plano Nacional de Banda Larga. Entre as medidas que contempla está a criação de um fundo garantidor para provedores regionais poderem assumir empréstimos junto ao BNDES, o que seria uma resposta à sua principal reivindicação.

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5 Comments

  1. 20 de Março de 2015

    Como nao abalou? Padtec acaba de anunciar que encerrou a linha GPON.

    • 20 de Março de 2015

      Vamos noticiar em outra matéria a decisão da Padec.
      Obrigado por nos alertar.
      A Redação

  2. daniel
    20 de Março de 2015

    A Padtec FECHOU sua divisão de GPON. Como pode estar crescendo ou planejando aumentar as suas receitas? O projeto GPON foi cancelado!

    • 20 de Março de 2015

      Vamos noticiar em outra matéria a decisão da Padec.
      Obrigada por nos alertar.
      A Redação

  3. DevNull
    3 de Abril de 2015

    A PADTEC demitiu mais de 100 funcionários no último dia 2/04/2015.