Com GVT, Vivo passa a liderar banda larga fixa


A Telefónica conquistou hoje um sonho de muitos anos: comprar a GVT. Com a aquisição, que ainda tem que passar por vários trâmites da legislação francesa (a controladora Vivendi tem sede em Paris) para ser aprovada, a Telefônica Vivo passa a ter uma rede fixa integrada em todo o país. Da mesma forma que a Vivo tem uma rede, que ela considera premium, na banda larga móvel, com a GVT, dona da rede fixa mais moderna do país, ela passará a ter uma rede de excelente qualidade na banda larga fixa.

A compra da GVT envolve um investimento, em dinheiro, de 4,663 bilhões de euros, além 12% de ações da Telefônica Vivo Brasil para a Vivendi após a aquisição da GVT. E mostra a disposição de consolidação do grupo espanhol no Brasil, dentro de um processo que vem ocorrendo nos Estados Unidos e na Europa de fusões e aquisições no mercado de telecom com vistas ao fortalecimento das empresas. A queda da rentabilidade das operadoras e a necessidade de investimentos vultuosos para acompanhar o ritmo do crescimento do tráfego móvel, especialmente de vídeo, tem acelerado este processo.

Com a compra, a Vivo passa a disputar cabeça a cabeça com o grupo América Móvil (controlador da NET e Embratel, que oferecem banda larga fixa) a liderança no segmento. De acordo com dados do site Teleco, no final do segundo trimestre deste ano a banda larga fixa no Brasil era liderada pela América Móvil, com 7,045 milhões de acessos, seguida pela Oi, com 6,567 milhões; Vivo, com 4,370 milhões; e GVT, 2,761 milhões. Com a compra da GVT, a Vivo passará a ter uma base de 7,131 milhões de acessos

Ironia do destino

A Telefónica compra agora a GVT da Vivendi, com quem travou uma queda de braço pela mesma empresa, em 2009, e perdeu. Na época, a Vivendi pagou cerca de R$ 7,2 bilhões pelo controle da GVT. Na transação, vai levar, entre dinheiro e ações, o triplo do que pagou.

E a disputa não se deu em termos cordiais. A Telefônica Brasil entrou com questionamento contra a GVT na CVM. Foi aberto um processo que comprovou que a controladora  da GVT não agiu conforme as regras do mercado brasileiro de capitais, tanto que o acordo firmado pela GVT com a CVM para por fim ao processo, no valor de R$ 150 milhões, foi um dos maiores até hoje cobrado pela autarquia.

Em 2009, a Telefônica havia feito uma oferta pública de ações pela GVT. A Vivendi resolveu também adquirir a empresa brasileira e, em novembro daquele ano, anunciou a aquisição de 37,9% da GVT, pagando R$ 56 por ação. A questão, contudo, é que a Telefônica, embora tivesse feito uma oferta inferior, teria fôlego e disposição para cobrir a oferta.

Só que a Vivendi, quando adquiriu esta participação minoritária, anunciou ao mercado brasileiro que tinha ainda uma opção de compra incondicional de outros 19,6% de ações da GVT, o que a faria deter 57,5% da GVT, tirando, assim, a Telefônica da jogada. Mas, na verdade, a francesa não tinha essas ações, que só foram adquiridas depois, conforme comprovado pela CVM..

 

 

 

 

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