Crise do BES não afeta consolidação Oi/PT e operação de risco não envolveu Zeinal Bava


As especulações do mercado vão da possível punição do Banco Espírito Santo (BES), acionista da PT e da Oi (na finalização da integração entre as duas empresas ele teria 10% do capital da operadora) pela entidade reguladora da bolsa dos Estados Unidos, a SEC, à reavaliação do valor dos ativos da PT na sua incorporação pela Oi. O momento é de expectativa e de profundo incômodo para os sócios brasileiros da Oi, que asseguram, no entanto, que Zeinal Bava não está envolvido.

A renúncia dos conselheiros brasileiros — Otavio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e Fernando Magalhães Portella, do grupo Jereissatti, ambos sócios da Oi que tem a PT como sócia — do Conselho de Administração da Portugal Telecom, anunciada na terça-feira, 1º, colocou fogo no palheiro. As especulações do mercado vão da possível punição do Banco Espírito Santo (BES), acionista da PT e da Oi (na finalização da integração entre as duas empresas ele teria 10% do capital da operadora) pela entidade reguladora da bolsa dos Estados Unidos, a SEC, à reavaliação do valor dos ativos da PT na sua incorporação pela Oi. O momento é de expectativa e de profundo incômodo para os sócios brasileiros da Oi.

A informação de que a holding da PT – a PT SGTS — comprou, em abril, dívida da Rioforte, holding do Banco Espírito Santo para negócios fora da área financeira, no valor de 900 milhões de euros ( uma operação de 847 milhões e outros de 50 milhões que vencem, respectivamente, nos dias 15 e 17 de julho), e estaria com dificuldade de pagar o compromisso, acendeu a luz amarela do mercado. O mais complicado é que a operação foi feita pela tesouraria da PT SGTS sem conhecimento do Conselho, a poucos dias de a PT integrar seus ativos aos ativos da Oi.

De acordo com Otavio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, que se encontra em Lisboa, o quadro do que efetivamente ocorreu ainda não está claro. Disse que se demitiu do Conselho da PT porque se sentiu desconfortável. “Soube pela imprensa”, comentou, mas não quis avançar em sua análise por falta de informações. Garantiu, no entanto, que a decisão não passou por Zeinal Bava, que não participa da holding da PT.

Como consequência às notícias, as ações da PT e da Oi caíram, e a Standard & Poors, agência de risco norte-americana, estuda rebaixar a nota da PT. De outro lado, analistas temem que o BES venha a ser punido pela SEC, porque, no meio da confusão, há ainda suspeitas de corrupção por parte da cúpula do BES.

 Efeitos na Oi

Ainda na esteira dos bons resultados de sua captação no mercado, processo que se conclui em setembro deste ano, a Oi não precisava de notícia pior. A captação aparentemente lhe garantiu fôlego para se rearranjar no mercado, e ganhar musculatura para continuar na competição.

Mas seu novo equilíbrio, inegavelmente, é afetado pela crise do BES, seu maior acionista individual. Sócios da empresa garantem que a crise não vai afetar o processo de consolidação da Oi com a PT — coisa que o mercado especula –, mas pode levar à reavaliação do valor dos ativos da PT na Oi, já que o risco da operação com o BES não foi informado. “Os sócios portugueses poderão ter seu valor reduzido”, diz uma fonte. A encrenca é grande e seus desdobramentos ainda não podem ser devidamente estimados.

 

 

 

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