Como ampliar a penetração de banda larga no Brasil


{mosimage}Devido à extensa geografia, o Brasil requer uma combinação de soluções para sanar a carência por banda larga. Para garantir a rápida implementação de serviços, os provedores devem optar por soluções adequadas a cada mercado-alvo, e dois critérios devem ser seguidos: rapidez e confiabilidade, explica Tarcísio Ribeiro, vice-presidente da Tellabs para América Latina e Caribe.

Recentemente, a Tellabs, empresa fornecedora de infra-estrutura de redes para empresas de telecomunicações, realizou uma pesquisa que aponta a insatisfação em relação aos serviços de banda larga nos Estados Unidos. Dos entrevistados – todos leitores de importantes publicações norte-americanas de telecom –, cerca de 90% acreditam que esta deficiência pode prejudicar a educação, a produtividade e as perspectivas de trabalho.

O Brasil, de acordo com o Relatório de Informação Econômica 2007-2008 da ONU, ocupa a 58ª posição no quesito penetração de banda larga, com 3,1%. O mesmo documento aponta que os EUA estão em 20º lugar, com 19,1%. A economia mais conectada em alta velocidade é Bermudas, com penetração de 36,3%.Aproximadamente 85% dos que responderam a pesquisa da Tellabs acreditam que o problema de penetração da banda larga é sério, e que pode vir a prejudicar a inovação Web 2.0. Se nos EUA, que ocupam uma posição melhor do que a do Brasil, a situação é preocupante, o que fazer para que nosso país se desenvolva nesse aspecto?

Devido à extensa geografia, o Brasil requer uma combinação de soluções para sanar o problema de banda larga. Por um lado, a penetração de computadores cresce de maneira agressiva, e a Internet tem sido amplamente adotada pelos usuários. Por outro, a banda larga ainda não está disponível para um grande número de localidades urbanas e essa falta é uma regra em outras regiões, principalmente na zona rural. É preciso ressaltar que há pré-disposição da população para adotar esse serviço, fato comprovado pela disponibilização de até 9 Mbps por alguns provedores.

Independentemente de qual seja a solução adotada, dois critérios básicos devem ser seguidos: rapidez e confiabilidade. Do ponto de vista sócio-econômico, o Brasil precisa urgentemente promover a inclusão digital e, ao implementar soluções tecnológicas, também dar um impulso ao crescimento da economia. É preciso investir em educação para que nos tornemos um pólo tecnológico, pois, com isso, deixamos de atrair investimentos apenas pela especulação financeira e exploração de commodities e passamos a criar valor tecnológico. Em relação ao segundo critério, é fundamental que as soluções sejam confiáveis, para que proporcionem continuidade no desenvolvimento, além de garantir lucratividade aos provedores do serviço. Além disso, o país precisa demonstrar segurança para atrair investidores – não apenas em relação à economia, mas também em infra-estrutura. Uma empresa precisa estar segura de que terá, por exemplo, acesso a transações velozes e eficientes.

As opções
Para garantir a rápida implementação de serviços, os provedores devem optar por soluções adequadas a cada mercado-alvo. Por exemplo, enquanto em grandes cidades, por causa do maior poder aquisitivo, é possível utilizar recursos baseados em fibra, em outras localidades a melhor alternativa é o cobre, usando VDSL2 ou ADSL2+, em uma topologia na qual a fibra é trazida mais próxima às residências e escritórios. Como complemento às duas alternativas, é importante utilizar tecnologias sem fio, como 3G ou WiMAX. Tal uso já é uma tendência real, tanto que nos últimos quatro meses, três operadoras lançaram serviços 3G, com o intuito de oferecer banda larga por meio de dispositivos portáteis, como PDAs, celulares e modems de alta velocidade.

Oferecer toda essa tecnologia requer um investimento elevado e, para manter as margens de lucro, as empresas devem buscar soluções e tecnologias desenvolvidas especificamente para acomodar as necessidades do usuário de banda larga. Por exemplo, até recentemente o tráfego de uma rede celular era primariamente de voz, com porcentagem pequena de dados. Com a tecnologia 3G, a transmissão de dados cresceu mais de 500%. Isso representa um desafio para as operadoras, e para garantir lucratividade, é necessário buscar tecnologias que minimizem os custos nas redes, ao mesmo tempo em que mantenham a qualidade dos serviços. A solução Integrated Mobile da Tellabs proporciona esse beneficio, reduzindo o custo de implementação e operação das redes e garantindo a qualidade de voz.

A evolução para LTE também tem que ser garantida, para evitar uma nova construção de rede em um período de três a quatro anos. Para as localidades onde se utilizam cobre e fibra, é importante que essas soluções possam evoluir. Um exemplo seria usar apenas uma solução para implementações FTTC (Fiber to the Curb – ou Fibra até a Calçada) e FTTP (Fiber to the Premise – Fibra até a Casa) permitindo a evolução de uma tecnologia para a outra na medida em que velocidades mais altas se façam necessárias.
 


* Tarcísio Ribeiro é Vice-Presidente da Tellabs para América Latina e Caribe.

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