CPQD planeja expansão internacional e atendimento a ISPs


O CPQD, fundação de desenvolvimento tecnológico 100% brasileira, planeja expandir sua atuação na América Latina. Conforme o presidente da instituição, Sebastião Sahão, a ideia é ter parceiros e clientes no mercado do México ainda este ano. Atualmente, a organização já tem entre os clientes operadoras de telecomunicações na Argentina, no Chile, na Colômbia, no Equador, no Peru e no Uruguai.

A meta faz parte do plano estratégico elaborado para os próximos dez anos, que visa manter a sustentabilidade e reduzir a dependência do governo – hoje responsável por 7% das receitas do CPQD, oriundas do Funttel. Para este ano de 2020, além da chegada a um novo país, a instituição está com nova marca e formando força de vendas dentro do conceito de canais, em que revendedores oferecem as tecnologias a clientes, responsabilizando-se pela pré-venda, pela venda, e pelo pós-venda.

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“Como podemos desenvolver soluções para cada cliente, nada melhor que termos canais com conhecimento de nicho para compreender e trazer a demanda”, explica a diretora de marketing e vendas da instituição, Sirlene Honório.

A aposta nos canais facilitará à instituição atingir o objetivo de levar a capacidade de inovação do CPQD para novas fronteiras fora e dentro do país. Aqui dentro, os provedores de internet regionais – ISPs – entraram definitivamente no radar. No momento, conta Honório, há negociação com pelos menos três deles, que podem se beneficiar de diferentes tecnologias desenvolvidas pela instituição, como sistema de inventário de rede, de reconhecimento de fala ou cobrança.

IoT

O CPQD também já definiu no que vai focar seus esforços de pesquisa na próxima década: cidades inteligentes, agronegócio inteligente, manufatura avançada, inteligência artificial e conectividade. O modelo de negócio continuará baseado em parcerias com empresas para pesquisa e desenvolvimento nestas áreas, integrando assim o Brasil às cadeias globais de tecnologia, através de inovação aberta. “Hoje temos parceria de desenvolvimento com empresas nos Estados Unidos e na Europa”, ressalta Sahão.

Em internet das coisas, que se enquadra transversalmente em várias dessas modalidades, a ideia é manter o protagonismo no país. O CPQD criou ainda em 2017 a plataforma aberta dojot, usada para a orquestração de equipamentos numa rede IoT.

5G

Em breve, haverá ainda uma nova frente de inovação, teste e homologação de tecnologia 5G. No final de 2019, a equipe da instituição esteve na China para conhecer a CAICT (Chinese Academy of ICT), um dos principais centros de pesquisa e inovação do gigante asiático. A visita pode render parceria para a instalação de um laboratório referência em 5G no campus do CPQD, na região de Campinas, apto a atender à demanda por certificação de equipamentos no Brasil. Mas isso em até cinco anos, apenas depois que a rede de quinta geração existir no Brasil.

Vale lembrar que atualmente a Anatel ainda está elaborando o edital para leilão das frequências que serão usadas na 5G. A previsão é de que essa tecnologia esteja comercialmente ativada no Brasil apenas no final de 2021 ou mesmo 2022, conforme afirmação recente do ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

Paulo Curado, diretor de inovação, afirma que no CPQD a visão da 5G vai além das redes móveis. Ele explica que a quinta geração vai exigir soluções em redes definidas por software, virtualização de funções de rede, e redes ópticas. Por isso mesmo, a instituição tem conduzido pesquisas em frentes como computação cognitiva, computação avançada, redes de dados, comunicações ópticas, sistemas eletrônicos embarcados e segurança da informação e comunicação.

O executivo conta que, a exemplo da dojot para IoT, haverá até meados desse ano o lançamento de uma plataforma aberta de inteligência artificial, integralmente desenvolvida no CPQD. O objetivo, diz, é fomentar o “ecossistema de inovação” no segmento no país.

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