O CPqD inaugurou nesta quinta-feira (15) um Núcleo de Desenvolvimento de Tecnologias de Defesa, que marca a entrada definitiva do instituto de pesquisa e desenvolvimeno nesta área, após uma sequência de iniciativas voltadas para essa área. O Núcleo de Desenvolvimento de de Tecnologias de Defesa conta com 30 colaboradores do CPqD e mais 20 do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). 

“Queremos dar uma contribuição grande nessa área de defesa, com projeto de desenvolvimento de soluções de segurança enorme. A partir deste ano, entramos como entidade relevante e nossa expectativa é ampliar este núcleo a partir do sucesso das iniciativas iniciais”, afirmou Hélio Graciosa, presidente do CPqD.

A expectativa de Graciosa é compartilhada por Everton Corrêa, da Gerência de Defesa e Segurança do CPqD, ainda mais porque o governo está sensibilizado para a questão de segurança nacional após a série de denúncias de espionagem pelo governo dos Estados Unidos de cidadãos americanos ou não, com a conivência de grandes empresas do setor de tecnologia e utilizando as redes de telecomunicações. Entre as iniciativas em estudo pelo CPqD para a área de defesa está o desenvolvimento de terminais de rádio. 


Projeto em andamento

Desde janeiro, por exemplo, a entidade vem trabalhando para desenvolvimento da tecnologia de Rádio Definida por Software (RDS) em parceria com o CTEx. O projeto RDS, um projeto do Ministério da Defesa, deve receber R$ 30 milhões em investimento durante três anos e começar a entregar resultados em dois anos. 

“Uma vez desenvolvida, essa tecnologia tem um enorme potencial de aplicação, que poderá ser recurso para a indústria. No exército, por exemplo, é importante para o novo sistema de vigilância de fronteiras. Hoje temos um piloto em execução na região do Mato Grosso que vai exigir esse tipo de tecnologia”, afirmou o general Sinclair James Mayer, durante o evento de inaguração do núcleo, na sede do CPqD, em Campinas. 

O RDS permitirá, por exemplo, que Exército, Marinha e Aeronáutica possam se comunicar diretamente, sem que para isso tenham de recorrer aos meios de comunicação civis, o que aumenta a segurança das conversas, facilita a logística das operações e garante maior flexibilidade para estruturação do uso das frequências para a área de defesa. 
 

“A diferença básica dessa tecnologia é que ela abstrai as funções de modelar as formas de onda, a remove do hardware e leva para a camada do software”, explica Fabrício Lira Figueiredo, gerente de sistemas sem fio do CPqD. Segundo ele, ao transferir para o software a modelagem das ondas, é possível definir comportamentos que funcionem nas diversas frequências, atendendo as necessidades, requisitos e especificidades distintos de cada uma das forças e ainda assim unificar o sistema de comunicação da Marinha, Exército e Aeronáutica quando for o caso. 

Outro benefício do RDS almejado pelo sistema de defesa brasileiro é a simplificação do processo de evolução tecnológico. “Ao introduzir a inteligência no software, é possível evoluir sem necessariamente mudar o hardware. Claro que os equipamentos têm limitação, mas trabalha-se com uma outra lógica”, detalha Figueiredo. Ainda, com a introdução da transmissão de radiofrequência digital, o país pode passar a trabalhar com modelos criptografados bastante complexos. 

O projeto do RDS está dividido em cinco módulos distintos: forma de onda, segurança, ferramental (que vai servir para desenvolver uma plataforma que permita aos engenheiros conceber novas formas de onda e incoporá-las nessa ferramenta), conversão analógica-digital e uma última voltada para padronização utilizando a Software Communication Architecture (SCA).