O Tele.Síntese está publicando semanalmente duas reportagens sobre as tendências e inovações em telecomunicações. O conteúdo completo está no Anuário Tele.Síntese de Inovação 2017, que além de apontar os rumos do setor, elegeu os serviços mais inovadores do último ano. Abaixo, conheça o Super Mecafish, jogo para smartphones que leva o jogador a refletir sobre o meio ambiente, que rendeu o prêmio à Creatrix Hava de desenvolvedor de apps e conteúdo mais inovador de 2017.

Você quer ajudar a limpar o oceano?

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*Por Anamarcia Vainsencher

Com 3,4 milhões de usuários, o mercado brasileiro de games é o quarto maior do mundo, e o maior da América Latina. E está em expansão, com destaque para o segmento de mobile games, que experimenta crescimento ainda mais acelerado. Segundo dados da NewZoo, o setor mobile mundial movimentou US$ 36,9 bilhões no início de 2017. Dados da PricewaterhouseCoopers avaliavam que, até recentemente, o mercado de jogos digitais movimentava US$ 65,7 bilhões, e deveria chegar aos US$ 89 bilhões em 2018. Uma taxa anual de crescimento de 6,3%. No Brasil, estima-se que os negócios de mobile games cheguem a US$ 844 milhões em 2018, com uma expansão de 13,5% ao ano.

Para conquistar um espaço na área de mobile games, a Creatrix Hava escolheu o tema meio ambiente. Em dezembro de 2016, conta a CEO Juliana Costa da Silva (foto), a empresa criou o Super Mecafish, peixe robótico para limpar seu habitat, a água (do mar, do rio, ou de um aquário). “O Super Mecafish é um mobile game casual, divertido e desafiador, cuja finalidade é conscientizar o seu público sobre questões ambientais”, diz a executiva. Para cativar seus usuários (crianças e jovens de seis a 16 anos), o jogo “recorre ao estilo cartunesco e carismático”.

O game vem conquistando jogadores e preenche um espaço ainda não ocupado por games que abordam assuntos sérios de forma divertida. Mais uma atração do peixinho é a preocupação de muitos pais com o tempo que os filhos passam em jogos que não vão além do divertimento. Já o Super Mecafish, argumenta Juliana, além de conscientizar sobre problemas ambientais, também diverte.

Criados com os primeiros PCs, os jogos casuais são fáceis de aprender, mas difíceis de dominar, e não requerem habilidades especiais, conhecimentos ou compromisso de tempo regular para evoluir no jogo. Pela sua simplicidade, a criação desses jogos exige recursos financeiros relativamente pequenos.

O tema escolhido pela Creatrix Hava continua na ordem do dia, embora já na ECO-92, a Union of Concerned Scientists do MIT alertava que “a humanidade e o mundo natural estavam em rota de colisão em consequência das atividades humanas por infligirem danos, frequentemente irreversíveis, ao meio ambiente e aos recursos naturais críticos”. O pontapé inicial do projeto, inscrito e aprovado durante a incubação na aceleradora startup Rio, foi dado no início de 2016. No final daquele ano, a empresa obteve, da Faperj, um investimento de R$ 60 mil.

Estava a caminho o Super Mecafish, game mobile casual que trata da poluição do meio ambiente marinho de forma divertida. “É um peixinho mecânico que luta contra seus inimigos para remover a sujeira dos mares e oceanos”, explica Juliana. O game é Free to play, roda em Android e iOS, e convida o jogador a ajudar na limpeza feita pelo Super Mecafish.

Diversão levada a sério

O jogo da Creatrix Hava está na classificação de Serious Games, definida como aplicação computacional interativa que, por meio de uma proposta divertida, possui metas desafiadoras. Os elementos desse tipo de jogo visam o desenvolvimento de atitudes/competências para atuação em situações reais, bem como para a construção de conhecimentos sobre os mais variados temas.

De acordo com a Creatrix Hava, a novidade do Super Mecafish é sua capacidade para competir com mobile games casuais de sucesso e, ao mesmo tempo, abordar questões ambientais. Outras inovações são o divertimento com a temática ambiental, facilidade de uso e o recurso ao elemento cartunesco. Segundo Juliana, o game mobile da Creatrix Hava não tem concorrentes. Ou desconhece a sua existência.

Na avaliação da empresa, o benefício de seu game é valorizar o tempo dedicado à diversão. “As crianças jogam, se divertem e entram em contato com problemas sérios do dia a dia, como a degradação ambiental. Além disso, os participantes são desafiados a encontrar soluções para os problemas apresentados”, enfatiza ela. Com o seu mobile game, a Creatrix Hava procura explorar uma nova oportunidade de mercado, ao mesmo tempo que seu público ganha uma diversão diferenciada. O grande desafio do Super Mecafish é a própria manutenção do game mobile.

Em agosto de 2017, a Creatrix Hava adaptou e lançou uma versão do Super Mecafish para fliperamas instalados em shopping centers. Neste ano, irá novamente à startup Rio para projetar o Super Mecafish 2, e planeja lançar mais dois mobile games. “Nosso sistema de monetização é baseado em propaganda e no sistema Free to Play com compras internas. Vendemos moedas virtuais que podem ser usadas para adquirir tempo e recursos no game”, afirma a CEO.

A desenvolvedora fez parceria com a Brasilbev, fabricante do guaraná energético Organic Drink, 100% natural, que é consumido pelo Mecafish para recuperar a sua energia. Esse acordo, cujo anúncio vem dentro do game, possibilitou a exibição e divulgação do peixe robótico nos aquários das cidades de São Paulo e de Ubatuba (SP).

Também neste ano, foi acertada uma parceria com a N@NO, que fabricará um dispositivo que permitirá levar o game para o televisor. Pelo acordo, a Creatrix Hava desenvolverá games para rodar em TV digital, e funcionará como um pen drive.