Confiança da indústria eletroeletrônica despencou 11,7 pontos desde janeiro


Os primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro, marcados por atritos entre seus integrantes, conflitos com o Congresso Federal e falta de propostas para aquecer a economia, fez industriais reduzirem suas expectativas quanto aos rumos do país. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou o ICEI, índice de confiança do empresário industrial, que amargou queda outra vez em maio. Desde janeiro, o índice só caiu, e chegou agora a 56,5 pontos, numa escala que vai a 100. Em janeiro, estava em 64,7 pontos.

Na indústria eletroeletrônica, a situação é pior. O setor registrou confiança de 53,4 pontos em maio, abaixo portanto da indústria geral brasileira. Os dados setoriais foram reunidos pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O resultado representa uma queda de 3,9 pontos em relação ao mês de abril. Também foi a quarta retração consecutiva no indicador, que havia atingido 65,1 pontos em janeiro.

Na área elétrica, a redução foi mais significativa, atingindo 5 pontos, passando de 55,1 para 50,1 pontos em apenas um mês. No caso da área eletrônica, o ICEI diminuiu 2,6 pontos, recuando de 59,6 para 57,0 pontos.

Por enquanto, há mais empresários confiantes numa retomada econômica do que pessimistas. Essa linha só é cruzada caso o índice venha abaixo de 50. Mas já há temores no mercado de que isso aconteça em junho. “Precisamos de maior rapidez na adoção de medidas que possam reverter este quadro de paralisia, pois, do contrário, o próximo índice já será negativo”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee.

Para ele, os dados são um alerta às autoridades. “A situação do mercado é muito difícil, faltam encomendas e os negócios estão rareando”, diz. A solução, a seu ver, seria colocar na pauta do Executivo e do Congresso pautas como a reforma das regras para parcerias público-privadas (PPPs) na área de infraestrutura.

Barbato considera também que o momento atual, marcado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, pode ser propício para ampliar oportunidades de exportação para o mercado norte-americano a partir do Brasil. (Com assessoria de imprensa)

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