Controle integrado da cidade


A Aplicação para Gerenciamento de Cidades Inteligentes integra diferentes aplicações de segmentos verticais como segurança pública, transportes inteligentes e iluminação inteligente.

O Tele.Síntese está publicando as reportagens do Anuário Tele.Síntese de Inovação 2018. Abaixo, saiba mais sobre o Smart City Manager, desenvolvido pela Ericsson, também segunda colocada no Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação na categoria Fornecedores de Software e Serviços.

Controle integrado da cidade

Por Patricia Cornills

O Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Ericsson no Brasil faz pesquisa e desenvolvimento desde 1971, de maneira ininterrupta. Em 2000 se tornou um centro global. Tem 600 desenvolvedores (150 contratados diretamente e os demais em centros de pesquisa integrantes da rede de inovação da empresa). Para que seus profissionais façam certificação em diferentes plataformas abertas e programas de pós-graduação, a Ericsson realiza um ambicioso Programa de Desenvolvimento de Competências Estratégicas em computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), segurança da informação e inteligência de máquina.

Devido a este programa, 30% dos funcionários são mestres, doutores ou pós-doutores. A empresa possui, além disso, um Comitê de Gestão de Inovação. Em 2015, este comitê desenvolveu a seguinte visão: “Por que não agregar nosso conhecimento e capacidade em diversos mercados verticais às competências adquiridas em nosso programa e criar uma solução para Internet das Coisas que a concorrência não é capaz de oferecer?” Assim nasceu a Aplicação para Gerenciamento de Cidades Inteligentes — Smart City Manager (SCM).

Em IoT, explica Edvaldo Santos, diretor do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, não é possível realizar inovações longevas sem integrar dezenas de ambientes, com seus dispositivos, sensores, protocolos, servidores e aplicações. A Aplicação para Gerenciamento de Cidades Inteligentes integra, em uma única plataforma, diferentes aplicações de segmentos verticais como segurança pública, transportes inteligentes e iluminação inteligente. O foco da solução são serviços de interesse de agentes públicos – ou privados, que atuam sob concessão.

“A aplicação propõe uma solução de controle de cidade inteligente integrado, permitindo aos gestores a visualização das informações de diversos equipamentos e sensores espalhados pela cidade”, descreve Santos. Suas principais características são uma interface para cliente hospedada em nuvem (redução de infraestrutura), configuração multi-tenant (uma única instalação pode atender vários clientes), arquitetura baseada em microserviços, funcionando
harmoniosamente como um todo e oferecendo interoperabilidade entre diferentes aplicações. As informações recebidas dos diferentes sensores podem ser utilizadas por todos os módulos da aplicação, o que torna o sistema multidisciplinar.

Em São José dos Campos, interior de São Paulo, há um exemplo de uso prático da plataforma. Em 2012, a Ericsson inaugurou naquela cidade o Centro de Desenvolvimento de Tecnologias de Informação, Comunicação e Multimídia (CDTIC). Fica no Parque Tecnológico, uma iniciativa tripartite entre governo local, governo do estado e iniciativa privada. Uma das iniciativa do CDTIC é um projeto de gestão integrada que, por meio de uma plataforma de comunicação e despacho, agrega as forças-tarefa municipais do Samu, Corpo de Bombeiros e Guarda Metropolitana, além de ter um módulo que a integra ao COPOM, da Polícia Militar (PM). A plataforma recebe a comunicação dos cidadãos e direciona o ticket para a força tarefa responsável, ou encaminha para a PM.

Este sistema é integrado a uma plataforma de videomonitoramento com 500 câmeras, interligadas por 300 quilômetros de fibras. Com ele, a Guarda Municipal monitora pontos da cidade 24 horas, sete dias da semana.
De acordo com Santos, a gestão integrada contribuiu para reduzir a taxa de homicídios de 10,2 por cem mil habitantes para 8,09. A taxa de resolução de homicídios em SJC é de 61%, em comparação com 8% na média nacional. “Com a Aplicação para Gerenciamento de Cidades Inteligentes conseguimos dar longevidade a investimentos feitos pela prefeitura, além de criar um plano para, ao longo do tempo, resolver problemas em diferentes segmentos”, explica ele. Assim, a plataforma incluiu, desde 2012, funcionalidades como sensores de emissão de CO², dimerização de iluminação pública com leds, sensores de padrões sonoros para monitorar tiros de armas de fogo – e aumentar a iluminação, e fotografar o local – e habilitação de hotspots WiFi.

Os principais desafios do desenvolvimento da aplicação foram entender arquiteturas de sistemas IoT de uma forma geral, estudar os protocolos mais modernos de transporte e de dados e especificar uma arquitetura robusta e capaz de atender aos requisitos de escala, segurança e latência para os diversos servidores de aplicação, explica Santos. No segmento de iluminação pública, por exemplo, foi definir a arquitetura para o acionamento em tempo real desde
o servidor da aplicação até o controlador da lâmpada.

“Diferentes ferramentas e métodos para IoT tiveram que ser aprimorados para assegurar o acionamento imediato. O requisito de segurança foi atacado profundamente, para criar novos métodos de segurança para os protocolos de comunicação tradicionais (MQTT). Isso resultou em novas técnicas de segurança e uma patente associada”, descreve.
Além da patente para os métodos de segurança, mais uma será registrada, referente à implementação de um método mais eficiente de troca de mensagens IoT, ou Message Brokering, desenvolvida em parceria com o Inatel, com o apoio do programa Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

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