Comando da Nextel avalia “alternativas estratégicas”


Foto do presidente da Nextel, Roberto Rittes, diante do logo da empresa
O presidente da Nextel, Roberto Rittes.

Os executivos da Nextel buscam “alternativas estratégicas” para a operadora, que neste trimestre voltou a registrar prejuízo. O comando da tele aguarda com ansiedade uma resolução da Anatel sobre os limites de espectro licenciado por operadoras, mas já não conta exclusivamente com essa alternativa para aumentar caixa no futuro próximo.

“O que é positivo é que na consulta pública que a Anatel fez, nenhum grupo empresarial se posicionou contrário às mudanças no spectrum cap. Mas não é possível dizer quando as novas regras sairão”, falou hoje (7) Roberto Rittes, CEO da Nextel Brasil, a analistas durante a conferência de resultados da companhia.

A mudança no limite de espectro outorgado por operadora resultaria em um aumento do quanto de uma mesma faixa de frequências as empresas poderiam deter. A Nextel, com um novo regulamento, espera poder vender parte de seu espectro para fazer caixa.

Mas, conforme Rittes, há a questão tempo. As propostas recolhidas pela Anatel estão sob análise da área técnica da agência. Depois de depuradas, um texto prévio deve ser enviado à Advocacia Geral da União, que avalizará ou não a proposta. Em caso positivo, o material retorna à área técnica para ajustes, e apenas então vai para o conselho diretor, que precisará escolher relator e agendar data para votação da matéria.

“Como não há garantias de que a proposta regulatória saia, estamos buscando outras alternativas estratégicas”, afirmou o executivo. Ele não quis precisar quais seriam, mas disse que o objetivo é levantar mais capital. Ano passado, a NII Holdings vendeu 30% da Nextel para o grupo escandinavo ICE, com previsão de venda de outros 30% em seis meses, mas a ICE Group desistiu de ampliar sua fatia.

Refarming

Assim como as rivais maiores, a Nextel pretende ampliar a oferta de serviços 4G. A operadora traçou um roadmap de curto prazo para instalar antenas LTE e usar uma fatia maior do espectro de 2.1 GHz para a quarta geração.

Neste ano, a empresa deve remanejar 5 MHz de espectro usado no 3G para o 4G no litoral paulista. Também o interior de São Paulo deve ser contemplado. Em 2019, a empresa espera virar a chave na capital paulista. E em 2020, em outros mercados. No segundo trimestre, metade do tráfego era originado em redes 4G.

“Os dados estão explodindo no Brasil. Esperamos um aumento de cerca de 30% no consumo de dados médio por usuário neste ano”, ressaltou Rittes na conferência. A maior parcela do tráfego, disse, acontece dentro da rede própria. Na rede da Vivo, com a qual tem contrato de compartilhamento, circulam apenas 4% de do total de tráfego de dados dos clientes da Nextel.

Mais varejo

Rittes afirmou ainda que espera continuidade da adições líquidas no ano. No próximo semestre, a expectativa é atrair mais de 150 mil novos clientes. Para isso, a operadora contará com ampliação das parcerias com redes de varejo.

“Estimamos de 20% a 30% das vendas de pós-pagos das concorrentes vêm de lojas no varejo. Fizemos um piloto também, e foi bem. Hoje vendemos em 200 lojas, e nossa meta é ter revenda em 1 mil lojas até o final do ano”, falou.

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