Concorrentes abrem artilharia contra entrada da Vivo em Minas


04/08/2006 –  A solução encontrada pela Anatel para resolver o problema da Vivo, destinando a faixa de freqüência em 1,9 GHz que era do WLL para o SMP, caiu como uma bomba entre as operadoras de celular que atuam em Minas Gerais. Elas vão tentar reverter a decisão durante a consulta pública, mas se a …

04/08/2006 –  A solução encontrada pela Anatel para resolver o problema da Vivo, destinando a faixa de freqüência em 1,9 GHz que era do WLL para o SMP, caiu como uma bomba entre as operadoras de celular que atuam em Minas Gerais. Elas vão tentar reverter a decisão durante a consulta pública, mas se a destinação dessa freqüência for confirmada para o SMP, permitindo à Vivo comprar a freqüência e passar a operar em Minas Gerais e no Nordeste, estão dispostos a brigar nas instâncias em que for necessário.

Essa disposição é um sinal de que o caminho da Vivo para entrar em Minas Gerais será acidentado, se decidir usar a freqüência em 1.9 GHz. Telemig Celular, TIM, Claro e Oi entendem que criar condições para a entrada de um quinto concorrente naquele estado é um casuísmo e uma mudança nas regras do jogo. “Quando as operadoras compraram as licenças estava estabelecido que eram quatro concorrentes. Portanto, nenhum business plan considerou a possibilidade de um quinto concorrente. Essa proposta da Anatel vai provocar um desequilíbrio econômico-financeiro em nossa operação, que é inaceitável”, diz Ricardo Sacramento, presidente da Telemig Celular, insistindo que não é justo uma alteração inesperada que muda a modelagem do negócio. Na mesma tecla batem os executivos das demais celulares.

Embora reconheçam que, quando a Anatel criou o SMP, instituiu as bandas C,D e E, que, somadas as já existentes A e B, abriu espaço para cinco concorrentes, a agência acabou mudando a destinação da banda C, por falta de concorrentes. A banda C foi transformada em faixa de extensão para as bandas A e B, o que significa, para todos os efeitos, que, na segunda geração, só haveria quatro players.

“Vamos brigar pelos nossos direitos”, afirma Luiz Eduardo Falco, presidente da Telemar/Oi, afirmando que, na área da operação celular, tudo estava muito bem resolvido e não há por que abrir exceção. Em sua avaliação, compartilhada também pela TIM, a Anatel não pode criar uma solução regulatória para resolver o problema de uma empresa, que foi criado por ela própria ao insistir em sua opção tecnológica, a plataforma CDMA. “Agora que ela está fazendo o overlay em GSM, é ainda menos compreensível essa solução que o regulador está propondo”, afirma Falco.

Solução não é dirigida

De sua parte, a agência está convencida da correção de sua decisão. Técnico da Anatel salienta que essa não é a “faixa da Vivo”, pois a solução técnica criada possibilita que outra operadora adquira essa freqüência. Isso porque essa banda, intitulada L (vai de 1.895 a 1.900 MHz e faz par com a de 1.975 a 1980 MHz, que é a do PCS norte-americano), permite a operação tanto em CDMA como em GSM.

Mas os concorrentes dizem que só a um interessado nessa faixa: a Vivo. Além disso, querem discutir, durante a consulta pública, os eventuais riscos do uso dessa faixa e eventuais interferências em suas operações. Eles insistem em que a garantia dada por técnicos da Anatel de que, hoje, existem filtros que impedem a interferência, não é suficiente. “O debate técnico não foi feito publicamente, e tememos interferência, na terceira geração, tanto no usuário de GSM quanto no de CDMA”, reclama um executivo. Outro diz que a solução dada pela Anatel é boa, porque joga a solução dos problemas técnicos de eventual interferência na faixa do UMTS para quem adquirir essa freqüência da banda L.

A discussão técnica vai embalar a consulta pública, mas a raiz do conflito não está aí. Está mesmo é no fato de a destinação da banda L ao SMP abrir a possibilidade de a Vivo, comprando essa faixa, vir a ser a quinta operadora em Minas Gerais. Tudo indica que se ela se interessar pela banda L – e deverá fazê-lo — , só deverá comprar as freqüências em Minas e Nordeste, área da Telemar e, eventualmente, em São Paulo, área da Telefônica. Na região da Brasil Telecom só poderá usar a freqüência depois de 2011. E, certamente, não deverá comprar para esperar tanto tempo. A Brasil Telecom comprou essa faixa para fazer telefonia fixa sem fio e tem preferência de ocupação até aquele ano.

Anterior Telefónica esbanja investimentos
Próximos Telemar faz AGE dia 22 para deliberar sobre aumento de capital