Com tarifas agressivas, NET mexe com o mercado de banda larga


23/02/2006 –  A NET começa a mostrar a que veio o grupo mexicano Telmex, acionista minoritário (pelo menos formalmente) da operadora de TV a cabo. Com uma agressiva campanha tarifária, a empresa está popularizando a banda larga de altíssimas velocidades – de 2 mega a 8 mega – , algumas das quais sequer estão sendo …

23/02/2006 –  A NET começa a mostrar a que veio o grupo mexicano Telmex, acionista minoritário (pelo menos formalmente) da operadora de TV a cabo. Com uma agressiva campanha tarifária, a empresa está popularizando a banda larga de altíssimas velocidades – de 2 mega a 8 mega – , algumas das quais sequer estão sendo oferecidas pelas concessionárias de telefonia fixa. Não é sem razão que o balanço financeiro da empresa de 2005, divulgado no início deste mês, aponta que as vendas do Vírtua (o seu serviço banda larga) cresceram 97% no período. Somente no último trimestre do ano passado, foram incorporados à base 105 mil novos clientes. A empresa fechou o ano com 367 mil clientes ativos, o que representa cerca de 1/3 da base de clientes de banda larga da Telemar e da Brasil Telecom, e perto de 25% da base da Telefônica. Só para efeito de comparação, a Brasil Telecom, que registrou  crescimento de 89% em sua base de assinantes banda larga, fechou 2005 com um milhão de clientes, um número bem tímido frente à sua capilaridade, se comparado à rede da Net, que está oferendo os serviços Vírtua em apenas 12 cidades brasileiras.

Embora os preços praticados estejam sendo anunciados como “campanhas promocionais por tempo determinado”, fontes da empresa afirmam que a intenção é manter a agressividade das campanhas por um grande período de tempo. A aposta nas velocidades mais altas – que estão sendo comercializadas a valores que variam de R$ 79,90 para 2 Mbps a até R$ 199,90 para 8 Mbps –, explica o executivo, está alinhada com a estratégia da empresa de valorizar o tráfego de imagens e vídeos (associando, assim, o conteúdo da TV por assinatura) e fidelizar o usuário, para que ele veja a NET também como provedora de serviços de voz.

A popularização da banda larga pela NET, diz o executivo, tem uma razão objetiva: a empresa quer entrar para valer no mercado de telecomunicações básicas. “Se a NET, hoje, não tem nenhuma receita com  os serviços de voz, a partir do momento em que começar a oferecê-los, mesmo que a preços bem mais baratos, passará a contar com uma receita importante”, explica. Segundo ele, são as concessionárias que precisam se preocupar com o seu legado e temer a voz sobre IP.


A reação

As concessionárias de telefonia fixa reagem, cada qual a sua maneira, à agressividade da NET, mas, pelo menos por enquanto, estão convencidas de que não podem entrar nessa guerra de preços, porque, no seu entender, se o fizerem, não há mais volta. “Nunca vi guerra de preços onde as empresas consigam recuperar as margens”, alega o executivo de uma incumbent.
A reação está se dando de maneiras distintas, mas a diferença de preços é significativa. Na Telefônica, por exemplo, o Speedy de 1 Mbps sai por R$ 109,90; na Brasil Telecom, o BRTurbo de 1 Mbps está sendo comercializado por R$ 219,99; e na Telemar; o Velox de 2 Mbps custa R$ 179,00. Apenas a Telefônica oferece acesso a 8 Mbps com preço equivalente ao do Vírtua.

Pelo menos por enquanto, o caminho escolhido pelas fixas locais para enfrentar a NET é fazer ações pontuais nas áreas onde a empresa tem rede. E essas ações pontuais, pelo menos no caso da Telemar, incluem a oferta casada de serviços como Oi Conta Total, onde o cliente escolhe um plano, com franquia de minutos, para seus telefones fixos, celulares e o acesso em banda larga. As ofertas, dirigidas aos clientes de maior poder aquisitivo, começaram pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O objetivo é oferecer um pacote atraente, tanto para clientes residenciais quanto corporativos, e, desta forma, garantir a sua fidelização. Com uma base de 850 mil clientes Velox, a Telemar, segundo um de seus executivos, acha que a estratégia da fidelização é mais consistente do que a guerra de preços. Sua briga, no nomento, não é contra os preços da NET, mas contra o que chama de assimetria regulatória. Embora tenha como acionista o controlador de uma concessionária, a NET pode oferecer o chamado triple play, oferta vetada às demais. Para enfrentar a competição em igualdades de condições, a Telemar, que acaba de fazer uma parceria comercial com a Sky/DirecTV, está pleieando, junto à Anatel, o direito de comprar licenças de TV a cabo que foram ofertados no passado e para as quais não surgiram candidatos.

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