Consolidação depende de revisão do marco regulatório, reitera TIM


O CEO da operadora brasileira, Rodrigo Abreu, admite que combinação traria o benefício de escala no mercado fixo, e vê como oportunidade levar a revisão do marco regulatório ao Congresso.

O CEO da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, voltou a negar nesta quarta-feira, 28, que operadora tenha recebido qualquer proposta da Oi ou do fundo Letter One para uma potencial consolidação. Segundo ele, a companhia está aberta a oportunidades, mas só poderá opinar se receber uma proposta formal.

Não existe nenhum processo de negociação no momento. Nosso plano é de longo prazo, que não depende de consolidação. Obviamente, em um setor que existe movimento possível de consolidação, é uma obrigação estratégica da companhia e de seus acionistas, fazer as análises necessárias quando se mostrarem oportunas. Quando se tem a proposta efetiva na mesa, esse é o momento para se fazer essa análise”, disse após se apresentar na Futurecom 2015.

Segundo ele, a TIM já analisou, no passado, propostas de fusão, mas considerou o  haver alto nível de incerteza regulatória e quanto à situação financeira das companhias do setor. Como o presidente da Telecom Italia, controladora da TIM, Abreu dá a entender que, no momento, uma consolidação entre Oi e TIM só faz sentido com mudança da concessão. “O cenário vem mudando. Se espera que o cenário regulatório passe por uma transformação bastante grandes nos próximos 6 a 9 meses. Há necessidade de mudar esse ambiente, principalmente a regulamentação da concessão. Com essa mudança o cenário se torna diferente. Mas, se nada acontecer, continuamos com nosso plano de maneira muito sólida”, frisou.

Para ele, a LGT ficou anacrônica, sendo urgente rever três pontos: as obrigações impostas às concessionárias, a reversibilidade de bens, e a duração da concessão. “Imaginar que se faria investimentos multibilionários num ambiente com muita incerteza regulatória é muito difícil imaginar um cenário com visibilidade positiva para a estabilidade de um plano de negócios de investimentos”, ressaltou.

Ele admite que, não fosse a legislação, uma fusão com a Oi seria interessante para a TIM. “Do ponto de vista industrial, temos que observar a capacidade de escala. Temos uma boa escala do ponto de vista móvel, mas temos pequena participação no fixo. Olhando para o futuro, esses poderiam ser potenciais drivers de consolidação, aumentar escala no móvel e introduzir escala no fixo”, falou.

Abreu também sugeriu que a TIM se encontra em posição privilegiada para conduzir a consolidação. “A TIM sempre se mostrou muito sólida, com rentabilidade, nunca teve perdas no país e sempre teve nível de alavancagem muito baixo. A dívida da TIM, comparada com a média do mercado é muito baixa. Por essa característica tem condição de alavancar sua condição financeira para fazer coisas maiores. Do ponto de vista financeiro, temos o potencial”, observou.

Ele vê como oportuna o momento de debate do marco regulatório. “A revisão exige aprovação do Congresso, mas acredito que talvez essa possa ser uma agenda positiva num momento de muita discussão. É uma agenda que incentiva investimento, que resolve problema, que aumenta a inclusão, o desenvolvimento econômico. Não é fácil, nem simples, nem rápido. Mas pela primeira vez se tem um alinhamento de consciência de que se precisa fazer algo”, concluiu.

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