Comunicação móvel nos mercados emergentes: espaço para todos os modelos.


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A quase totalidade do aumento da base de usuários celulares, nos próximos anos, deve vir de mercados emergentes. Um desafio para a indústria e as operadoras, que precisam equilibrar receita e custos. Yolande Pineda, diretora da Nokia, aponta alternativas.

Que as comunicações móveis têm encontrado um ambiente extremamente favorável para expansão nos mercados emergentes não é novidade para ninguém. Espera-se que o número mundial de assinantes de telefones celulares, hoje de pouco mais de 2,1 bilhões, alcance 3 bilhões em 2008, e que cerca de 80% do crescimento venha de regiões como América Latina, Rússia, Índia, China, África e Oriente Médio.

De nada adianta, porém, as empresas se proporem a atender esses mercados sem antes analisar e identificar as características e necessidades que apresentam. A chave é buscar a redução do custo total para o consumidor, ao mesmo tempo em que se garanta um modelo de negócios sustentável para operadoras e fornecedores. Para isso se faz necessária uma combinação certa de aparelhos, soluções de rede, serviços e um ambiente favorável de regulamentação.

Um dos aspectos constantemente abordados é a busca pelo aumento da taxa de penetração, ainda baixa nesses mercados. Na América Latina, por exemplo, segundo previsão do instituto Informa, o índice, atualmente em 44%, deve chegar a 53% no final de 2006. Na Ásia, o cenário é ainda mais atraente, o que faz vislumbrar oportunidades de atendimento àqueles que, pela primeira vez, irão adquirir um telefone celular.

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Mas os novos clientes também têm suas exigências e, para se alinhar ao perfil exclusivo deles, além do preço atraente, as empresas devem ofertar modelos atraentes, confiáveis e de fácil utilização. Designs icônicos, uma gama bem balanceada de recursos e até mesmo acabamentos especiais são essenciais para fazer chegar a esses usuários os benefícios da mobilidade.

Crescimento x receita

A maior disponibilidade de aparelhos acessíveis concorrerá fortemente para o atendimento dos novos mercados. Entretanto, diversos exemplos conhecidos demonstram que o crescimento da base de clientes não necessariamente corresponde a uma receita que justifique o modelo de negócio das operadoras.

Assim, não dispensar a devida atenção a fatores igualmente relevantes para o equilíbrio “custos x receita” pode levar a uma visão míope, que tende a comprometer ou mesmo inviabilizar o processo. Um bom planejamento de rede e a implantação de soluções de otimização, por exemplo, podem evitar essa situação.

Fabricantes já oferecem soluções ponta a ponta que minimizam os custos de instalação e manutenção de suas redes. Adotando-as, as operadoras móveis têm mais condições de expandir o serviço em mercados em que a receita gerada pelos assinantes seja baixa, característica de grande parte dos países emergentes. Neles, em média, 70% dos assinantes são pré-pagos.

Os recursos englobam gerenciamento de despesas operacionais (OpEx) e gastos de capital (CapEx) das operadoras, com planejamento, instalação, gerenciamento, treinamento, suporte e operação da rede. Um estudo mais detalhado, por exemplo, possibilita a instalação do modelo de rádio mais adequado para cada segmento, dando aos usuários a conectividade e facilidade de usos que eles esperam.

Soluções que viabilizam o uso compartilhado dos recursos de rádio também auxiliam na redução dos gastos operacionais. Canais de voz podem ser configurados para utilizar meia taxa ou taxa plena, dependendo do tipo de assinante. Mesmo os serviços de SMS podem ser diferenciados sem despesas adicionais de tráfego.

Elementos de rede permitem, ainda, que clientes pré-pagos sejam informados automaticamente do saldo, de despesas de chamadas e informações como data de vencimento da conta, custo da última chamada ou SMS e valor da última recarga pré-paga. Também as operadoras conseguem gerenciar a quantidade de créditos utilizados por sua base e têm a oportunidade de oferecer vantagens de acordo com cada perfil de cliente.

Mercado para os mais caros

Foto: divulgação Não restam dúvidas de que o potencial do mercado de entrada nos emergentes é enorme e precisa ser bem explorado, mas não se deve resumir a remessa de aparelhos para esses países ao nível primário e basear os serviços oferecidos no histórico de baixa receita dos clientes.

Alguns dados de 2006 mostram que se mantém crescente o mercado de aparelhos mais sofisticados. A própria Nokia, mesmo com a grande produção e distribuição de aparelhos de baixo custo, teve sua previsão de valor médio de venda por aparelho no primeiro trimestre superada – de 99 euros para 103 euros.

A explicação é que, enquanto as camadas de menor poder aquisitivo da população entram no mercado aproveitando promoções e baixo custo de aparelhos, os já usuários buscam a troca dos atuais modelos por outros que incluam recursos mais avançados.

Cada vez mais aumenta a exigência por aplicativos multimídia e de entretenimento, além de funções corporativas como troca de e-mails pelo celular e acesso remoto a arquivos de computador.

Lembrando ainda que, com a entrada da terceira geração e de cada vez mais serviços convergentes, o leque de possibilidades se amplia e aí…bem, aí é melhor deixarmos para um outro artigo.


Yolande Pineda, Diretora de Comunicação da Nokia para a América Latina.

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