Consumidor aceita pagar mais por 5G, mas melhora da qualidade tem que ser notável


O leilão de espectro 5G ainda é uma incógnita no Brasil. Autoridades dizem que o momento de pandemia gera expectativa e dificulta qualquer sinalização. Ao mesmo tempo, trouxe reflexos na cadeia produtiva, como assinalou na última semana o presidente da Anatel, Leonardo de Morais. Ao mesmo tempo, ele perguntou, ainda não está claro se para o consumidor a quinta geração será um “nice to have ou um must have“. Ou seja, se é uma tecnologia incremental, ou se, aos olhos dos clientes, uma tecnologia fundamental.

Para o CEO da fabricante de equipamentos Ericsson, a resposta já está dada, com base no que se vê nos mercados onde a 5G foi ativada. Ele contou, durante live realizada na madrugada (horário de Brasília) de hoje, 11, que a empresa vem realizando pesquisas sobre a percepção dos consumidores em torno da nova tecnologia.

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“Nossas pesquisas mostram que consumidores topam pagar até 20% a mais por 5G. Mas, para isso acontecer, precisam perceber nitidamente a diferença da 5G para a 4G”, explicou.

Segundo ele, essas pesquisas comportamentais deixam claro que a 5G é desejada, desde que a operadora tenha feito investimentos para que a qualidade seja palpável. A qualidade de rede, contou, é a variável mais importante para o sucesso das teles mundo afora. As mesmas pesquisas, disse, mostram que as empresas com maior receita média por usuário (ARPU) são aquelas com a melhor percepção de qualidade dos consumidores.

“Qualidade de rede reduz churn e aumenta a ARPU. As operadoras com maior qualidade de rede tem maior ARPU, menor churn, em comparação com as mais mal posicionadas. Qualidade de rede é o maior fator que impacta o churn, depois de situações microeconômicas”, elencou.

Novos segmentos

Os estudos serão divulgados em junho, como parte da publicação Mobile Report, lançada anualmente pela fabricante. E devem trazer mais alguns detalhes sobre a 5G. Principalmente, que a tecnologia vai abrir novas frentes de receitas para as operadoras que perceberem agora a necessidade de assumir um novo papel, que vai além da conectividade.

“O principal impacto da 5G será nos negócios. Não diz respeito a velocidade ou latência, mas a estabilidade da rede e confiança. Para 70% das empresas, as operadoras precisam ser suas parceiras na digitalização, fornecendo mais que o serviço tradicional de conectividade”, falou Ekholm.

Segundo suas contas, se as operadoras focarem na oferta de produtos de digitalização para o mercado corporativo e industrial nos próximos anos, poderão acrescentar mais US$ 700 bilhões a suas receitas. Isso equivale a um aumento de mais de 35%.

As previsões da Ericsson são mundiais. Claro, é preciso ter em mente que a empresa produz os equipamentos que as operadoras precisarão ter para chegar a novos clientes. Mas, durante a live, a companhia deixou evidente que pretende se colocar menos como fornecedora, e mais como parceira no desenvolvimento de soluções específicas que poderão ser trazidas pelas teles, com base no que seus clientes pedem.

Impacto da Covid-19

Ekholm afirmou que a pandemia de Covid-19 trouxe reflexos sobre a Ericsson. A empresa colocou 85 mil funcionários no mundo para trabalhar de casa. Conseguiu deslocar até mesmo pessoal que ficava em centros de operação de rede.

Ele afirmou que o impacto sobre a cadeia de suprimentos da Ericsson foi pequeno, e que a produção foi mantida. Assim, as operadoras vão todas receber rádios e outros aparelhos conforme o cronograma. Ele também ressaltou que a fabricante tem saúde financeira para atravessar a crise, graças a um caixa de US$ 3 bilhões.

Como gerencia redes de diversas operadoras no mundo, a companhia traçou estimativas gerais sobre o impacto da Covid-19 na infraestrutura até o momento. Houve elevação de 20%, em média, do consumo de dados no celular. Cresceu o consumo de voz móvel, assim como o uso do WiFi doméstico. O tráfego migrou das áreas comerciais para as residenciais nas cidades. E as redes passaram a ter não mais um pico ao longo do dia, mas vários picos de uso.

Em média, houve aumento de 40% no download de games. Também disparou o uso de videoconferência e a necessidade de que as redes tenham a mesma qualidade no downlink e no uplink por conta desse uso de ferramentas de trabalho colaborativas.

5G cresce na China

Na live, executivos da Ericsson afirmaram ainda que a demanda por 5G não sofrerá grande impacto em função da pandemia. No primeiro momento, pode haver menos clientes dispostos a comprar smartphones compatíveis, mas até 2025, a demanda vai crescer mais rápido do que o previsto.

Por isso, a Ericsson elevou a projeção de acessos 5G no mundo daqui a cinco anos. Serão 2,8 bilhões de conexões do tipo. A cifra anterior da empresa dava conta de que seriam 2,6 bilhões de conexões. Esse aumento é puxado, principalmente pela China. País em que o combate à Covid-19 está mais avançado, por ter sido o primeiro afetado, registra rápido aumento da demanda por redes e aparelhos de quinta geração.

Na Europa, a fabricante continua pessimista, uma vez que as autoridades de muitos países do continente decidiram adiar leilões de espectro. Na visão da Ericsson, isso só vai retardar a implantação de uma tecnologia com potencial para reaquecer a economia. Os executivos da empresa não comentaram perspectivas para a América Latina ou Brasil.

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