Criatividade e parcerias são receitas para ampliar divulgação de dados públicos, dizem gestores.


O avanço da TI no serviço público de forma a gerar benefício social não depende de tecnologia, mas de liderança dos gestores, interoperabilidade dos processos, de formação de parcerias e muita criatividade. Esta é uma visão comum a todos os palestrantes do Fórum Sulamericano de Líderes de TI do Governo, que se realiza nesta terça-feira (16), em Brasília. Também é consenso a necessidade de intensificação da publicação de dados abertos da administração pública.

Segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Delfino Natal de Souza, a legislação brasileira é inovadora na questão de dados abertos. “A lei de Acesso à Informação dá ao gestor público a obrigação de abrir as informações em nome da participação cidadã em todos os níveis e esferas de governo”, sustenta. Porém, acredita que os desafios futuros serão ainda maiores para atender a demanda da geração Z, que vai querer acesso de suas casas ou de equipamentos móveis em qualquer lugar.

Para o presidente do Serpro, Marcos Mazoni, a infraestrutura de ponta está presente no governo, mas falta saber em que momento a empresa abre seus produtos em desenvolvimento para colaboração do público. “Todos querem personalizar as aplicações e se a gente não precisar desenvolver soluções fim a fim, teremos condições de atender a demanda sempre crescente e mais rápido”, disse, citando os casos de sucesso da companhia como o Imposto de Renda, registro da frota nacional, sistema de orçamento e de gestão financeira da administração pública (Siafi).

 

Privacidade

O presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, por sua vez, disse que a interoperabilidade das bases de dados do governo vem avançando e qualificando bases de dados, mas ainda há muito a ser feito. Ele entende que a dívida “informacional” do Estado ainda é enorme e, ao mesmo tempo, a explosão de dados cassou a autoridade pública de prover informações. “Se o Estado não montar suas bases de dados, alguém vai montar e acho que o governo não organizou sua defesa nesta disputa”, afirmou.

Assumpção disse que a sociedade exige a perfeição dos sistemas públicos, que ela é possível, mas não se sabe se vale a pena ser assumida. “É preciso discutir se é preciso investir mais no aperfeiçoamento de sistema em vigor e se devemos aplicar os recursos em novas aplicações”, exemplificou. Ele ressaltou que tão pouco há um debate sobre o fim da privacidade na rede. “A privacidade não existe mais no século 21, no entanto exigimos que ela seja protegida”, afirmou.

O vice-presidente da HP no Brasil, Denoel Eller, avalia que o governo gasta muito dinheiro para manter a infraestrutura atual de TI, quando deveria investir em mais aplicações. Para que isso ocorra, defende que seja adotada mais automação nos processos de TI da administração pública, de forma a que sobre mais dinheiro. Ele recomenda que se olhe mais para o que faz o cidadão nas redes sociais.

O diretor da IBM no Brasil, Marcelo Zuccas, acredita que a colaboração é fundamental para inovação em TI, já que os problemas dos governos são parecidos e as soluções semelhantes. E salientou que o crescimento contínuo da migração de pessoas para as capitais exige que governos adotem imediatamente o monitoramento de serviços essenciais, como de segurança pública, trânsito e distribuição de água e luz, para gerar menos transtornos à população.

O presidente do Grupo Ação, que promove o seminário, Enio Issa, sugeriu a renovação dos sistemas de compras públicas eletrônicos, agregando mais flexibilidade para que gestores possam atender as necessidades com a agilidade que exigem. “Isso sem perder a segurança exigida pelos órgãos de controle”, disse.

 

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