Convergência: VP da Band defende manutenção das regras atuais


“Quem sustenta que, em nome da escalada tecnológica, tudo que está aí será desfeito, deve ser advertido que terá resistência.” Com essa afirmação, o vice-presidente executivo da Rede Bandeirantes, Antônio de Pádua Teles de Carvalho, firmou a posição das empresas de televisão sobre o tema Radiodifusão e Telecomunicações – A Fronteira da Convergência, assunto do …

“Quem sustenta que, em nome da escalada tecnológica, tudo que está aí será desfeito, deve ser advertido que terá resistência.” Com essa afirmação, o vice-presidente executivo da Rede Bandeirantes, Antônio de Pádua Teles de Carvalho, firmou a posição das empresas de televisão sobre o tema Radiodifusão e Telecomunicações – A Fronteira da Convergência, assunto do 5º Encontro Tele.Síntese, hoje, 21, em São Paulo.
Carvalho se referiu ao choque de interesses entre operadoras de telecom, que desejam transmitir conteúdo, e radiodifusoras. Ele defende que as regras de restrição ao capital estrangeiro, a outorga e o caráter gratuito da transmissão de programas devem permanecer irrevogáveis, como a lei prevê atualmente, a fim de preservar a cultura nacional. Em discurso que transitou entre o humanista e o irônico, o executivo da Band criticou a euforia em torno de certas inovações tecnológicas e o afã desmedido pela convergência.

Índios

“Não vamos jogar a Constituição no lixo. Como se troca um celular, por outro que tira foto. Da mesma forma que se fazia a alegria dos índios com presentes e balangandãs”, comparou Carvalho, que é jornalista, advogado e iniciou a vida profissional no jornal Última Hora, em 1962.

Ele destacou a “ameaça” ao setor radiofusor que representa a concorrência de grupos transnacionais (de telecom) que lucram R$ 100 bilhões no país, enquanto empresas de televisão, em sua análise, ficam apenas com 5% destes valores.  Criticou também a “leniência” das autoridades responsáveis por fiscalizar competição, gerando monopólios de grupos estrangeiros em associação com companhias nacionais. Citou, veladamente, os casos de empresas de TV por satélite e o caso de exclusividade de conteúdo nacional por operadoras de TV por assinatura. “É um claro atentado à ordem econômica”, frisou.

Por fim, Carvalho disse que estamos frente a uma “bizarra revolução”, que quer transformar o cidadão nascido dos ideais da Revolução Francesa (“Liberdade, Igualdade e Fraternidade) num mero contribuinte, usuário, que paga tributo a grandes corporações.

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