CPqD agiliza desenvolvimento da IoT no país com plataforma aberta


O Tele.Síntese está publicando semanalmente duas reportagens sobre as tendências e inovações em telecomunicações. O conteúdo completo está no Anuário Tele.Síntese de Inovação 2017, que além de apontar os rumos do setor, elegeu os serviços mais inovadores do último ano. Abaixo, confira como o CPqD foi premiado por desenvolver a Dojot, uma plataforma aberta de internet das coisas.

Uma base aberta para aplicações em IoT

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Por Roberta Prescott

O Brasil já dispõe de uma plataforma de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), com foco nas necessidades das cidades inteligentes. A solução foi desenvolvida pelo CPqD, a partir de um projeto submetido ao Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A Plataforma Dojot IoT – Estrutura Aberta de Tecnologias para Internet das Coisas e suas Aplicações, desenvolvida em códigos abertos, é composta por microsserviços, que são acessados por meio de APIs abertas (API, sigla em inglês que significa Interface de Programação de Aplicações).

A plataforma foi desenhada para oferecer funcionalidades nas camadas de middleware IoT, como gestão de dispositivos e integração dos dados por meio de diversos protocolos; de segurança, com autorização, gestão de identidade e criptografia; e de suporte à aplicação, com criação de fluxos de dados, Big Data e aprendizado de máquina (machine learning).

Maurício Casotti, gerente de Marketing de Produto do CPqD, diz que, em 2015, após observar o que estava acontecendo no mundo da Internet das Coisas, o CPqD entendeu que seria importante para o Brasil ter uma plataforma com essa vocação. “Os recursos chegaram no final de 2016 e o projeto começou a ser executado em janeiro deste ano, mobilizando um time de 12 pessoas”, conta.

Objetivo

A ambição do CPqD com essa plataforma é propiciar um ambiente livre para resoluções de problemas das cidades por meio da IoT, principalmente em três áreas: saúde, mobilidade urbana e segurança pública. “O projeto habilita e utiliza-se do conceito de inovação aberta. Assim, qualquer ideia nesse sentido, ou, empresas que já tenham ou desejam ter aplicações nessa tecnologia podem se beneficiar da plataforma e criar provas de conceitos”, explica Casotti. A ideia, reforça ele, é reunir a comunidade de desenvolvedores para fomentar aplicações: “Queremos que as cidades se apropriem desses códigos e criem um ecossistema que ajude a evoluir a plataforma focando em problemas reais”.

A Plataforma IoT é baseada em interfaces padronizadas e em um conjunto de componentes de código aberto que teve contribuição de centenas de desenvolvedores, empresas e parcerias público-privadas. São padrões e componentes de referência especificados no projeto Fiware da Comunidade Europeia, que, quando são combinados e aprimorados, podem constituir uma Plataforma IoT. Essa base tecnológica e o desenvolvimento realizado pelo CPqD tornaram a plataforma adequada para tratar um enorme volume de dados, com segurança e facilidade de integração à nuvem.

Entre as vantagens da plataforma, de acordo com o CPqD, estão a agilidade no desenvolvimento de aplicações e integração com dispositivos para Internet das Coisas, a segurança para garantir integridade dos dados, o acesso a diversos tipos de ferramentas para Big Data e machine learning, a arquitetura ajustada a ambiente de nuvem e interface para criação, o acesso a um ambiente gráfico amigável e integrado para configuração e inserção de regras complexas, suporte e desenvolvimento local, além do código open source.

Sem revelar nomes, o CPqD informa que a plataforma já foi adotada por uma grande indústria do setor de agronegócio, com a proposta de melhorar e habilitar a conectividade no campo. Também foi escolhida para ser a plataforma smart city de um grande município do estado de São Paulo. Alguns projetos do CPqD relacionados à Internet das Coisas já se conectam à plataforma. Exemplo concreto é uma solução para iluminação pública que possibilita a criação de soluções com base na infraestrutura de rede que faz gestão da rede pública. Há, ainda, provas de conceito em andamento para coletar informação de sensores de consumo de energia elétrica e levar os dados para a nuvem, inserindo-os na plataforma, com o objetivo de melhorar a eficiência do sistema.

Comunidade

Uma das estratégias de incentivo à comunidade de desenvolvedores a se apropriar da solução foi o anúncio da abertura do código da plataforma, durante o evento IoT Latin America, que aconteceria em meados de setembro, em São Paulo. O código ficará disponível para a comunidade até o final do ano.

O CPqD também está programando hackathons e encontros nos quais a plataforma será a base tanto para desenvolvedores que queiram criar apps IoT quanto para quem tem alguma demanda a ser atendida. Em julho, no 2º Hackathon Campinas, no estado de São Paulo, foram premiados três aplicativos criados em cima da plataforma: a AgendaSus para Cidades Inteligentes, desenvolvida pela equipe Run; a solução Zona Azul Eletrônica, da equipe Conecta; e a solução Saúde em Dia, da equipe Hello-World.

Com relação aos investimentos, Casotti explica que a Plataforma IoT faz parte de um projeto com escopo maior, que inclui desenvolvimento de gateway, e tem participação de outras instituições. Ao final de três anos, o investimento no projeto total deve alcançar R$ 34 milhões. A Plataforma IoT, em si, deve consumir aproximadamente R$ 4 milhões.

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