Concentração do mercado pode ser positiva, segundo a Vivo.


Compartilhamento de infra-estrutura continua na ordem do dia para a Vivo, uma vez que as margens da empresa, como, de resto, as das demais celulares, ainda deixam muito a desejar. Roberto Lima, presidente da empresa, levantou a questão pela primeira vez na última Futurecom, em outubro, e hoje, 29 de novembro, em almoço com a …

Compartilhamento de infra-estrutura continua na ordem do dia para a Vivo, uma vez que as margens da empresa, como, de resto, as das demais celulares, ainda deixam muito a desejar. Roberto Lima, presidente da empresa, levantou a questão pela primeira vez na última Futurecom, em outubro, e hoje, 29 de novembro, em almoço com a imprensa, disse que o assunto foi discutido mais uma vez no âmbito da Acel, mas não avançou, embora “não tenha morrido”.

Chega um ponto, argumenta, que qualquer investimento adicional em cobertura, em pequenas localidades, ou estradas vicinais, por exemplo, não se paga, e as empresas precisam adicionar eficiência ao seu modelo de negócios. “Compartilhar infra-estrutura significa obter ganhos de investimento e de operação”, enfatiza o executivo. Para ele, o compartilhamento será inevitável, ainda mais se se pensar que 45% dos municípios do país (e 15% da população brasileira) não dispõem de cobertura.

A telefonia celular cresceu, e cresceu muito, no país, afirmou Lima, graças ao estímulo à concorrência e ao lançamento de produtos inovadores como o pré-pago. Mas não contou com benefícios de incentivos fiscais. “Os subsídios foram dados pelas empresas. Como romper isso? Compartilhar é o caminho e, para isso, temos de adotar políticas de ruptura para recuperar margens, a conta fechar, dar retorno ao acionista e retomarmos um novo ciclo de investimento”, afirmou o executivo. Ele não descarta o compartilhamento com a concorrência, tampouco com novas entrantes, WiMAX, por exemplo.

Liderança

Na hipótese de precisar investir do zero em Minas Gerais e no Nordeste, o presidente da Vivo informou que o capex necessário será superior a R$ 700 milhões. Minas, em particular, com seus 10,6 milhões de usuários e crescendo 20% ao ano, representa uma oportunidade para a empresa, segundo Lima, e a consolidação abre espaço para a Vivo, seja com GSM ou CDMA.

Na hipótese cada vez mais provável da venda da operação brasileira da TIM, por exemplo, à Telmex, Roberto Lima observa que, como se trata de uma concentração e tanto, terá que ser avaliada pelo Cade e pela Anatel, seja para devolução de freqüências, seja para avaliação de poder de mercado. Mas ele considera que essa concentração pode ter efeitos positivos: menor agressividade de preços na concorrência num mercado de baixa rentabilidade pode melhorar margens. “Mas, uma empresa maior produz mais churn, ou seja, vão migrar clientes para outras operadoras”, pondera ele.

Quanto à possibilidade de perder a liderança que tem há tanto tempo no mercado, Roberto Lima considera que liderança não é sinônimo de market share, portanto, a Vivo não perderá a liderança, com mais, ou menos participação de mercado. “Liderança está no DNA da empresa”, concluiu.

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