Convergência: num cenário indefinido, disputa entre diferentes modelos.


12/agosto/2005 – As discussões sobre como serão as regras do jogo no mundo multiplay estão apenas começando. Por enquanto, sobram questionamentos e faltam respostas definitivas nesse novo cenário de convergência tecnológica, no qual os papéis estão cada vez menos definidos. Caminhos e soluções foram discutidos durante o 2º Encontro Telesíntese, realizado pela Momento Editorial, na …

12/agosto/2005 – As discussões sobre como serão as regras do jogo no mundo multiplay estão apenas começando. Por enquanto, sobram questionamentos e faltam respostas definitivas nesse novo cenário de convergência tecnológica, no qual os papéis estão cada vez menos definidos. Caminhos e soluções foram discutidos durante o 2º Encontro Telesíntese, realizado pela Momento Editorial, na terça-feira, em São Paulo, e cujo tema foi “Regulação, Parceria e Competição no Mundo Multiplay. Nesse cenário ainda nebuloso, dois modelos de oferta do triple play começam a surgir. Um deles , defendido pela ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), une as operadoras de TV paga e as operadoras de telefonia. As operadoras de telefonia entrariam nessa parceria para transportar o conteúdo e as operadoras de TV por assinatura (TVAs) distribuiriam o conteúdo. No outro modelo,, as operadoras de telefonia, especialmente as três grandes concessionárias, incorporam a oferta de aúdio e vídeo à gama de serviços já prestados aos clientes. “Em vez de falar em triple play não é melhor falarmos em parceria?”, sugeriu Alexandre Annemberg, diretor-executivo da ABTA, durante o seminário.
Na avaliação de Annemberg, as operadoras de telecomunicações não têm a experiência de entrar na casa dos clientes e oferecer conteúdo audiovisual. “Elas vão até o poste na casa do assinante, mas entrar na casa do cliente e lidar com conteúdo é uma coisa complementamente diferente”, frisou. Na visão da ABTA, é preciso haver uma separação dos atores da cadeia de valor do triple play entre provedores de conteúdo, transportadores de conteúdo e distribuidores, e ainda permitir que cada um mantenha seu modelo de negócio. Mas operadoras de telefonia, apesar de não descartarem eventuais parcerias com as TVAs, consideram vital incorporar a oferta de áudio e vídeo ao portfólio de serviços. Segundo Márcio Fabbris, diretor de desenvolvimento de novos negócios residenciais da Telefônica, a companhia iniciou, este ano, na Espanha, a prestação de TV por assinatura via rede de telefonia. Tem tido problemas para fazer o serviço funcionar na casa do usuário, mas vai insistir. “Sabemos que é um desafio entrar na casa do cliente, mas estamos dispostos a aprender”, destacou Fabbris.

Bom para os usuários
Há um consenso entre a Anatel e os operadores de que a chegada do triple play trará benefícios para o usuário, mas há dúvidas se ele irá melhorar a rentabilidade do negócio das operadoras de telefonia. Ricardo Sacramento, presidente da BrT GSM acredita que não. “Quem vai ganhar é o usuário, o lucro não vai aumentar, a margem vai diminuir”, profetizou. Para Sacramento, apesar do movimento de várias operadoras, ao final apenas as grandes irão oferecer o triple play. “Elas tem mais musculatura para ganhar aqui e perder ali”, disse. Apesar da perda financeira, as concessionárias concordam que a oferta do serviço convergente será uma arma de defesa para sobreviver no mercado, além de ser um contra-ataque à oferta de VoIP pelas operadoras de TV por assinatura. “O triple play é ainda obrigatório para a maioria das telcos, apesar do elevado Capex. Ruim com ele, pior sem ele”, analisou Sacramento.
Do ponto de vista regulatório, a convergência tecnológia representada pelo triple play também gera conflitos de interesse difíceis de solucionar.. “É um fator de perturbação de grande intensidade”, disse o conselheiro da Anatel, José Leite Pereira Filho. Na Europa, o órgão regulador optou por passar uma borracha no modelo regulatório anterior, simplificá-lo e criar uma licença geral de comunicação eletrônica para a prestação de qualquer serviço. “Do ponto de vista técnico, é a melhor solução”, defendeu Leite. Mas, no Brasil, o processo não será tão simples. Há amarras em função das regras feita antes da privatização que dificultam a simplificação da emissão de licenças.“Há uma herança pré-convergência que temos que honrar e se for modificar algo temos que negociar porque são regras contratuais. É difícil ter uma licença convergente sem ferir mortalmente os contratos de concessão”, alertou Leite.  Outro desafio quanto ao triple play, na avaliação de Marcos Bafutto, superintendente de Serviços Públicos da Anatel, é compatibilizar., na prestação dos vários serviços, as regras relativas à ordem econômica — como subordinar a aquisição de um bem à aquisição de outro bem ou serviço (venda casada) por exemplo. E  ainda às regras individuais que dizem respeito a cada serviço, como os direitos dos usuários, metas de qualidade ou regras de cobrança. “A estrutura atual da regulação permite ofertas multiplay, desde que seja observado o encadeamento de aspectos da regulação de telecomunicações e da ordem econômica”, frisou Bafutto.

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