Consumidores em países Bric estão mais dispostos a pagar por conteúdo online


Enquanto nos países do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, apenas 22% dos consumidores afirma que pagaria por conteúdo móvel ou online, nos países emergentes do Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), esse porcentual salta para 57%. Essa é a curiosa conclusão da pesquisa “Consumers and Convergence” da consultoria KPMG, que entrevistou 5.627 consumidores em 22 países sobre tendências nos mercados de mídia, tecnologia e telecomunicações, 300 deles no Brasil.

Para Manuel Fernandes, sócio da KPMG no Brasil, o maior poder de consumo dos consumidores com acesso às tecnologias móveis e de internet nos mercados emergentes, além das limitações de acesso a conteúdo nesses países explicam esse fenômeno. “O acesso a conteúdo nos países do G7 é muito mais amplo”, afirmou o executivo durante a Futurecom 2011, em São Paulo, nesta quarta-feira (14). “Nos Brics, o consumidor pode pagar se vir um custo benefício maior”.

Segundo Fernandes, conteúdos como games, vídeos e música são considerados de maior valor agregado pelo consumidor dos Brics, que também está mais propenso que o consumidor do G7 a pagar por conteúdo como notícias e informações, apesar da percepção vigente desse conteúdo como gratuito. O estudo da KPMG também mostra que, nos mercados emergentes, as pessoas estão mais dispostas a trocar de provedor de internet para ter acesso a conteúdo exclusivo.

Por outro lado, o consumidor dos Brics também demonstrou uma maior aceitação por propaganda, como contrapartida por receber um conteúdo gratuitamente, ou mais barato, tanto no navegador (61% ante 49% no G7) como em aplicativos de smartphone (50% contra 30% nos países mais ricos). “Mesmo assim, as pessoas aceitam melhor a propaganda customizada, direcionada exclusivamente para ele. Daí a importância das redes sociais”, lembrou Fernandes.

Apesar disso, 71% dos entrevistados em países emergentes afirmam estar “muito preocupados” com sua privacidade na rede. “A propaganda personalizada vale uma fortuna. As pessoas não tem a percepção de que são os seus dados pessoais que pagam pelos conteúdos gratuitos”, disse o executivo da KPMG.

A pesquisa afirma ainda que, apesar da infraestrutura de telecomunicações pouco confiável, Brasil, Rússia, Índia e China são tradicionalmente considerados líderes na adoção da telefonia móvel, e embora o uso da telefonia fixa ainda seja forte nesses países, seus consumidores também estão mais propensos que usuários de países ricos a abandonar o serviço inteiramente em favor dos celulares.

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