Mayer e Salomão: Alternativas para alavancar o setor de TI


Duas grandes estratégias predominam: a realização de políticas públicas de apoio direto ou a opção de fomentar o uso de tecnologia com investimento indireto. Mas há casos de países sem uma preferência clara por uma das duas vertentes e realizam atividades em todas as direções – é o que acontece no Brasil.

Por Roberto Carlos Mayer e Jeovani Salomão*

Roberto Mayer é diretor da MBI, Diretor de Comunicação da Assespro Nacional e presidente da ALETI
Roberto Mayer é diretor da MBI, Diretor de Comunicação da Assespro Nacional e presidente da ALETI (Foto: arquivo pessoal)

O setor de tecnologia de informação não é poluente, gera empregos com remuneração acima da média e se caracteriza pela sua transversalidade (capacidade de influenciar todos os demais setores da economia e sociedade). Essas são algumas das razões que explicam a aposta que inúmeros governos realizam neste mercado. Embora a atuação de cada um seja diferente, existem padrões que são seguidos por diversos países.

Duas grandes estratégias predominam: a realização de políticas públicas de apoio direto ao desenvolvimento de TI ou a opção de fomentar o uso de tecnologia e realizar um investimento indireto. Além disso, há casos de países que não têm uma preferência clara por uma das duas vertentes e realizam atividades em todas as direções – como é o que acontece no Brasil, por exemplo.

O investimento direto inclui isenção de impostos, devolução de despesas com salários, treinamentos, certificações, entre outras ações. O exemplo mais famoso de país que investiu diretamente na área é a Índia. O processo começou na década de 70, quando a nação não tinha empresas de TI e nem possuía um mercado consumidor. Assim, seu crescimento atingiu as exportações em busca desse público. Essa vertente possibilita um movimento para mercados estrangeiros, mesmo no caso de um mercado interno forte – como ocorre na Argentina atualmente, por exemplo.

Entretanto, essa política pública possui um risco, principalmente quando o mercado interno é pequeno. Se as exportações são interrompidas por diversos fatores, o consumo dentro do país também sofre as consequências. A Irlanda passou por esse problema quando foi obrigada pela União Europeia a dar tratamento igual ao restante do continente para as empresas norte-americanas. Essa decisão política criou uma crise econômica no setor de tecnologia da informação do país, que ainda tenta se recuperar.

A outra vertente aposta no incentivo ao uso da tecnologia como ferramenta de desenvolvimento econômico e gestão pública. É o modelo adotado pela Alemanha. Como uma das principais economias do mundo, o país possui produtividade e competitividade elevadas – comprovada pelo volume total de suas exportações em relação ao PIB, mesmo remunerando seus trabalhadores em níveis acima da média europeia. Como resultado, o país europeu possui uma vasta rede de pequenas e médias empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, poucas empresas alemãs de TI cresceram ao ponto de serem players importantes em escala global.

Seja qual for a estratégia escolhida, é fundamental monitorar o efeito sobre o setor. Somente assim é possível mensurar os impactos das escolhas sobre as empresas deste mercado e efetuar correções quando as escolhas não forem tão bem sucedidas.

*Roberto Carlos Mayer (rocmayer@mbi.com.br) é diretor da MBI, Diretor de Comunicação da Assespro Nacional e presidente da ALETI (Federação das Entidades de TI da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha).

*Jeovani Salomão, é presidente da Assespro Nacional

Anterior Abinee defende projeto de terceirização de mão de obra
Próximos Embratel lança serviços para mercado corporativo