A empresa mineira Leucotron, do Vale da Eletrônica (Santa Rita do Sapucaí – MG), enfrentou os últimos anos de crise econômica com criatividade. Diante do encolhimento do mercado, focou os trabalhos sobre nichos e investiu no desenvolvimento de novos produtos. Em fevereiro, lançou o Flux IP, uma central que reconhece chamadas analógicas, digitais ou IP com 2 mil portas, de olho nos grandes hotéis.

Até ano passado, a empresa atendia pequenos negócios que necessitavam de equipamentos com capacidade para não mais que 600 usuários. Com a nova central, dá um salto e se torna capaz de atender 98,9% das pequenas e médias empresas brasileiras, conforme cálculos de Antonio Cláudio de Oliveira, diretor de negócios da Leucotron.

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Ele não revela o investimento total, mas lembra que o desenvolvimento atende ao nicho mais importante para a empresa. O Flux IP abre oportunidade para o fornecimento a hotéis de grande porte e resorts. Mal chegou ao mercado, o produto já foi contratado pelos hotéis Radisson e Comfort Suites Alphaville (SP), da rede Atlantica Hotels. Ambos substituíram os terminais digitais por terminais IP. O complexo, agora, tem 1100 ramais e opera com interface de integração com PMS hoteleiro. Com isso, check-in / check-out, bilhetagem, alteração do estado do quarto podem ser feito por meio do terminal do apartamento pela camareira.

A Leucotron existe há 34 anos. Durante este período, competidores apareceram, incomodaram, mesmo empresas grandes buscaram o mercado, sem sucesso. Segundo o executivo, por dois grandes motivos: “Por sermos relativamente pequenos e focados, temos agilidade em desenvolver soluções de acordo com nossa demanda. Para um grande player mundial, mudar uma plataforma para atender uma necessidade específica, custa. Com isso conseguimos ajustar soluções para a realidade brasileira. Além disso, temos mais de 300 parceiros comerciais. Um ecossistema com o qual a gente conseguiu superar a crise”.

Oliveira calcula que existam 2 milhões de usuários dos seus produtos no país, graças à carteira de 200 mil clientes. A empresa teve resultados positivos em 2014, em 2015. Em 2016 enfrentou retração da receita, que pelos cálculos de Oliveira, voltará ao patamar do final de 2015 neste ano, um crescimento de 20%. “O Flux deve se tornar o principal gerador de receita no médio prazo pelo porte”, diz.

Além dos hotéis, a empresa espera que a nova central resulte em negócios nas verticais de condomínios e hospitais, e acelere a expansão fora do Brasil. Já tem clientes na Colômbia e na Costa Rica, e está implementando soluções no México. Em Peru, Chile e Equador, busca revendedores.