CPqD promove workshop sobre nova tecnologia de gerenciamento de rede


O CPqD deve realizar, na próxima terça-feira (6), em suas instalações em Campinas, o workshop “Novos paradigmas em roteamento e plano de controle para Redes do Futuro”, em que pretende apresentar as últimas tendências e tecnologias que vão permitir atender ao aumento crescente do tráfego nas redes de comunicação IP.

 

“Muitos criticam a arquitetura tradicional de protocolos IP por ser muito engessada e não permitir inovação”, disse Christian Esteve Rothenberg, pesquisador do CPqD, em entrevista ao Tele.Sìntese nesta sexta-feira (2). De acordo com o pesquisador, o evento pretende apresentar as soluções alternativas que vêm sendo desenvolvidas para permitir uma maior flexibilidade no gerenciamento de redes IP, como as redes definidas por software (ou SDN, do inglês software-defined network) e o protocolo OpenFlow, padrão aberto desenvolvido pela Universidade de Stanford que aplica o conceito de SDN.

 

O encontro também é uma oportunidade para encontrar novos parceiros para os testes do RouteFlow, solução pioneira do centro de pesquisas brasileiro para fazer a migração da arquitetura de rede tradicional para o OpenFlow, que separa as funções de controle e encaminhamento e permite o gerenciamento desta a partir de diferentes módulos de transmissão de dados. “A operadora pode virtualizar sua rede, ter múltiplas redes em módulos diferentes, usando o mesmo equipamento, algo que não poderia fazer em uma arquitetura tradicional”.

 

O OpenFlow torna os elementos da rede (como o roteador ou ponto de acesso sem fio) programáveis remotamente, o que ajudaria a superar os gargalos atuais e os previstos para o futuro, em decorrência do crescimento contínuo do tráfego no núcleo das redes. Exemplos de aplicações dessa maior flexibilidade incluem redes de computação em nuvem em data centers e gerenciamento da capacidade de redes móveis.

 

Segundo Rothenberg, as redes tradicionais usam equipamentos com soluções proprietárias embarcadas, o que impede a comunicação entre roteadores de fabricantes diferentes e engessa o gerenciamento da rede por não ter essa separação e por não ser baseado em software, o que permite o gernciamento remoto. “Pela primeira vez, um protocolo padrão está sendo aceito pela indústria”, destaca o pesquisador.

 

De acordo com ele, todas as grandes fabricantes de equipamentos de rede, como IBM, HP e NEC, já têm produtos que suportam esse novo padrão aberto. No entanto, atualmente, esses aparelhos só poderiam ser usados em redes novas. “Para a adoção dessa tecnologia, é necessária uma estratégia de migração, e é aí que entra o RouteFlow”, disse Rothenberg, lembrando que o produto está em fase de testes e ainda não há no mercado uma solução para que as operadoras façam a migração ou operem de forma híbrida com as duas arquiteturas.

 

O pesquisador afirma que ainda não há previsão de lançamento comercial da solução, que tem seu código-fonte aberto para permitir contribuições. “A tecnologia ainda está em estágio embrionário, mas faz apenas quatro anos, que foi desenvolvida, então a adoção tem sido muito rápido quando se compara com outras inovações no setor”, disse Rothenberg.

 

O workshop do CPqD contará com palestras de Navindra Yadav, da Google, que apresentará o conceito de SDN e o protocolo OpenFlow, além de Robert Raszek, do Laboratório de Comunicações Multimídia da operadora NTT, para dar a visão das operadoras, e o próprio Christian Rothenberg. O evento ocorrerá das 9h às 18h no Auditório do CpqD, no km 118,5 da Rodovia Campinas-Mogi Mirim, em Campinas. A programação completa do workshop está disponível no site www.cpqd.com.br, pelo qual os interessados também podem fazer suas inscrições. A participação é gratuita.

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