Consolidação da Oi e TIM é positiva, mas há entraves competitivos, alerta Carlos Zenteno


Entre os entraves a serem resolvidos, estariam o acúmulo de frequências pelas duas empresas e a forte concentração no mercado de celular em algumas cidades, maior do que 50%, que teriam que ser resolvidos pelas agências reguladoras, diz o presidente da Claro.

O presidente da Claro, Carlos Zenteno avalia que a consolidação do mercado de telecomunicações brasileira é positiva, mesmo que seja entre seus concorrentes, como TIM e Oi. Mas alerta que se esses movimentos se confirmarem há desafios regulatórios e competitivos importantes, como acúmulo de frequências de celular muito grande entre os dois grupos e também uma forte concentração de mercado em algumas cidades. “Estas questões teriam que ser resolvidas pelos reguladores”, pondera ele.

O presidente da Anatel, João Rezende, por sua vez, disse durante painel no Futurecom 2015 não acreditar que a consolidação do mercado brasileiro seja mesmo um fato irreversível. “No futuro, teremos uma empresa só com toda a infra? Não acredito. No Brasil tem movimento de consolidação? Tem. Mas não acredito que o cenário vá mudar. Acho que até 2020, 2022, teremos um cenários semelhante. Por exemplo, temos 5 mil prestadores de banda larga fixa no interior. Existe um amadurecimento, mas é muita gente produzindo em torno do mercado de telecom. Claro que tem empresas tradicionais. Mas não acredito em consolidação no curto prazo, rápida, que resulte em um quase monopólio”, completou.

Para Carlos Zenteno, no entanto,  a mudança regulatória no segmento de telecomunicações é muito importante e ela não deve se restringir a tirar as amarras da telefonia fixa. Entende que será preciso também equiparar as regras com as OTTs, mas reconhece que isto não pode ser feito de  um dia para o outro. O executivo reconhece que as empresas Over The Top (OTTs) que prestam serviço na internet, como o Facebook, WhatsApp ou Netflix, foram os grandes responsáveis pelo aumento de tráfego das operadoras de telecomunicações, e defende que sejam criadas regras de convivência que podem ser equiparadas. “Podemos harmonizar o ecossistema”, afirmou.

Entre as diferenças nos serviços de telecomunicações e OTTs que poderiam ser harmonizadas, o executivo listou as questões fiscais, a assimetria nas exigências de qualidade, e uso de informações de confiabilidade. “Esses assuntos não podem ser resolvidas sem a intervenção do regulador”, afirmou.

Smartphone

A empresa apresentou hoje o smartphone mais barato, produzido pela Alcatel OneTouch, que será comercializado por R$ 279,00 no pré-pago. O aparelho vem com os pacotes de WhatsApp e Facebook já vendidos nos planos, sem o consumo da franquia e traz também serviço de música ilimitada por três meses, com forte conteúdo de música brasileira. Conforme Zenteno, a intenção da operadora com esse lançamento é estimular a migração de seus clientes 2G para a tecnologia 3G de banda larga.

Ele ressaltou que se a empresa está fazendo a sua parte no sentido de buscar o barateamento do preço do celular, para ampliar a inclusão digital, ainda acredita que o Congresso Nacional vai manter a desoneração do PIS/Cofins dos smartphones, cuja Medida Provisória, que reonera os aparelhos a partir de janeiro do próximo ano, ainda não foi votada pelo Legislativo, tendo sido novamente prorrogada.

colaborou Rafael Bucco. 

 

 

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1 Comment

  1. Vagner Ornelas
    28 de outubro de 2015

    É interessante ver o presidente da Anatel dizer que não acredita na consolidação do mercado brasileiro, ainda mais quando vemos na prática o contrário (Vivo/TVA/GVT), (Net/Claro/Embratel), etc… E são todas tão parecidas, tanto que bastou uma bloquear a internet ao término da franquia que todas as outras fizeram a mesma coisa. Na prática o consumidor quase não tem opção. Muita “panelinha” pra pouco serviço.