Concorrentes querem desmembrar a BT no Reino Unido


Operadora controla principal rede do atacado no país, o que estaria impedindo a competição por preços, alegam Sky e Talk Talk. Regulador iniciou revisão das regras para o setor.

A Sky e a Talk Talk querem desmembrar a maior empresa de telecomunicações do Reino Unido. Ambas apresentaram a proposta na última quinta-feira (12), quando o Ofcom, órgão que regula o setor no país, iniciou uma revisão das regras para as comunicações digitais. As empresas desejam aproveitar o momento de análise regulatória em telefonia, TV paga e serviços de internet para pressionar o governo a tirar a Openreach, empresa que opera no atacado, da BT.

A Openreach foi criada em 2005. Na época, já uma divisão dos ativos da BT, então um monopólio estatal. Atualmente, representa 29% da receita anual da BT, e tem a obrigação de oferecer as mesmas condições no atacado que as praticadas com a BT. O que, na visão das concorrentes, não incentiva a competição.

A CEO da TalkTalk, Dido Harding, disse na última semana ao jornal The Guardian que existe um claro conflito de interesses entre a operação da Openreach e da BT. A primeira não teria motivo para reduzir custos aos concorrentes de sua controladora. A situação seria mais grave a partir deste ano, com a aquisição da EE pela BT. Com a compra, a companhia passa a deter 40% do varejo em telecomunicações, e 70% do atacado.  “Uma empresa independente iria querer ter [como clientes] a Sky, a TalkTalk e quem mais puder em sua rede”, afirmou.

Jeremy Darroch, CEO da Sky, vai pela mesma linha. Também ao jornal, afirmou que a separação da única rede nacional de banda larga é fundamental para “criar uma indústria que entregue capacidade e incentive o investimento, ao mesmo tempo em que dá aos varejistas oportunidade de reduzir preços ao consumidor”.

A BT, claro, rechaça a ideia. Diz que a banda larga do Reino Unido é uma das mais desenvolvidas no continente e que o modelo de exploração da Openreach “garantiu investimentos, alta competição no varejo, altos índices de cobertura e preços baixos”. Bom lembrar que a própria Ofcom precisou fazer recentemente a um acordo com as operadoras para ampliar a cobertura e levarem telefonia móvel a mais áreas do Reino Unido.

O regulador ainda vai realizar uma série de consultas ao longo do ano, e espera, até dezembro, divulgar um documento preliminar das alterações que espera fazer no setor, no país. As metas, diz, são ampliar a competição, reduzir preços ao consumidor, e encorajar investimentos. (Com agências internacionais)

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